A liderança de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno, que o torna favorito para vencer a disputa presidencial contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), deve provocar, pelo menos em um primeiro momento, uma tendência de alta para os ativos financeiros brasileiros (bolsa, juros e câmbio).
O bolsonarista é visto como um candidato mais alinhado à agenda do mercado financeiro, que preconiza um ajuste fiscal com forte cortes de gastos, ainda que a campanha não tenha deixado claro como fará isso,.
Na última sexta-feira, a bolsa já tinha tido uma alta relevante, mas, com um resultado na contramão das pesquisas em favor de uma candidatura que tinha preferência na “Faria Lima”, a tendência é que dólar e juros também tenham movimentos mais favoráveis.
Os mercados vinham trabalhando com um cenário de liderança de Lula e o direcionador dos movimentos de ativos para a próxima semana seria a distância. A linha de corte era a faixa de três a quatro pontos de diferença do presidente para Flávio. Menor que isso, tendência de alta para os ativos. Liderança mais folgada, a pressão seria de baixa.
No fim das contas, a liderança ficou com Flávio, com uma diferença de dois pontos porcentuais (47% contra 45%). Na democracia recente do Brasil, nunca um candidato a presidente que começou o segundo turno atrás virou o jogo.
O máximo que se tem de precedente para dar esperança ao lulismo é de 20 anos atrás, em que o seu hoje vice, Geraldo Alckmin, perdeu 2,3 milhões de votos do primeiro para o segundo turno na disputa com o Lula em 2006, quando o petista foi reeleito.
A diferença que Flávio colocou sobre Lula é de 2,2 milhões de votos. Mas há que se considerar que, além da diferença da largada, há os votos das candidaturas derrotadas que, por serem majoritariamente do campo da direita, tendem mais ao candidato do PL do que ao atual chefe do Planalto.
Além disso, o forte desempenho do bolsonarismo no Senado e a vitória com votações históricas de algumas lideranças jovens do PL, como Nikolas Ferreira (MG) e Lucas Pavanato (SP), reforçam a vantagem de Flávio.
Esse contexto de uma onda do “voto de revolta”, especialmente com o Supremo Tribunal Federal (STF), é um fator que dificulta também a atuação do governo, que nas últimas semanas vinha abrindo a caixa de ferramentas de medidas. Interlocutores do governo dizem que essa eleição não é sobre economia e sim sobre esse clima muito similar ao que elegeu Jair Bolsonaro em 2018.
Paradoxalmente, a se confirmar uma melhora de ativos, especialmente do dólar, o movimento pode ajudar Lula, pelo canal da melhora de bem-estar, ainda que haja muito pouco tempo para que isso cause algum efeito mais prático para o jogo eleitoral. Em tempo, vale destacar, o presidente ficou com 45,1% dos votos, bem alinhado com o nível de aprovação pessoal que ele tem tido nas pesquisas.
Liderança de Flávio gera tendência de alta na bolsa e no real, enquanto Lula busca fórmula para tentar virar o jogo
