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outubro 10, 2026
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Lula x Flávio Bolsonaro: As perguntas cruciais que intelectuais fariam aos candidatos ao segundo turno

Por · outubro 10, 2026
Como ficou a eleição para presidente? Veja resultados do primeiro turno


A pedido da coluna, um seleto grupo de pessoas foi convidado a dizer que pergunta faria a Lula e a Flávio Bolsonaro, já de olho no segundo turno, marcado para 25 de outubro, que vai escolher, entre os dois, o próximo presidente da República.
Edmar Bacha (Economista)
Para Lula: “Sob sua gestão, a dívida bruta do governo subiu de 72% do PIB em 2022 para 79% em 2025, e a projeção para este ano supera 83%. Que despesas específicas o senhor está disposto a cortar para reverter essa trajetória insustentável?
Para Flávio: No governo de seu pai, o desmatamento na Amazônia aumentou 54% e, na atual gestão, voltou a cair. O senhor defende o retorno à política ambiental de seu pai ou manteria os mecanismos atuais de fiscalização?
Eduardo Giannetti da Fonseca (Economista)
Para Lula: “Se eleito, quem o senhor pretende nomear como Ministro da Fazenda?
Para Flávio: “Se o STF barrar em plenário a anistia do ex-presidente, como você reagiria?”
Heloisa Starling (Historiadora)
Para Lula: “Em 2022, a federação Brasil da Esperança formou uma coalizão em defesa da democracia no Brasil. Apostar na democracia significa apostar na esperança – a certeza incerta sobre um bem que virá. O tempo presente é o nosso grande desafio projetivo. História não é destino e não está escrita nas estrelas. E o futuro é um empreendimento que precisa ser compartilhado pela sociedade. Então, qual é o seu projeto de futuro para o Brasil?”
Para Flávio: “A ameaça mais perigosa à democracia é aquela que se traveste da sua forma, escreveu o cientista político Miguel Lago. O governante é eleito, diz que defende a democracia, não rompe com o Estado de Direito – ele o esvazia. Não impede eleições; corrói a credibilidade das urnas. Não censura formalmente; esgarça o conceito de liberdade esvaziando-o de sentido, torna precários os espaços de expressão livre e mina os mediadores da palavra. O que sobra é uma casca. O verniz democrático cobrindo uma ossatura corroída. Sem alarde, sem tanques nas ruas, sem ruptura explicita. Caso eleito, quais medidas serão adotadas pelo seu governo para impedir que se instale no Brasil uma democracia com aparência intacta e alma corroída?”
Mary Del Priore (Historiadora)
Para Lula: “O senhor chegou à eleição aos 80 anos num país que envelhece rapidamente. Às vésperas do primeiro turno, uma pesquisa Datafolha lhe atribuía 52% das intenções de voto entre os jovens de 16 a 24 anos. Como o senhor interpreta esse encontro entre gerações? E o que um presidente de 80 anos acredita poder aprender com uma geração que nasceu quando sua própria história política já estava consolidada?”
Para Flávio: “O Brasil envelhece rapidamente: já somos mais de 34 milhões com 60 anos ou mais. Entre os idosos que ainda trabalham, pretos e pardos recebem praticamente a metade do rendimento dos brancos. No Estado do Rio, quase cinco mil idosos em situação de rua estavam inscritos em 2025 no Cadastro Único. Se eleito, que políticas pretende adotar para que envelhecer não continue sendo um privilégio determinado pela renda e pela cor?”
Milton Hatoum (Escritor)
Para Lula: Diante da ampla aliança partidária do seu adversário, há espaço para outro tipo de aliança para apoiar sua candidatura à reeleição?
Para Flávio: No que se refere à exploração da Amazônia e de outros biomas, seu programa de governo propõe “licenciamento ambiental ágio, moderno e sem amarras” e menciona ainda “licenciamento automático por demora de prazo”. Isso não seria uma nova versão de “passar a boiada”?
Roberto DaMatta (Antropólogo)
Para Lula: “Se você for eleito, vai deixar de morar num palácio?
Para Flávio: “Você vai diminuir o poder da casa, da família e dos amigos que têm sido fundamentais na política brasileira?”

Lula x Flávio Bolsonaro: As perguntas cruciais que intelectuais fariam aos candidatos ao segundo turno