O presidente da França, Emmanuel Macron, defende uma coalizão que reúna forças da centro-esquerda à direita na disputa das eleições presidenciais do país em 2027. A proposta foi revelada por uma fonte próxima ao presidente à AFP. Atualmente, Marine Le Pen, do Reagrupamento Nacional, de extrema direita, e Jean-Luc Mélenchon, da França Insubmissa, da esquerda radical, lideram as pesquisas. Um eventual duelo entre os dois é o cenário que Macron tenta evitar.
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Sem poder concorrer a uma reeleição na eleição presidencial de 2027, prevista para 18 de abril e 2 de maio, após dois mandatos consecutivos, Macron defende a “lógica da coalizão” que reuniria políticos como o social-democrata, Raphaël Glucksmann, e o aspirante de direita liberal, David Lisnard, deixando de fora os candidatos da esquerda e da extrema direita.
— No que diz respeito à Europa, ao Estado de direito, à economia de mercado e à rejeição dos extremos, o que une figuras como Lisnard e Glucksmann é mais forte do que aquilo que as divide — acrescentou o aliado do presidente francês.
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Eleito em 2017 com uma candidatura de centro, que enfraqueceu o bipartidarismo francês entre socialistas e conservadores, a saída de Macron abre espaço para uma disputa ainda indefinida. De acordo com pesquisas recentes, Le Pen venceria Mélenchon em um eventual segundo turno.
Desde as eleições legislativas antecipadas de 2024, a Assembleia Nacional está dividida em três grandes blocos: esquerda, centro-direita e extrema direita. Sem maioria própria, o governo de Macron apoiou-se na direita para conseguir governar. Esse bloco, no entanto, conta com vários candidatos à presidência e carrega o legado impopular do presidente, o que, por ora, os impede de chegar ao segundo turno.
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O ex-primeiro-ministro Édouard Philippe é quem aparece com mais chances, ocupando o terceiro lugar nas pesquisas. Entretanto, Philippe se recusa a participar das eleições para definir um candidato único do centro e da direita, proposta solicitada pelo também ex-primeiro-ministro e atual líder do partido macronista, Gabriel Attal, e pelo presidente do partido conservador Os Republicanos, Bruno Retailleau.
Custo de vida, desigualdade e violência do Estado
Nesta quinta-feira, uma greve nacional interrompe serviços públicos e provoca manifestações em diferentes cidades francesas. Em Paris, a Torre Eiffel foi fechada ao público, segundo comunicado publicado no site oficial do monumento. A expectativa, de acordo com a agência de notícias AFP, era de que até 80 mil pessoas participassem dos atos na capital.
A mobilização reúne sindicatos e estudantes em uma onda de protestos que se estende há semanas. As paralisações atingem setores como educação e transporte ferroviário, enquanto manifestantes foram às ruas em cidades como Marselha, Nantes e Paris. Entre os participantes estão integrantes da Confederação Geral do Trabalho (CGT), uma das principais centrais sindicais francesas.
No sábado, mais de 320 mil pessoas foram às ruas em várias cidades em uma jornada de protestos que teve como principal alvo o elevado custo de vida no país, mas que inclue queixas contra a desigualdade e a violência das forças de segurança. As autoridades relatam que os atos “correram bem”, mas que houve episódios isolados de violência: ao fim do dia, foram confirmadas 511 detenções.
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