Pular para o conteúdo
setembro 28, 2026
BRcom
Dólar PTAXR$ 5,1985
News

Manifestantes em Madri pressionam governo Sánchez por medidas contra crise da moradia na Espanha

Por · setembro 28, 2026
Manifestantes em Madri pressionam governo Sánchez por medidas contra crise da moradia na Espanha


Após duas noites acampados no centro de Madri, os manifestantes contra a crise da moradia na Espanha afirmaram, nesta segunda-feira, que estão determinados a seguir pressionando o governo do primeiro-ministro socialista, Pedro Sánchez, de quem exigem uma nova lei mais protetora diante da alta dos preços de aluguéis e imóveis. Muito criticado, inclusive entre seus simpatizantes, por não ter conseguido conter a escalada dos preços, o governo de Sánchez deve apresentar um novo decreto na terça-feira. O texto, porém, não tem garantias de ser aprovado no Parlamento, onde ele não dispõe de maioria.
Contexto: Idosa despejada após 70 anos em apartamento na Espanha diz que luta por direito à moradia deve continuar e pede ‘coragem’ a manifestantes
Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp
Quer morar fora? Veja guia interativo que reúne informações sobre 36 países
— Pedimos um decreto-lei sobretudo para proteger o direito à moradia e evitar os despejos — explica à AFP Carlota, uma manifestante de 29 anos que passou a noite entre as centenas de barracas instaladas na Puerta del Sol.
Initial plugin text
A pintora descreve como “grave” a situação na Espanha e pede uma legislação que “evite priorizar o capital e os fundos de investimento em detrimento das pessoas”.
O acampamento começou no sábado, na simbólica Puerta del Sol, como reação ao despejo, na semana passada, de Maricarmen Abascal, uma idosa de 87 anos obrigada a deixar o apartamento em que morava há 70 anos, depois que o imóvel foi comprado por uma empresa de investimentos.
Entenda o caso: Centenas acampam na Puerta del Sol contra a crise da moradia na Espanha
A imagem de Maricarmen sendo retirada do apartamento em uma maca pela equipe judicial na quarta-feira, enquanto vários manifestantes expressavam apoio na rua, gerou uma onda de indignação na Espanha a menos de um ano das eleições legislativas de 2027.
“Nem uma Maricarmen a mais”, escreveram os manifestantes na praça do centro de Madri em referência à idosa, que está hospitalizada desde o seu despejo.
Segundo o jornal espanhol El País, os manifestantes decidiram exigir que Sánchez e os partidos que apoiaram sua posse deixem de lado as divergências e aprovem o que já chamam de “decreto Maricarmen”. O texto estava parado desde julho, quando não conseguiu maioria para avançar no Congresso.
Veja também: Almodóvar visita acampamento de protesto contra crise habitacional na Espanha
— Peço a todos coragem, lutar, defender o que é de vocês — afirmou a octogenária em um vídeo publicado durante a noite na rede social X pelo Sindicato de Inquilinas e Inquilinos.
De acordo com o El País, o acampamento na Puerta del Sol remete às mobilizações do 15-M, movimento de indignação que levou milhares de jovens a ocupar a praça em 2011 para protestar contra a classe política e o sistema. Os manifestantes de agora, porém, têm uma reivindicação mais específica: pressionar o governo a mudar as políticas de moradia nas próximas 48 horas.
‘Insustentável’
Beatriz Blanco, uma trabalhadora autônoma de 37 anos que também está no acampamento, conhece um caso similar ao de Maricarmen.
— A mãe de uma amiga teve que voltar a morar com ela, a mãe tem 65 anos, porque não pode pagar um aluguel, acabaram de aumentá-lo — conta, lamentando um mercado com preços que são “uma completa loucura”. — Não podemos viver, não podemos ter um teto onde ficar. É uma situação completamente insustentável.
Análise: Nostalgia que descarta passado inconveniente impulsiona a extrema direita na Alemanha e no resto da Europa
A dificuldade de comprar um imóvel também atinge jovens com formação e emprego. David Suárez, de 32 anos, tem graduação, mestrado e experiência profissional em empresas importantes, mas ainda divide um apartamento com dois amigos e considera difícil, no curto prazo, ter uma casa só para ele.
— Você se sente um fracassado — relata ao El País.
Em 10 anos, o preço médio do metro quadrado de aluguel na Espanha dobrou, até alcançar 15,1 euros/m² (R$ 89) em agosto, segundo o portal imobiliário Idealista.
Na compra, o preço atual é de 2.355 euros (R$ 13.890), um aumento de mais de 50% no mesmo período, segundo dados oficiais.
‘Contra o relógio’
Sánchez cumpre nesta segunda-feira uma agenda em Barcelona, onde o sindicato de inquilinos convocou um protesto durante a tarde.
O primeiro-ministro afirmou no domingo que seu governo trabalhava “contra o relógio” para apresentar novas medidas no Conselho de Ministros de terça-feira.
As propostas para enfrentar a crise, porém, dividem os partidos que podem apoiar o governo. Segundo o El País, Sumar e Podemos defendem medidas como expropriações e congelamento dos aluguéis, enquanto Junts e PNV defendem facilitar a construção de moradias e oferecer benefícios fiscais aos proprietários.
— Devemos enviar uma mensagem contundente — afirma Miriam Bue, uma das porta-vozes do sindicato.
A arquiteta de 29 anos diz não esperar “nada” das autoridades regionais de Madri, governada pelo conservador Partido Popular (PP, direita) e que administra a área da habitação, mas espera que o governo central de esquerda aceite a proposta do sindicato de instaurar aluguéis de duração indefinida, em vez dos cinco anos atualmente em vigor.
A presidente da Comunidade de Madri, Isabel Díaz Ayuso, do PP, criticou nesta segunda-feira algumas das propostas apresentadas após o despejo de Maricarmen, classificando-as como “sectárias” e “profundamente ideológicas”. Em uma declaração durante um evento em Madri, ela ironizou propostas que, segundo sua interpretação, permitiriam que inquilinos permanecessem nos imóveis sem pagar aluguel dependendo da idade.
— Que me avisem a partir de que idade deixo de pagar e, talvez, na próxima manifestação de inquilinos eu me junte — afirmou, segundo o El País. Posteriormente, Ayuso disse que se referia às “ideias políticas da semana”, e não ao despejo de Maricarmen.
A presidente regional também criticou a realização do acampamento na Puerta del Sol, argumentando que a mobilização prejudica comerciantes e interfere na rotina de uma área turística e residencial.
(Com AFP)

Manifestantes em Madri pressionam governo Sánchez por medidas contra crise da moradia na Espanha