A produção de conteúdo adulto ganhou uma nova frente de reconhecimento no Brasil: uma premiação que pretende reunir criadores, casais e profissionais que atuam nesse mercado. A primeira edição do Creator Awards terá uma etapa de seleção feita por uma academia de profissionais do setor e, depois, votação aberta ao público. A proposta coloca sob avaliação não apenas os nomes mais conhecidos, mas também cenas, colaborações e trajetórias.
De R$ 400 como atendente a R$ 7 milhões em um ano: criadoras contam por que migraram para o conteúdo adulto
Saiba: Por que cada vez mais celebridades estão entrando em plataformas de conteúdo adulto
O movimento acompanha o crescimento desse tipo de produção no país. Uma estimativa do levantamento privado OnlyGuider aponta mais de 53 mil criadores ativos no Brasil apenas no OnlyFans, sem considerar outras plataformas, incluindo as nacionais. No mercado global, a consultoria Mordor Intelligence estima que o segmento de conteúdo adulto digital movimentará US$ 47,15 bilhões em 2026.
Entre as categorias estão Criador e Criadora do Ano, além de Casal do Ano, voltada a duplas que produzem conteúdo em conjunto. Nesse formato, a relação entre vida pessoal e atividade profissional ganha uma dimensão diferente: para alguns casais, a produção compartilhada faz parte da renda da família.
Há ainda o Prêmio Vanguarda, destinado a pessoas que tiveram participação na construção desse mercado no país. A premiação também terá categorias voltadas a trabalhos específicos, como Melhor Cena do Ano e Collab do Ano.
Do desejo à identidade: como mulheres estão profissionalizando o conteúdo adulto no Brasil
Depois dos 40: como criadoras de conteúdo estão quebrando tabus e transformando maturidade em potência
Um negócio que vai além de quem aparece na câmera
Embora o resultado final esteja associado ao rosto de quem produz, a criação de conteúdo pode envolver uma estrutura que vai muito além da gravação. Fotografia, edição, atendimento aos assinantes e divulgação são algumas das atividades que podem fazer parte da rotina de um perfil à medida que ele cresce.
“Uma única criadora pode sustentar uma família e gerar trabalho para uma equipe inteira. Conforme a operação cresce, ela pode contratar fotografia, edição, atendimento e divulgação. O faturamento de um perfil não representa apenas o ganho de quem aparece no vídeo, mas também o pagamento pelos serviços que mantêm aquele negócio funcionando”, afirma Kellerson Kurtz, diretor de negócios do Fatal Fans.
A seleção dos finalistas também pretende escapar de uma lógica baseada exclusivamente em popularidade. Antes da votação, uma academia formada por profissionais independentes do setor avaliará os trabalhos e definirá os concorrentes em cada categoria.
A ideia é que o processo permita destacar produções que não necessariamente partem dos maiores perfis. Uma cena específica ou uma colaboração entre criadores, por exemplo, pode disputar espaço com nomes que já têm uma audiência consolidada.
“Uma cena pode se destacar mesmo sem vir do perfil mais conhecido. Uma colaboração pode chamar atenção pelo que os criadores fizeram juntos. Queremos abrir espaço para essas diferenças, em vez de tratar faturamento e número de seguidores como a única medida de sucesso”, diz Kurtz.
A votação popular começa em 26 de outubro, quando os finalistas serão anunciados, e segue até 26 de novembro. A cerimônia está marcada para 1º de dezembro de 2026, no Tokio Marine Hall, em São Paulo, com transmissão ao vivo. O público escolherá os vencedores das categorias, enquanto o Prêmio Vanguarda ficará fora da votação.
Mercado de conteúdo adulto cria premiação e amplia debate sobre profissionalização
