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Montanha-russa do Hopi Hari: Entenda o que aconteceu com jovem que perdeu os movimentos após andar em brinquedo

Por · setembro 22, 2026
Entenda em cinco pontos o que aconteceu com a jovem que perdeu os movimentos após andar em montanha-russa do Hopi Hari


Júlia Rimoli Bossoni, de 28 anos, perdeu parte dos movimentos do corpo após andar na Montezum, a montanha-russa do Hopi Hari, parque no interior do estado de São Paulo. O acidente aconteceu em 20 de abril deste ano, quando a jovem embarcou na atração consciente e, ao final do passeio, aparece desacordada.
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Segundo o Fantástico, o diagnóstico foi de traumatismo cranioencefálico, o TCE. De acordo com o laudo médico emitido pelo neurocirurgião Victor Batistela, o traumatismo de Júlia foi causado por mecanismo de contragolpe durante ida na montanha-russa.
“Apenas um movimento brusco de aceleração e desaceleração e rotação do crânio pode fazer a ruptura de vasos sanguíneos cerebrais, causando uma hemorragia intracraniana e levando a um edema cerebral, que foi o caso da Júlia, em especial”, disse o especialista ao programa.
Os primeiros exames feitos pela equipe médica da unidade mostraram uma hemorragia intracraniana e um grande edema cerebral. Por causa desse quadro, ela precisou ser operada às pressas.
“Foi uma craniectomia descompressiva. Essa cirurgia visa a retirada de uma grande porção da calota craniana para permitir o cérebro fazer esse processo de inchaço”, disse Batistela.
A Montezum é considerada a maior montanha-russa de madeira da América Latina. Inaugurada em 1999, ela tem cerca de de 42 metros de altura e pode alcançar uma velocidade de até 103 km/h em pouco mais de um quilômetro de extensão.
O Ministério Público de São Paulo abriu uma investigação para apurar o caso e pediu uma perícia policial na montanha-russa. O processo ainda está em andamento. Em nota ao Fantástico, o Hopi Hari disse que a Montezum possui certificação internacional emitida pelo grupo TÜV Nord. A assessoria do parque informou ainda que placas e avisos sonoros alertam sobre restrições, informando “a atração como radical, pela força e movimentos nela envolvidos, e contraindicando para pessoas com problemas na coluna, gestantes e portadores de condições clínicas específicas”.
Risco de lesões graves
Essa não é a primeira vez que uma montanha-russa está associada a lesões graves. Em agosto, a X2, montanha-russa do parque Six Flags Magic Mountain, nos Estados Unidos, fechou após relatos de uma série de lesões graves, incluindo hemorragias cerebrais.
Estudos mostram que casos de lesões graves em montanhas-russas podem acontecer, mas são raros. Uma revisão de 2019 publicada pela revista científica Neurology Advisor apontou que embora lesões neurológicas — como hematomas subdurais (sangramento entre o cérebro e o crânio), acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e hemorragias intracranianas — tenham sido documentadas na literatura médica, elas geralmente surgem como relatos de casos isolados, e não como ocorrências generalizadas.
A análise também apontou que alguns pacientes apresentaram sintomas horas ou até semanas depois de visitar um parque de diversões, o que pode dificultar o reconhecimento da relação de causa e efeito. Os sintomas relevantes que exigem avaliação de emergência após qualquer atração são aqueles que surgem nos minutos e horas seguintes: dor de cabeça súbita e intensa (ou nitidamente pior do que uma dor de cabeça comum), dor no pescoço acompanhada de dor de cabeça, vômitos, confusão mental, fala arrastada, fraqueza ou dormência em um dos lados do corpo, alterações na visão ou perda de consciência.
Outro trabalho, publicado em 2017 na revista científica Journal of Neurotrauma, constatou que a tensão cerebral durante passeios em montanhas-russas era comparável à observada em cabeceios no futebol e permanecia abaixo dos níveis tipicamente associados à concussão. Os autores concluíram que as montanhas-russas não parecem representar um risco imediato de lesão cerebral aguda para a maioria dos usuários, embora tenham ressaltado a necessidade de mais pesquisas para compreender os possíveis efeitos em indivíduos vulneráveis.
No entanto, alguns especialistas afirmam que brinquedos que expõem os passageiros a forças excepcionalmente intensas merecem uma análise mais detalhada. A biologia individual também pode desempenhar um papel importante no risco de lesões.
De acordo com o estudo publicado no Journal of Neurotrauma, dois passageiros na mesma montanha-russa sofreram movimentos de cabeça e níveis de deformação cerebral significativamente diferentes, apesar de estarem em posições semelhantes, o que sugere que algumas pessoas podem ser mais suscetíveis a lesões do que outras.
Além dessas raras lesões graves, montanhas-russas também podem causar dores temporárias no pescoço ou nas costas, dores de cabeça ou dores musculares, especialmente após percursos que envolvem aceleração rápida, curvas fechadas e mudanças bruscas de direção. Especialistas observam que a maioria das lesões ocorre sem qualquer falha mecânica do próprio brinquedo e costuma ser de gravidade leve.
No entanto, as mesmas forças que podem provocar desconforto temporário em pessoas saudáveis ​​podem representar riscos maiores para indivíduos com condições médicas preexistentes ou outras vulnerabilidades subjacentes. Por isso, parques de diversões recomendam rotineiramente que visitantes com problemas cardíacos, pressão alta, problemas no pescoço ou nas costas, cirurgias recentes, gravidez ou histórico de convulsões evitem atrações de alta intensidade.
Em linhas gerais, as evidências não apontam para a necessidade de evitar parques de diversões nem montanhas-russas radicais. A recomendação é ler as placas de aviso, optar por não ir em determinada atração caso se enquadre em alguma das condições listadas e consultar um profissional de saúde antes do passeio, caso a situação não esteja clara.

Montanha-russa do Hopi Hari: Entenda o que aconteceu com jovem que perdeu os movimentos após andar em brinquedo