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No Equador, Marco Rubio promete dinheiro contra o narcotráfico e inclui facção em lista de grupos terroristas

Na segunda parada do giro por aliados na América do Sul, no Equador, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, anunciou a inclusão de uma organização criminosa equatoriana na lista de grupos considerados terroristas pelos EUA, e prometeu nova ajuda de segurança ao governo do Equador. Segundo Rubio, não há “melhor aliado na região” […]

No Equador, Marco Rubio promete dinheiro contra o narcotráfico e inclui facção em lista de grupos terroristas


Na segunda parada do giro por aliados na América do Sul, no Equador, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, anunciou a inclusão de uma organização criminosa equatoriana na lista de grupos considerados terroristas pelos EUA, e prometeu nova ajuda de segurança ao governo do Equador. Segundo Rubio, não há “melhor aliado na região” no combate ao narcotráfico do que o presidente Daniel Noboa, seu anfitrião e um velho seguidor da cartilha de Donald Trump em Washington.
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Falando a jornalistas no Palácio de Carondelet, em Quito, Rubio confirmou a designação de organização terrorista ao grupo Los Tiguerones, criado em 2020 como uma cisão de outro cartel, Los Choneros (na lista do Departamento de Estado desde 2025), e que realizou ataques contra civis, forças de segurança e jornalistas. Em 2024, membros da organização invadiram o estúdio de uma TV em Guayaquil, em meio à onda de violência desatada pela fuga de Adolfo Macías, o Fito, chefe dos Choneros e que foi extraditado para os EUA.
— Não estamos falando de uma máfia comum, não estamos falando de criminosos; estamos falando de terroristas que, em muitos casos, realmente possuem armas e equipamentos semelhantes aos de um exército nacional — disse Rubio.
Além dos Tiguerones e dos Choneros, a lista de grupos terroristas dos EUA inclui outras duas organizações criminosas do Equador — Los Lobos e Chone Killers — que dividem o sangrento protagonismo na crise de segurança que afeta o país sul-americano. Antes considerado um exemplo de segurança na região, o Equador se tornou, em questão de anos, em território contestado por quadrilhas que usam seu território como plataforma de transporte de drogas para outras regiões, especialmente os EUA, maior consumidor mundial de cocaína. Em 2025, a taxa de homicídios foi de 51 casos para cada 100 mil habitantes, com atos criminosos planejados e ordenados de dentro das lotadas e violentas penitenciárias.
No poder desde 2023, Noboa usa o discurso do combate ao crime como plataforma central de governo, e viu na aliança com Donald Trump um meio de impulsionar sua política de enfrentamento. Desde o ano passado, o Equador realiza ofensivas armadas contra áreas supostamente dominadas pelos traficantes, em parceria com os EUA, e ataques em alto mar na costa do Oceano Pacífico.
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No ano passado, uma proposta para permitir que estrangeiros operassem bases militares no país foi derrotada em plebiscito, mas em junho, Noboa anunciou um plano para trazer tropas de outras nações, em missões de apoio e treinamento, e lhes concedeu imunidade para atos realizados em ações contra o crime. O Equador integra, ao lado de outras nações da esfera trumpista na América Latina, o Escudo das Américas, oficialmente voltado ao combate ao crime organizado, mas que se tornou o principal fórum da direita regional.
Após a reunião com Noboa, Rubio anunciou a entrega de um navio da Guarda Costeira dos EUA aos equatorianos, além de cinco barcos de menor porte, destinados à interceptação de embarcações suspeitas. O secretário de Estado prometeu ainda um novo pacote de assistência de segurança de US$ 45 milhões, que depende do aval do Congresso dos EUA. O dinheiro se soma a um outro aporte, de US$ 20 milhões, anunciado no ano passado e destinado especialmente à compra de drones.
— Não temos melhor aliado na região para enfrentar a ameaça do crime transnacional — acrescentou Rubio em Quito, antes de confirmar outro pacote de ajuda, de US$ 10 milhões, destinado ao combate à mineração ilegal.
A visita à América do Sul, a primeira em um ano, foi desenhada para demonstrar como o ideário defendido por Trump (e pelo próprio Rubio) avança na região. Na terça-feira, Rubio se encontrou com o novo presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, que usou o apoio da Casa Branca como trunfo sobre Ivan Cepeda, candidato do ex-presidente Gustavo Petro, de esquerda. Ali, trocaram palavras de amizade, firmaram acordos e destacaram a importância da parceria.
— Temos muitos interesses em comum com eles, tanto para enfrentar o terrorismo criminoso transnacional regional quanto em relação aos compromissos econômicos — disse Rubio em Barranquilla. — Isso faz parte de uma tendência observada no Hemisfério Ocidental de alinhamento com os Estados Unidos e com os interesses dos Estados Unidos.
Presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella (E), ao lado do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em Barranquila
Luis ACOSTA / AFP
Na quarta-feira, na última escala da viagem, Marco Rubio desembarca em Lima, onde se encontra com a presidente Keiko Fujimori, outra liderança do campo conservador que se mostrou disposta a ampliar a cooperação com Washington, especialmente no campo da segurança. Ela é favorável a operações militares conjuntas com os americanos contra o narcotráfico e teve aceito seu pedido para integrar o Escudo das Américas.
Contudo, a relação econômica com a China, principal parceiro comercial do Peru, estará mesa nem Lima. Em 2024, um megaporto construído com capital chinês foi inaugurado no país, e é considerado crucial para a Iniciativa Cinturão e Rota, a Nova Rota da Seda, pilar central da diplomacia econômica de Pequim.
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Os EUA, por sua vez, desejam conter a influência da China na América Latina. Em artigo publicado na terça-feira pelo jornal peruano El Comércio, Rubio questiona a legalidade e os benefícios dos projetos chineses no Peru. Ele acrescenta que “cada nação da nossa região tem o direito soberano de escolher os seus parceiros”, mas pede que “a escolha seja feita com absoluta transparência e que todos os seus termos sejam visíveis ao público”.
Nesta quarta, em resposta ao jornal peruano, a embaixada chinesa em Lima garantiu a transparência de seus investimentos no país, antes de lançar farpas contra Washington.
“A China abre suas portas e recebe o povo peruano de braços abertos. Então, por que os peruanos, ao solicitarem visto para um determinado país, precisam se submeter a controles rigorosos e até mesmo enfrentar ameaças de cancelamento dos vistos de toda a sua família?”.

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BRCOM