Katie Zacharia, a nova porta-voz da Casa Branca, confirmou na quinta-feira que nunca foi aprovada no exame da Ordem dos Advogados nem obteve habilitação para exercer a advocacia. Ainda assim, em sua primeira entrevista longa desde que assumiu o cargo, sustentou que não havia apresentado informações falsas sobre sua carreira jurídica.
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Quatro dias depois de assumir o cargo, Zacharia participou de uma entrevista à Real America’s Voice, conduzida por um entrevistador favorável ao governo do presidente Donald Trump, na qual abordou algumas das controvérsias que já a cercam. Ela explicou por que sua primeira entrevista coletiva foi tão curta e por que pareceu despreparada. Também revelou quem gostaria que a interpretasse no programa humorístico “Saturday Night Live”.
A entrevista foi conduzida por Jack Posobiec, um dos influenciadores de direita favoritos do governo Trump, que ganhou destaque ao alimentar teorias conspiratórias sobre pedofilia e integrantes da elite democrata — teorias que a própria Zacharia ajudou a disseminar no passado.
Durante a conversa, Zacharia confirmou que chegou a prestar o exame da Ordem dos Advogados na Califórnia, mas foi reprovada. Apesar disso, Trump a descreveu como uma “advogada”, e a própria porta-voz já utilizou o termo para falar de si mesma no passado. Ao longo dos anos, o presidente ridicularizou repetidamente Hillary Clinton e Kamala Harris por terem sido reprovadas no exame da Ordem, embora ambas tenham sido aprovadas posteriormente.
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Grande parte de sua defesa sobre a maneira como descreveu sua trajetória profissional pareceu se apoiar no que Zacharia sustentou ser uma diferença entre os termos “lawyer” e “attorney”. Embora ambas as palavras sejam frequentemente traduzidas como “advogado”, a segunda é utilizada para profissionais habilitados a exercer a advocacia.
— Segundo a legislação da Califórnia, uma pessoa precisa ser licenciada pela Ordem dos Advogados do estado para exercer a advocacia ou se apresentar como alguém autorizado a fazê-lo — disse Jeremy Fogel, juiz federal aposentado que dirige o Berkeley Judicial Institute. — Uma pessoa que se formou em Direito obviamente possui formação jurídica, mas a lei não a autoriza a se apresentar como attorney ou lawyer.
Zacharia disse ao New York Times, na noite de quarta-feira, que havia recebido, certa vez, a orientação de um presidente da Universidade Pepperdine de que não haveria problema em se identificar como advogada na televisão. Na quinta-feira, ela afirmou a Posobiec que havia “consultado por muito tempo muitas pessoas da área” e recebido a garantia de que era “absolutamente aceitável” se apresentar como advogada.
— Nunca me apresentei como alguém habilitado a exercer a advocacia — afirmou.
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Em sua breve conversa com o Times, Zacharia se recusou a dizer qual presidente da Pepperdine havia lhe dado essa orientação. Ela concluiu o curso de Direito na instituição em 2011. Andrew K. Benton era o presidente da universidade naquela época. Em 2019, Jim Gash assumiu a presidência. Na quinta, Benton afirmou que não foi ele quem lhe deu essa orientação, embora tenha descrito Zacharia como “uma jovem de grande integridade”.
Um representante de Gash afirmou que ele “não comenta conversas privadas”, mas divulgou uma declaração em seu nome que dizia: “A Pepperdine tem orgulho de contar Katie entre nossos ex-alunos, ex-colegas e amigos. Ao assumir essa importante responsabilidade, rezamos para que Deus lhe conceda sabedoria e coragem. Estamos ansiosos para vê-la usar seus talentos extraordinários e sua vasta experiência a serviço de nossa nação”.
Na entrevista a Posobiec, Zacharia também descreveu o processo apressado de sua contratação, dando a entender que não estava realmente preparada para o que aconteceria quando subiu pela primeira vez ao púlpito da Casa Branca. Ela contou que estava levando seu filho pequeno a uma plantação de abóboras, na quarta-feira da semana passada, quando recebeu uma ligação do presidente.
— Fiquei muito animada com essa ligação do presidente e, basicamente, em pouco tempo, viajei de avião na quinta-feira para me encontrar com ele na sexta-feira, quando aceitei o emprego — disse ela, acrescentando que, no dia seguinte, voltou de avião à Califórnia para arrumar todas as suas malas. — Eu estava em Washington apenas com uma bagagem de mão, hospedada em um hotel, e arrumei duas malas.
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A segunda-feira era um feriado federal, mas Trump pediu para ela comparecer ao escritório, então ela foi, disse. Na manhã seguinte, ela estava diante de uma sala cheia de jornalistas.
— Normalmente, Jack, as coletivas acontecem à tarde, às 13h, 13h30, quando o porta-voz tem bastante tempo — disse, referindo-se à preparação para responder às perguntas. — Acordei às 3h da manhã de terça-feira para me preparar com o que eu tinha.
Ela respondeu a perguntas por menos de seis minutos e de apenas três veículos de comunicação. Segundo Zacharia, isso aconteceu porque seu novo chefe tinha uma saída da Casa Branca programada para mais tarde naquela manhã, e ela imaginou que ele também gostaria de passar algum tempo com a imprensa.
— Era meu objetivo manter a coletiva curta, considerando que ele é seu próprio melhor porta-voz e que adoraria, e de fato adora, conversar informalmente com a imprensa enquanto caminha até o Marine One. Então, eu queria demonstrar a devida deferência e não invadir o tempo dele — explicou.
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A porta-voz demonstrou bom humor durante a entrevista com Posobiec, mas pareceu compreender que estava no centro de uma intensa tempestade midiática.
— Não estou acompanhando nada neste momento, exceto o que ele está fazendo e em que está concentrado, quais são as atividades do presidente, e tentando dar mais visibilidade a isso Não quero ver nada mais no X, no Instagram ou na televisão neste momento — disse, enquanto Posobiec sugeriu que o “Saturday Night Live” provavelmente faria uma sátira dela e perguntou por quem gostaria de ser interpretada. — Sei que isso está vindo, sim. Quem eu gostaria que me interpretasse? Talvez uma personagem no estilo de Scarlett Johansson.
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