Depois de atrair o público para os cinemas no final do ano passado, “Wicked”, a história não contada das bruxas de Oz — a Bruxa Boa do Norte, Glinda, e a Bruxa Má do Oeste, Elphaba — retorna para sua terceira temporada em São Paulo, no Teatro Renault, de 20 de março a 8 de junho. Para a alegria dos fãs, as protagonistas serão novamente interpretadas pelas atrizes Fabi Bang e Myra Ruiz, que deram vida à dupla nas duas temporadas anteriores, em 2016 e 2023, e dublaram as personagens na adaptação para as telonas.
Sucesso das primeiras montagens (em 2016 “Wicked” levou 340 mil pessoas ao teatro durante os oito meses em que esteve em cartaz e, em 2023, o público ultrapassou os 150 mil em apenas cinco meses), o espetáculo volta para o Teatro Renault, sua primeira casa, com cenários, figurinos e efeitos especiais atualizados, além de novo diretor, Ronny Dutra. Estreante na direção de musicais no Brasil, o profissional tem ampla trajetória internacional, inclusive na Broadway e com a história de Elphaba e Glinda.
— É uma honra muito grande voltar ao Brasil com o entendimento que eu tenho do que funciona lá (na Broadway) e ao mesmo tempo adicionar a nossa brasilidade a tudo isso, nossa ginga, nosso molejo e nossa energia. O brasileiro é muito quente e cheio de paixão, isso é muito bem visto no palco. É diferente em Nova York. — diz o diretor.
Ronny, no entanto, afirma que a nova montagem é inédita. Mesmo que a estreia no palco seja próxima dos lançamentos dos filmes — enquanto o primeiro chegou às telonas no final do ano passado e concorreu ao Oscar, o segundo deve estrear em novembro deste ano — e da temporada anterior, que ocorreu no Teatro Santander, o espetáculo deste ano será uma “nova visão” da história.
— Quando recebi o convite em junho, perguntei por que deveríamos fazer o espetáculo de novo e nesse momento. Uma das coisas que concluímos é que o mundo precisa de ‘Wicked’ independente do tempo, porque a história fala de um cenário político-social relevante. Fui atrás dos livros do ‘Mágico de Oz’ e entendi que Oz tem muita relação com nosso planeta. A gente fala da ideia do ditador, das fake news, de tudo que é atual. Ainda assim, existe uma interpretação contemporânea da obra, então tem muita coisa que nós fizemos no primeiro ato e que o filme fez também. Mas o segundo ato do filme ainda não saiu, o nosso virá primeiro. É muito legal ver alguém voar no filme, mas é mais legal ainda ver alguém voando no palco, por cima de você e ver isso mais de uma vez — brincou ele, ao soltar alguns ‘spoilers’ do que o público pode esperar.
O diretor ainda contou que foi convidado em setembro para assistir ao filme, dirigido por Jon M. Chu, mas recusou a proposta. Segundo ele, a ideia era consolidar a montagem brasileira, apresentá-la a Stephen Schwartz (compositor das canções de “Wicked” e seu amigo pessoal), para depois prestigiar o longa. O que funcionou, diga-se.
O espetáculo, baseado no romance de Gregory Maguire, é um prelúdio da conhecida história de Dorothy e do Mágico de Oz. Em “Wicked”, o público é apresentado para a amizade improvável de Glinda e de Elphaba, quando as duas jovens entram na universidade e descobrem a realidade por trás do Mágico de Oz.
Segundo Carlos Cavalcanti, presidente do Instituto Artium de Cultura, responsável pela produção desde 2023, a nova montagem custou cerca de R$ 19 milhões (desses, R$ 9 milhões são frutos unicamente de patrocínio). Ainda de acordo com ele, desde dezembro, quando a venda de ingressos teve início, já foram vendidas 80 mil entradas para os três meses em que estará em cartaz. Na temporada anterior, foram vendidos 40 mil ingressos antecipados.
Para a nova adaptação, o corpo do elenco foi mantido nas atrizes Myra Ruiz e Fabi Bang, ambas com ampla trajetória no teatro musical brasileiro. Desse modo, segundo o diretor e os produtores, a parte nova do elenco, que inclui Arízio Magalhães (Dr. Dillamond), Hipólyto (Fiyero), Karin Hils (Madame Morrible), Baccic (Mágico de Oz) e Luisa Bresser (Nessarose), foi escolhida a dedo para acompanhar as damas dos palcos.
Com o sucesso do primeiro filme e com a indicação de Cynthia Erivo para o Oscar de Melhor Atriz, como Elphaba, Myra Ruiz, que dá vida à mesma personagem no palco, diz sentir-se inspirada pelo longa para essa nova montagem.
— Eu não me sinto pressionada. Acho que vocalmente até trouxe algumas escolhas pequenas que ela (Cynthia Erivo) também fez e que ficaram comigo. ‘Todo Bem Tem Seu Preço’ (‘No Good Deed’), por exemplo, está arrebatadora, é o momento que espero todas as noites. Então, eu não vejo a hora dos fãs conhecerem o espetáculo — contou a atriz.
Para não seguir com a mesma interpretação das temporadas anteriores e criar uma nova protagonista, Myra conta que tenta se apoiar ao máximo na relação com os novos integrantes de “Wicked”.
— Eu tento me manter muito viva no dia a dia e ter uma boa troca com os meus colegas. A Marble, o Mágico e Fiyero são vividos por atores diferentes das outras temporadas, então tento criar minha nova Elphaba por essa conexão com eles — diz ela.
Já Fabi Bang, que dá vida à carismática aspirante a bruxa, Glinda (vivida por Ariana Grande no cinema), acredita que a trama nunca perde sua popularidade, principalmente entre os fãs brasileiros.
— ‘Wicked’ nunca perde a magia, porque tem sempre um novo desafio, uma nova plateia e atores em cena que dão o jogo de cintura no dia, é sempre um novo jogo. Eu adoro cantar e divertir as pessoas, então o número de ‘Popular’ é um prato cheio para que eu possa explorar tudo o que eu mais gosto de fazer, apesar de extremamente desafiador — diz a atriz.
“Wicked” está em cartaz no Teatro Renault (Avenida Brigadeiro Luís Antônio, 411, Bela Vista). Quarta a sexta às 20h; sábado e domingo às 15h e às 19h30. Os ingressos custam entre R$ 21,18 e R$ 400 e estão à venda no site da Tickets For Fun e na bilheteria do teatro. Seguirá em cartaz até 08 de junho.

