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O que é a ‘hanganxiety’? Neuropsiquiatra explica como o cérebro reage depois de consumir álcool

Por · setembro 22, 2026
O que é a ‘hanganxiety’? Neuropsiquiatra explica como o cérebro reage depois de consumir álcool


Depois de uma noite de consumo de álcool, algumas pessoas podem acordar com ansiedade, palpitações, inquietação, pensamentos repetitivos ou a sensação de que algo ruim pode acontecer.
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Essa experiência é conhecida como “hanganxiety”. O Dr. Edilberto Peña, neuropsiquiatra, explica que esses sintomas podem surgir quando o efeito sedativo do álcool diminui e o organismo passa por diferentes mudanças nas horas seguintes ao consumo.
O que é “hanganxiety”
A palavra “hanganxiety” surgiu da combinação dos termos em inglês “hangover” — ressaca — e “anxiety” — ansiedade. Não corresponde a um diagnóstico psiquiátrico, mas é utilizada de maneira coloquial para descrever a ansiedade que algumas pessoas sentem durante uma ressaca.
Por que a ansiedade aparece depois de beber álcool?
O Dr. Edilberto Peña explica que o álcool atua como um depressor do sistema nervoso central. Durante o consumo, ele potencializa, entre outros mecanismos, a atividade inibitória relacionada ao GABA e modifica sistemas excitatórios, como o glutamato.
Diante desses efeitos, o cérebro tenta manter o equilíbrio e se adapta à inibição provocada pelo álcool. No entanto, essa resposta pode persistir mesmo quando o organismo começa a eliminar a substância.
– Quando o álcool desaparece do organismo, o efeito sedativo diminui, mas essa compensação cerebral não necessariamente é interrompida ao mesmo tempo –explica.
Segundo o neuropsiquiatra, essa resposta pode provocar uma espécie de efeito rebote, levando à hiperativação. Entre as manifestações estão inquietação, maior sensibilidade ao estresse, dificuldade para dormir, taquicardia e ansiedade.
Às mudanças que ocorrem no cérebro somam-se outros efeitos associados à ressaca, como sono fragmentado e pouco reparador, desidratação, alterações metabólicas, inflamação, aumento da resposta ao estresse e mal-estar relacionado aos metabólitos do álcool.
Esses fatores ajudam a explicar por que uma sensação que pode ser percebida como ansiedade, mesmo sem uma causa evidente, também pode ter componentes biológicos relacionados ao consumo de álcool.
As falhas de memória podem aumentar a preocupação
A “hanganxiety” não depende apenas das respostas físicas do organismo. Depois de uma noite de consumo de álcool, podem surgir dúvidas sobre o que aconteceu, como se perguntar o que foi dito, para quem foi enviada alguma mensagem ou o que ocorreu em determinados momentos.
A incerteza e as falhas de memória podem favorecer a ruminação, ou seja, pensamentos repetitivos sobre o que aconteceu, e contribuir para aumentar a preocupação durante a ressaca.
A “hanganxiety” não afeta todas as pessoas da mesma forma
De acordo com Peña, a intensidade da “hanganxiety” pode variar entre as pessoas e ser maior quando existe uma maior vulnerabilidade à ansiedade. A quantidade de álcool consumida também é um fator relevante.
De modo geral, uma maior exposição ao álcool e uma intoxicação mais intensa podem provocar maiores alterações no sono, desidratação, mudanças neuroquímicas e sintomas de ressaca no dia seguinte.
O Dr. Edilberto Peña afirma que, se a ansiedade surgiu depois de beber e faz parte de uma ressaca, ela pode diminuir à medida que o organismo se recupera. Dormir, manter-se hidratado e alimentar-se adequadamente podem contribuir para esse processo.
Ele também recomenda evitar continuar consumindo álcool com a intenção de aliviar os sintomas e reduzir temporariamente o consumo de outros estimulantes. Da mesma forma, orienta evitar decisões importantes enquanto o mal-estar persistir.
O neuropsiquiatra alerta que não se deve tentar tratar automaticamente a ressaca com medicamentos. A automedicação com ansiolíticos, sedativos ou hipnóticos depois de beber pode ser perigosa, especialmente se ainda houver álcool no organismo.

O que é a ‘hanganxiety’? Neuropsiquiatra explica como o cérebro reage depois de consumir álcool