O Papa Leão XIV exaltou o mate, uma das bebidas mais populares do Uruguai e da Argentina, como símbolo de “amizade e encontro” durante uma missa celebrada neste sábado em Paysandú, no Uruguai. A passagem pelo país integra uma agenda que se estende de 6 a 17 de novembro e inclui cidades no Uruguai, na Argentina e no Peru. Ao longo do roteiro, Leão XIV tem previstos 36 discursos e 14 voos, apenas um mês depois de ter passado por uma cirurgia para a retirada de um tumor maligno no pulmão.
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— O mate nos ensina a compartilhar e a estar juntos, a fortalecer os laços que nos unem — disse o Papa. — É um sinal de integração, de acolhimento e de valores compartilhados. Até Roma já recebeu mate!
O pontífice apelou à “construção de pontes, ao fortalecimento de laços, à união, à comunicação” e à transmissão da fé “às gerações futuras com coragem criativa”, diante de uma multidão que as autoridades estimaram em 40.000 pessoas.
Neste sábado, o Pontífice cumpre o dia mais movimentado de sua visita ao Uruguai. Depois da missa em Paysandú, ele visitará um bairro pobre nos arredores de Montevidéu , onde se reunirá com representantes do setor educacional na Universidade Católica do Uruguai e participará de uma vigília de oração com jovens no Estádio Centenário.
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Também no sábado, o Papa visitará Casavalle, bairro de Montevidéu onde sua chegada é aguardada com expectativa por católicos e evangélicos. Uma das áreas mais pobres e perigosas do Uruguai, a região é marcada pelo consumo problemático de drogas e pela violência desencadeada pela rivalidade entre gangues ligadas ao narcotráfico. Para as duas comunidades religiosas, a visita é uma “oportunidade tremenda” para esse “canto esquecido do mundo”.
No domingo, o Papa presidirá uma missa no Santuário da Virgem dos Trinta e Três, na cidade de Florida.
Agenda cheia
Milhões de fiéis são esperados nos próximos dias para ver o Pontífice, que combinará compromissos pastorais com discursos a líderes. Embora ainda continue em recuperação, segundo o Vaticano, o Papa liderará mais de 50 atos, que vão desde missas ao ar livre até reuniões com povos indígenas da Amazônia, vítimas de abusos clericais ou pessoas idosas.
— Estou muito feliz por estar aqui — disse Leão XIV a repórteres a bordo de seu avião antes de pousar em Montevidéu. — Sei que algumas pessoas duvidaram que esta viagem aconteceria. Eu não tinha dúvidas e estava convencido de que esta viagem tinha que prosseguir.
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Depois do Uruguai, o Pontífice viajará para a Argentina, país natal de seu antecessor, o Papa Francisco, que decepcionou muitos argentinos ao não retornar ao país durante seu pontificado.
As autoridades argentinas esperam que sete milhões de peregrinos acompanhem as atividades de Leão. Na tarde de domingo, o Papa chegará a Buenos Aires, onde se reunirá com Milei, presidente de direita e de orientação libertária que manteve uma relação tensa com Francisco. Também estão previstos encontros com autoridades, representantes da sociedade civil e integrantes do corpo diplomático.
Embora os contatos entre Milei e Leão tenham sido menos turbulentos, líderes locais da Igreja têm se mostrado muito críticos em relação ao custo humano das medidas adotadas pelo presidente para reativar a debilitada economia argentina. As políticas deixaram milhões de cidadãos em situação de vulnerabilidade e à beira da subsistência.
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Na segunda-feira, o Pontífice cumprirá uma série de compromissos na capital argentina, incluindo uma missa no Monumento aos Espanhóis e um encontro com líderes de comunidades cristãs e de outras tradições religiosas no Palácio San Martín.
Entre terça e quarta-feira, Leão XIV celebrará missas, participará de uma vigília e se reunirá com jovens e religiosos nas cidades de Córdoba, Buenos Aires e Luján.
De volta para casa
A viagem pela América do Sul será encerrada com um retorno carregado de simbolismo ao Peru, país que Leão considera seu lar e onde terá uma agenda movimentada durante seis dias.
— Sei que ele espera com muita ansiedade seu retorno ao Peru. É algo que lhe importa muito no plano pessoal (…) ele esteve muito decidido a ir — disse à AFP a especialista americana em Vaticano Elise Ann Allen, autora de uma biografia do Papa.
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Antes de se tornar Leão XIV, Robert Francis Prevost serviu durante quase duas décadas no país andino, inclusive como bispo da cidade costeira de Chiclayo, entre 2015 e 2023.
Ao chegar a Lima, no final da tarde de quarta-feira, o primeiro Pontífice nascido nos Estados Unidos e naturalizado peruano se reunirá com a presidente peruana de direita, Keiko Fujimori, filha do falecido ex-presidente Alberto Fujimori, condenado por corrupção e crimes contra a humanidade. Ela reivindica o legado do pai.
Na quinta-feira, o Papa se reunirá com autoridades e bispos do Peru, fará a oração do meio da manhã na Catedral de Lima e visitará dois estádios na capital. Na sexta, viajará para Chiclayo, onde celebrará uma missa em Pampas de Pimentel, uma planície desértica próxima ao oceano Pacífico.
No sábado, Leão passará pelas cidades de Santa Cruz de Succhabamba e Zaña, onde celebrará uma missa e participará de um encontro de oração. No domingo, visitará Cusco, a antiga capital inca, e Pucallpa, cidade localizada na floresta amazônica.
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A passagem por Cusco, a 3.400 metros de altitude, será breve — menos de três horas —, mas deverá atrair grande atenção, em meio a questionamentos sobre se o Pontífice subestimou os riscos relacionados ao câncer ou se superou a doença com aparente facilidade.
Na segunda-feira, ele encerrará a visita com os últimos compromissos em Callao e na capital peruana.
— Se o Papa conseguir levar adiante esta viagem, isso reforçará a imagem que grande parte do mundo teve de Leão desde sua eleição: a de um Papa jovial, forte e vigoroso — ressaltou White.
Com AFP.
