A Paramount Skydance concluiu nesta terça-feira a aquisição da Warner Bros., por US$ 110 bilhões, concretizando uma das maiores fusões da história do setor de mídia, após travar uma acirrada disputa pelo controle da empresa com a Netflix e enfrentar processos judiciais antitruste.
A nova companhia, que se chamará Skydance, reúne dois dos cinco maiores estúdios cinematográficos de Hollywood, unindo grandes franquias, como Harry Potter e Missão: Impossível. A empresa passará a abrigar dezenas de canais de televisão, da CBS à TNT, além de dois importantes serviços de streaming por assinatura, Paramount+ e HBO Max.
David Ellison, que concluiu apenas em agosto de 2025 a fusão de sua produtora cinematográfica Skydance Media com a Paramount, continuou a ampliar sua influência no setor de mídia e se tornou um dos magnatas mais poderosos de Hollywood.
Ainda assim, trouxe Ynon Kreiz, da Mattel, para compartilhar o comando da Skydance como co-diretor-presidente. Kreiz ficará responsável pela gestão das operações do dia a dia, enquanto Ellison manterá o comando da visão criativa e estratégica de longo prazo e cuidará do relacionamento com os talentos da indústria.
“Hoje é um dia histórico, não apenas para a Skydance, mas para todo o nosso setor”, afirmou Ellison em comunicado.
David Ellison assume como co-CEO da nova Skydance
Kyle Grillot/Bloomberg
Depois de concretizar duas megafusões envolvendo empresas centenárias de Hollywood em pouco mais de um ano, Ellison agora enfrenta o desafio significativo de fazer tudo funcionar. Isso significa eliminar negócios e postos de trabalho sobrepostos sem provocar a revolta de Hollywood, que já atravessa uma fase de retração e se opôs à consolidação desde o início.
A Skydance também terá de administrar quase US$ 80 bilhões em dívidas, ao mesmo tempo em que seguirá um calendário rigoroso de lançamentos cinematográficos, conforme estipulado pelo acordo firmado para encerrar os processos judiciais.
O caminho até a conclusão da fusão foi frequentemente turbulento e, em alguns momentos, pareceu que o negócio poderia fracassar. Mas Ellison estava determinado a ter sucesso e considerava a transação essencial para que a empresa pudesse competir com gigantes como Netflix, Walt Disney, Amazon e Apple.
— Eles estão começando de uma posição excelente— disse Michael J. Wolf, CEO da Activate Strategy, em entrevista à Bloomberg TV. — A lógica faz sentido. A escala os coloca na posição certa. Agora, eles precisam entregar resultados à altura dessa escala.
Grande parte do temor decorre do compromisso assumido pela Paramount de obter mais de US$ 6 bilhões em sinergias anuais nos três primeiros anos após a conclusão da fusão. Gerry Cardinale, fundador e sócio-gerente da RedBird Capital Partners, uma das investidoras da Paramount, afirmou que existem outras maneiras de cortar custos e operar com mais eficiência que não simplesmente reduzir o quadro de funcionários.
Uma empresa não gastaria bilhões de dólares por ano produzindo filmes “e concluiria que toda a premissa de seu plano de negócios é demitir todo mundo em Hollywood”, disse Cardinale na conferência Bloomberg Screentime, realizada em Los Angeles na semana passada:
—É justamente o contrário.
A RedBird contribuiu com US$ 4 bilhões em novos recursos de capital para a operação, segundo uma pessoa familiarizada com o investimento. O novo aporte eleva para US$ 6 bilhões a contribuição total da RedBird para a Skydance, afirmou a fonte, que pediu para não ser identificada.
Em comunicado, a Skydance afirmou que as economias virão principalmente da integração de áreas de tecnologia e outras operações, como a negociação de contratos com fornecedores e a redução de despesas de marketing que se sobrepõem, além da consolidação de imóveis. Isso tornará a empresa “mais enxuta e mais ágil” e permitirá reduzir sua dívida para o equivalente a três vezes o lucro anual ajustado até o fim de 2029. A nova companhia espera gerar mais de US$ 10 bilhões em fluxo de caixa livre até 2030.
A dívida da Skydance, no entanto, continuará pesando sobre a empresa. Seus gastos com juros são agora muito maiores do que seriam caso tivesse emitido dívida apenas alguns meses antes, já que as preocupações com a inflação elevaram os custos globais de financiamento. A Paramount vendeu US$ 52 bilhões em empréstimos e títulos de dívida em apenas uma semana, um prazo apertado para qualquer operação de endividamento e especialmente desafiador no caso de uma das maiores captações de recursos da história recente.
Paramount conclui fusão com a Warner em acordo histórico em Hollywood
