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Personagem ou ajuda tecnológica? Diretores debatem uso do vídeo em espetáculos teatrais

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agosto 30, 2025
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Em ‘Terminal’, uma peça é ensaiada dentro da peça, e a plateia acompanha o resultado na tela — Foto: Divulgação/Nil Caniné

Há uma peça dentro de outra em “Terminal”, espetáculo de Gustavo Vaz em cartaz até 14 de setembro no Teatro Firjan Sesi, no Centro do Rio. Na trama, um casal de atores em processo de separação está às voltas com um ensaio onde ela é a mãe e ele é o filho. Além da visão naturalmente oferecida pelo palco tradicional, a plateia é presenteada com outra perspectiva: um vídeo, que transmite em tempo real aquele ensaio. O recurso empregado pelo diretor Cesar Augusto tem sido visto com alguma frequência na produção teatral brasileira.

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No caso de “Terminal”, a manipulação de uma câmera por parte dos atores já estava prevista no texto de Vaz, que atua ao lado de Kelzy Ecard. Cesar Augusto ressalta que o vídeo enriquece a cena na medida em que traz mais uma visão narrativa do que está acontecendo dentro do palco, “com escolhas específicas”.

— O vídeo projetado é feito ao vivo. A câmera participa do espetáculo como um espectador. Um ponto de vista para o público ver como a peça está sendo ensaiada. É um ponto de vista subjetivo, e o espectador é capaz de ver quase como se fosse cinema — explica o diretor.

Em ‘Terminal’, uma peça é ensaiada dentro da peça, e a plateia acompanha o resultado na tela — Foto: Divulgação/Nil Caniné

Em “República Lee — Um musical ao som de rita”, que fica no Teatro dos Quatro, no Shopping da Gávea, até 10 de setembro, o recurso do vídeo surge como suporte em outra metalinguagem. Ambientada na São Paulo dos anos 1960, a peça conta a história de cinco jovens moradores de uma república que estão engajados em produzir, dentro do apartamento, um curta-metragem de ficção científica.

— A interação com o vídeo acontece justamente nessa tentativa de mostrar os processos de gravação desse curta de ficção científica, usando efeitos práticos — comenta Tauã Delmiro, diretor do musical. — No final do primeiro ato, apresentamos esse filme, misturando cenas pré-gravadas com cenas feitas ao vivo, editadas em tempo real, e assim criamos um curta de ficção científica dentro da peça.

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Quando o teatro recorre ao vídeo, se torna, então, um produto audiovisual? O diretor e dramaturgo Luiz Filipe Reis, cabeça por trás de “Eddy — Violência & metamorfose”, garante que não. Isso porque audiovisual, explica Reis, o teatro sempre foi “e sempre será”.

— O teatro grego é a somatória do espaço da visão, que é o theatron, com o espaço da audição, que é o audithorium. A gente chama o cinema de audiovisual, mas o teatro é uma arte audiovisual, desde sempre e sempre será. Sempre vai lidar com os equipamentos, com as tecnologias, com essas extensões humanas — afirma Luiz Filipe Reis.

Com João Côrtes, Julia Lund e Igor Fortunato no elenco, “Eddy” é a primeira adaptação da obra do escritor francês Édouard Louis para o teatro brasileiro, numa dramaturgia construída a partir dos livros “O fim de Eddy”, “História da violência” e “Mudar: método”. As últimas sessões acontecem neste sábado (30), às 20h, e domingo (31) às 19h, no Teatro Poeira, em Botafogo:

— A gente usa diferentes registros. Tem um momento que é uma espécie de documentário, que a gente usa uma câmera mais de cinema, a peça vira uma espécie de documentário da vida do Édouard, um fragmento da vida dele. Em outros momentos, a gente usa um celular. Júlia Lund, que faz a irmã dele, usa o celular como uma espécie de extensão do olhar dela, para se aproximar mais dos elementos da cena, para tentar identificar alguma coisa no relato do irmão.

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Depois de uma temporada de sucesso em São Paulo, “Mary Stuart”, que tem direção de Nelson Baskerville, estreou na quinta (28) na Caixa Cultural, no Centro, onde fica até 21 de setembro. A peça gira em torno das últimas 24 horas da vida de Mary Stuart (Virginia Cavendish), presa por 18 anos a mando da prima e rainha Elizabeth I (Ana Cecília Costa). Baskerville usa as câmeras para mostrar como a protagonista estaria vigiada o tempo todo. Ele faz um adendo sobre o recurso:

— O vídeo nunca pode disputar com o que está acontecendo em cena, né? Mas uso muito nos meus espetáculos com a ideia de que ele complemente e aprofunde a relação daquilo que está acontecendo no palco.

Delmiro, de “República Lee”, segue a mesma linha.

— Acho interessante quando o vídeo é utilizado para somar à dramaturgia do espetáculo, quando ele se torna mais um personagem e não apenas um plano de fundo, algo meramente decorativo — afirma.

Cesar Augusto, de “Terminal”, corrobora:

— Esse lugar multimídia é muito interessante e amplia o ponto de vista do espectador. Não acho que deve ser usado sempre como um recurso ilustrativo, deve estar em domínio da encenação, em função de ajudar a narrativa do espetáculo. Acho superimportante. É mais uma ferramenta dentro da gramática teatral.

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