O sound healing, ou terapia do som, oferece uma experiência sensorial que vai além da simples música. Imagine deitar-se confortavelmente, fechar os olhos e sentir o corpo sendo envolvido por ondas sonoras vindas de gongos, taças tibetanas, tambores xamânicos e sinos. É uma sensação intensa, relaxante e transformadora, na qual o participante se desconecta do mundo exterior e mergulha em si mesmo, acessando emoções, memórias e sensações que muitas vezes estavam escondidas. A técnica utiliza frequências sonoras para estimular o relaxamento, o equilíbrio emocional e o bem-estar integral, proporcionando uma experiência que combina corpo, mente e espírito.
— Embora não esteja com esse nome, o sound healing está enquadrado entre as práticas integrativas e complementares do Sistema Único de Saúde. Essa terapia é uma chave, porque o som tem ressonância e promove a harmonização dos corpos pelos chacras. É o som que abre a porta da autocura da alma, permitindo que a cura se desencadeie porque são abertos portais internos que geram experiências de meditação e acesso a memórias antigas ou lugares internos que nunca se tinha acessado — explica Cláudio Gama, antropólogo, músico e terapeuta de sound healing no Espaço Meditamantra, no Horto (@meditamantra).
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O sound healing se baseia na aplicação de sons e vibrações sobre o corpo humano, que é composto em grande parte por água, permitindo que as ondas sonoras sejam absorvidas e propagadas de maneira única. É comum que os praticantes deitem-se diante dos instrumentos enquanto o terapeuta toca, buscando harmonia entre o que é emitido e o que é recebido. Entre os instrumentos mais utilizados estão flauta pan, harpa, tampura, taças e tigelas tibetanas, kalimba, handpan, tambor Lakota, diapasões, tambor oceânico e gongo chinês. Cada som é pensado para gerar efeitos específicos, seja reduzindo o diálogo interno, ativando memórias ou proporcionando sensações profundas de prazer e leveza.
Para Victor Chateaubriand, facilitador da prática desde 2019 e dono do estúdio Somtuário (@somtuario), na Gávea, o sound healing é uma forma de meditação que desperta curiosidade, diversão e inspiração, ao contrário da ideia tradicional de que meditar é algo rígido e sério.
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Ele descobriu a técnica em Nova York, em 2017, em um período de burnout, quando buscava algo que lhe trouxesse paz. Foi em uma sessão de três horas de sound healing que conseguiu meditar de fato pela primeira vez e se apaixonou pela experiência sem nem saber exatamente o que estava acontecendo. Depois desse contato, passou a estudar e praticar intensamente.
Ao voltar ao Brasil, em 2019, trouxe seus instrumentos e começou a oferecer sessões no próprio apartamento. Durante a pandemia, praticar sound healing com sua família foi seu verdadeiro aprendizado como terapeuta, pois ele entendeu como apoiar pessoas em momentos desafiadores e tornar a prática um serviço genuíno.
— Estudei como cada instrumento afeta as ondas cerebrais e emoções dos participantes. Alguns deles reduzem as conversas internas e pensamentos, enquanto outros ativam partes do cérebro ligadas a emoções, memórias e sensações. A sequência dos instrumentos é intencional, ajudando as pessoas a sentirem profundamente e depois voltarem para o momento presente — explica.
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As sessões oferecem benefícios que vão muito além do relaxamento. Elas ajudam a reduzir estresse, ansiedade, tensão muscular e pressão arterial, promovem equilíbrio emocional, melhoram a qualidade do sono e podem até ativar estados inconscientes que auxiliam terapias psicológicas. Victor Chateuabriand explica que, embora o som seja o estímulo principal, é a prática meditativa que gera os efeitos terapêuticos profundos. A desconexão de aparelhos digitais durante a sessão permite que a pessoa se conecte consigo mesma, explore emoções reprimidas e desenvolva confiança e curiosidade sobre seu próprio mundo interior.
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— Li a biografia de Nikola Tesla, e uma frase dele me marcou: “Se você quiser descobrir os segredos do universo, pense em termos de energia, frequência e vibração”. Mesmo sendo surda desde os 6 anos, nunca vivi em silêncio: convivo com um zumbido constante. Meditar só com ele era difícil, até conhecer o Somtuário. Tenho dois implantes cocleares e, nas sessões em sala à prova de som, escuto cada instrumento e sinto as vibrações de forma intensa. É um bem-estar indescritível. Você não volta igual depois de um banho sonoro — destaca Paula Pfeifer.
Cada experiência de sound healing é única. Claudio Gama diz que em uma sessão coletiva, mesmo que todos recebam o som ao mesmo tempo, cada participante vivencia algo diferente. O sound healing atua no equilíbrio do corpo, na harmonização dos chacras e na limpeza dos canais de energia. Ele explica que é uma prática intuitiva que promove a internalização de emoções, a cura e o relaxamento profundo, que se estende pelos dias seguintes. Segundo Gama, o som penetra nas células, nos ossos e na aura, reorganizando energias e proporcionando bem-estar duradouro.
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Para Carol Legally (@carollegally), terapeuta que conduz sessões há dois anos, cada encontro é uma verdadeira jornada sonora. Ela prefere grupos pequenos, de até dez pessoas, para poder dar atenção individual a cada participante. Durante o atendimento, Carols utiliza diversos instrumentos, incluindo gongos, taças, tambores xamânicos, tubos sonoros e sinos tibetanos, sempre procurando trabalhar memórias antigas, emoções retidas e situações não digeridas. A terapeuta também é DJ, e a experiência é complementada com sets e playlists pensados especialmente para o momento do atendimento. As sessões têm duração de 50 minutos a uma hora e 20 minutos e são realizadas em diversos espaços pela Zona Sul.
— Gosto de dizer que faço uma jornada sonora. O sound healing surgiu para mim como parte do meu desenvolvimento espitirual e fez sentido pela conexão que tenho com o som. Virou uma ferramente de autoconhecimento e transformação — diz Carol.
As sessões podem ser combinadas com outras práticas, como ioga, respiração consciente ou meditação guiada, ampliando os benefícios de relaxamento, autoconhecimento e equilíbrio emocional. A terapia pode ser feita em grupo ou individualmente. Os valores, em média, são a partir de R$ 125.
— É uma prática que promove autoconsciência, harmonização de energia, desbloqueio de emoções e conexão com a própria essência. Para quem busca uma alternativa aos métodos convencionais de relaxamento, o sound healing oferece um caminho envolvente e profundo, mostrando que o som pode ser muito mais do que entretenimento, ele é uma ferramenta de cura, autoconhecimento e equilíbrio integral —afirma Gama.
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*Esta matéria integra o especial Saúde publicado em 30/08 no GLOBO-Zona Sul