É claro que você pode ser vaidosa, mas não seja burra. Estude, pense e construa uma vida em que a sua principal moeda social não seja sua aparência. Ter diploma faz bem para a pele.” De saia pregueada cor-de-rosa e cropped branco, as irmãs baianas Hyla Natiely, de 22 anos, e Cah Fernandes, de 26, mandam recados como esse no perfil do Instagram Seja Pink Pill. Criada há cinco meses, a página já soma 280 mil seguidores. Elas criam esquetes de humor, repletos de ironia em oposição à misoginia do movimento red pill, cartilha seguida pela chamada machosfera, comunidades on-line que combatem a igualdade de gênero. “Há um discurso jovem reacionário em ascensão, e é necessário existir uma oposição”, diz Cah, que é psicóloga. Entre os seguidores, estão nomes como Fernanda Lima e Déia Freitas, do podcast “Não inviabilize”.
As irmãs Cah Fernandes e Hyla Natiely
Dylan Gayer
Doutora em Ciências da Comunicação, a professora e pesquisadora da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) Monique Van’dressen destaca abordagem de temas sérios: “Elas vão com a faca no coração e torcem. Ocupam o espaço com representatividade e sátira, engajando novas gerações”.
Seguidas predominantemente por mulheres de todas as idades, e adolescentes no TikTok, as irmãs dizem ter ressignificado o rosa para novas gerações. “Associamos a cor a coisas afiadas. Algumas meninas nos escrevem contando que passaram a gostar”, conta Hyla, estudante de Administração. “É uma estética que funciona conosco por sermos negras e nordestinas. Não somos Barbie”, frisa Cah. Vídeos como o “Não seja burra”, em que alertam para o perigo de embarcar na onda das tradwife (esposa tradicional), já alcançaram um milhão e meio de visualizações. “Também passamos a criar encontros presenciais em Salvador”, diz Cah. Elas também se preparam para lançar um drop com cropped e ecobags para vender on-line.
'Pink pill': conheça as irmãs que combatem a misoginia com esquetes de humor ácido
