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setembro 29, 2026
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Prefeito de Nova York anuncia plano para combater o antissemitismo, evitando citar Israel

Por · setembro 29, 2026
Prefeito de Nova York estuda prender primeiro ministro de Israel caso premiê visite a cidade


Após meses de tensão com alguns líderes judeus em Nova York, o prefeito Zohran Mamdani divulgou nesta terça-feira um relatório sobre antissemitismo na cidade, apresentando maneiras de combater crimes de ódio contra judeus, evitando qualquer discussão politicamente delicada sobre Israel. Ao longo das 35 páginas do relatório , a administração de Mamdani detalha como pretende combater o antissemitismo, inclusive com dezenas de milhões de dólares já alocados para a prevenção de crimes de ódio, bem como programas para continuar celebrando as tradições judaicas.
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Mamdani, crítico de longa data de Israel, tem se manifestado menos sobre o assunto nas últimas semanas, após reconhecer, em um vídeo amplamente divulgado em julho, que não tinha autoridade para prender o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, como havia prometido. Em agosto, um grupo de rabinos implorou ao prefeito que prestasse mais atenção aos efeitos que suas críticas poderiam ter sobre a cidade, que abriga a maior população judaica fora de Israel e onde as preocupações com o antissemitismo permanecem elevadas.
A omissão, no relatório, de qualquer discussão sobre o conflito israelo-palestino reflete a natureza sensível e tensa da política em torno do tema. Líderes judeus proeminentes afirmam que a crescente oposição a Israel e à guerra em Gaza, por vezes, transbordou para retórica antissemita. Os defensores da causa palestina, incluindo alguns grupos judaicos progressistas, argumentam que deveriam ter a liberdade de criticar a conduta de Israel sem serem acusados ​​de antissemitismo.
O relatório recomenda a continuidade e a expansão de muitas políticas municipais já existentes, como o ensino sobre o Holocausto para alunos da rede pública e o oferecimento de treinamento para funcionários da prefeitura sobre “a compreensão das experiências judaicas”.
Há também novas ideias, ainda que modestas, incluindo destacar as contribuições dos judeus nova-iorquinos nos milhares de quiosques que fornecem cobertura Wi-Fi nas ruas da cidade, e uma promessa de exigir mais apoio federal para centros educacionais e museus sobre o Holocausto na cidade.
O relatório surge num momento de particular importância para os judeus em todo o mundo, que celebram as Grandes Festas em meio a crescentes temores de violência antissemita.
A prefeitura divulgou o relatório menos de uma semana depois de Netanyahu ter chamado Mamdani de antissemita ao discursar para uma plateia global nas Nações Unidas. Mamdani afirmou que Netanyahu, que enfrenta a reeleição no próximo mês, “usou seu discurso para repetir mentiras infundadas com o objetivo de encobrir o genocídio de palestinos”.
Uma comissão independente das Nações Unidas, bem como alguns grupos internacionais e israelenses de direitos humanos, também acusaram Israel de cometer genocídio em Gaza. Netanyahu e seu governo negaram veementemente as acusações, assim como alguns acadêmicos independentes.
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Durante uma reunião realizada por videoconferência na noite de segunda-feira, vários representantes eleitos pressionaram membros da equipe do Gabinete do Prefeito para o Combate ao Antissemitismo, responsável pela elaboração do relatório, sobre a omissão da controvérsia em torno de Israel, destacando a posição do prefeito sobre o assunto.
Michael Novakhov, deputado estadual republicano, disse a Phylisa Wisdom, chefe do gabinete, que “a principal fonte de antissemitismo em nossa cidade no momento é o prefeito Mamdani”, segundo uma gravação da ligação obtida pelo New York Times.
Wisdom afirmou na entrevista coletiva que todos os judeus nova-iorquinos mereciam proteção, incluindo aqueles “que discordam do prefeito em todo tipo de assunto e com quem o prefeito também pode discordar”.
Novakhov, cujo distrito inclui diversas áreas predominantemente judaicas do Brooklyn, salientou que Mamdani havia repetidamente chamado Netanyahu de criminoso de guerra. O prefeito pediu a prisão de Netanyahu; o primeiro-ministro foi acusado de crimes de guerra em 2024 pelo Tribunal Penal Internacional, que emitiu um mandado de prisão contra ele. Ele nega as acusações.
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Durante a ligação, Jeffrey Dinowitz, deputado estadual democrata do Bronx, chamou a atenção para o uso do termo “genocídio” pelo prefeito para se referir ao tratamento dado por Israel aos palestinos, afirmando que essa linguagem “de certa forma dá permissão para que algumas pessoas se envolvam em ações antissemitas”. O termo não é usado no relatório, mas é um termo que o prefeito utiliza frequentemente, inclusive durante uma entrevista na manhã desta terça-feira na WNYC.
O relatório destaca o aumento dos recursos que Mamdani destinou à prevenção de crimes de ódio — US$ 29 milhões (R$ 150 milhões) anuais, em comparação com os US$ 3 milhões (R$ 15 milhões) anteriores — e o relançamento, por sua administração, de um grupo de trabalho para apoiar a segurança de sinagogas e outros centros culturais judaicos.
— Por gerações, os judeus nova-iorquinos têm sustentado nossa cidade — disse Mamdani em um vídeo de dois minutos e meio que acompanha a reportagem, enumerando as realizações de judeus famosos e instituições judaicas, como o compositor Leonard Bernstein e a Katz’s Delicatessen em — Hoje, temos a responsabilidade de apoiar e proteger nossos vizinhos judeus, uma responsabilidade que pertence a cada um de nós.
Amy Spitalnick, diretora executiva do Conselho Judaico para Assuntos Públicos, elogiou o relatório por delinear políticas que dependem de uma série de agências governamentais, mas questionou o que considerou uma descrição limitada do antissemitismo.
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A introdução a uma seção intitulada “Estatísticas e pesquisas sobre antissemitismo” observa que os judeus americanos relataram um aumento significativo do antissemitismo na última década, citando a marcha de nacionalistas brancos em Charlottesville, Virgínia, em 2017, e o massacre na sinagoga Tree of Life em Pittsburgh, em 2018, perpetrado por um homem ativo em comunidades on-line extremistas de extrema direita. A seção também observa que o antissemitismo e os atos de violência antissemita só aumentaram nos últimos anos. Não há menção a atos motivados por sentimentos anti-Israel desde o início da guerra em Gaza.
— Obviamente, existe uma ameaça muito real de antissemitismo de direita — disse Spitalnick. — O relatório também deve reconhecer que, nos últimos anos, temos visto um aumento da violência contra judeus sob o pretexto de protestar contra Israel.
Os crimes de ódio contra judeus e muçulmanos aumentaram na cidade de Nova York após o ataque mortal liderado pelo Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023, ao qual Israel respondeu com uma campanha de bombardeios em Gaza, responsável por mais de 70 mil mortes de palestinos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, uma contagem que não distingue entre civis e combatentes, mas inclui milhares de crianças.
Durante os primeiros oito meses deste ano, os crimes de ódio confirmados na cidade aumentaram 16% no geral, e os incidentes antissemitas aumentaram 9%, anunciou a Comissária de Polícia Jessica S. Tisch no início deste mês . Embora os judeus representem apenas 12% da população da cidade de Nova York, eles constituem aproximadamente metade de todas as vítimas de crimes de ódio relatados, de acordo com o relatório da prefeita.
Mamdani optou por manter o Gabinete do Prefeito para o Combate ao Antissemitismo, uma criação do final do mandato de seu antecessor, Eric Adams, ao mesmo tempo em que revogou uma ordem executiva assinada por Adams que classificava algumas críticas a Israel como antissemitas.
A crítica a Israel e a defesa dos direitos palestinos têm sido centrais para a identidade política de Mamdani. Enquanto estudante no Bowdoin College, ele fundou uma seção da organização Estudantes pela Justiça na Palestina. Como legislador estadual, patrocinou um projeto de lei que teria revogado a isenção fiscal de organizações beneficentes com ligações a grupos de colonos na Cisjordânia ocupada.

Prefeito de Nova York anuncia plano para combater o antissemitismo, evitando citar Israel