O advogado Willer Tomaz acionou a Justiça contra uma plataforma de apostas após registrar, segundo documentos anexados por sua defesa ao processo, prejuízo de R$ 163,2 milhões com os jogos online no ano passado. Na ação, ele pede a restituição de valores e indenização por danos morais.
Conhecido em Brasília pelo trânsito entre políticos de diferentes grupos e sua amizade com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, o advogado mantém sociedade em seu escritório com Eugênio Aragão, ex-ministro da Justiça de Dilma Rousseff (PT), que o representa na ação contra a plataforma de apostas. A existência do processo foi revelada pelo site Metrópoles e confirmada pelo GLOBO, que teve acesso aos autos.
Procurado, Willer afirmou que os valores divulgados pela reportagem “não correspondem à realidade”. “O advogado Willer Tomaz informa que os valores divulgados na reportagem não correspondem à realidade. Por se tratar de assunto de natureza estritamente pessoal, não fará outros comentários sobre o tema”, disse a assessoria do advogado, por meio de nota.
No documento apresentado à Justiça, a defesa de Willer registra R$ 4,800 bilhões em ganhos e R$ 4,963 bilhões em perdas em jogos na modalidade cassino online ao longo de 2025. A petição apresentada pelos advogados afirma, a partir desses dados, que ele movimentou em apostas uma “cifra bruta próxima de dez bilhões de reais” naquele ano. A ação tramita na 44ª Vara Cível do Foro Central de São Paulo e tem valor de causa de R$ 20 milhões.
Na ação, a defesa de Willer afirma que ele foi diagnosticado com ludopatia, ou jogo patológico, e sustenta que a plataforma deveria ter adotado medidas para impedir que ele continuasse apostando. Um relatório médico foi incorporado ao processo.
A defesa sustenta ainda que Willer tentou bloquear sua conta e informou à plataforma que havia sido diagnosticado com ludopatia. A petição cita três protocolos de atendimento e reproduz mensagens atribuídas ao advogado. Em uma delas, ele pede que seu acesso aos jogos seja bloqueado e afirma estar “viciado”.
Os advogados de Willer alegam que, apesar dos pedidos, a conta não foi bloqueada. A ação relata que links de autoexclusão apresentavam erro e que a plataforma teria continuado a manter um canal individualizado de contato com o advogado.
Relação com Flávio
Como mostrou O GLOBO, Willer mantém uma relação de proximidade com Flávio Bolsonaro, com quem compartilhou viagens, imóveis, jatinhos e parcerias em processos judiciais nos últimos anos. A amizade, porém, virou motivo de dor de cabeça para o candidato.
Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro
Reprodução/ Redes sociais
No mês passado, Willer cedeu um apartamento na Vila Nova Conceição, na zona sul de São Paulo, para que Flávio utilizasse durante a campanha. A utilização do imóvel, revelada pela revista Piauí e confirmado pelo GLOBO, foi alvo de questionamento de adversários do senador no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O argumento é que o candidato deveria ter declarado como doação à campanha.
A conexão de Flávio com Willer, contudo, vai além do uso do apartamento e entrou na mira da Polícia Federal, que identificou ao menos cinco viagens internacionais feitas em conjunto no primeiro semestre do ano passado. Entre elas, um safári na África do Sul, em março de 2025.
Procurado, Flávio disse manter “relação de amizade” com Willer “legítima” e que “qualquer tentativa de insinuar irregularidade a partir dessa afinidade pessoal é mera ilação, sem qualquer fundamento nos fatos”.
Willer entrou na mira da Polícia Federal em meio às investigações do escândalo do INSS. Ele foi alvo de uma operação no mês passado, sob suspeita de manter uma estrutura de apoio formada por empresas e operadores financeiros para lavar ou ocultar recursos obtidos por meio de desvios ilegais de aposentadorias. Ele diz que não é investigado por fraudes contra o sistema previdenciário.
Willer Tomaz vai à Justiça pedir devolução de R$ 163 milhões perdidos em plataforma de apostas
