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setembro 26, 2026
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Protestos e apreensão: como mundo do futebol recebeu MP sobre fim das bets

Por · setembro 26, 2026
Protestos e apreensão: como mundo do futebol recebeu MP sobre fim das bets


Anunciada na noite de ontem pelo governo federal, a Medida Provisória que determinou a proibição total dos sites de apostas no país aumentou a preocupação no futebol brasileiro e causou protestos de dirigentes. Algumas bets já notificaram clubes sobre o rompimento de contratos de patrocínio, o que gerou apreensão e até argumentos acerca da incapacidade de honrar compromissos nos próximos meses.
O Flamengo, por exemplo, que recebe R$ 268,5 milhões por temporada da Betano, disse não ter um “plano B” para substituir esse rombo no seu orçamento. É o que alega o presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, que projetou um prejuízo de até R$ 400 milhões para o próximo ano.
— É muito difícil, no curto prazo, a gente dizer o que pode fazer, porque está sendo uma medida muito drástica. Eu estaria mentindo se dissesse que a gente tem um plano B para isso. Não tem. Isso traria impactos desastrosos para o Flamengo como um todo, não só no futebol, mas também nos esportes olímpicos. A gente estima que as perdas imediatas de receita para o ano que vem sejam de R$ 400 milhões a R$ 430 milhões e, sem um preparo prévio, é absolutamente impossível que você consiga estancar essa sangria. Isso, por si só, faz com que o Flamengo não consiga honrar os compromissos que assumiu para o ano que vem — disse Bap à CNN.
Em nota, o Flamengo ainda se mostrou favorável a mudanças na regulação das apostas, mas criticou o desmonte do mercado, afirmando ser uma “questão de segurança jurídica”.
Camisas já produzidas
Pela Medida Provisória assinada pelo presidente Lula, clubes, federações e competições têm até as 23h59 do dia 5 de outubro para remover todas as peças e ações de publicidade de bets. Assim, 14 clubes da Série A do Brasileiro já terão suas camisas “limpas” na retomada do futebol após a Data Fifa. Além disso, campeonatos como o próprio Brasileirão e a Copa do Brasil também terão seus nomes modificados.
Entre os clubes que já foram notificados por seus patrocinadores está o Fluminense. O tricolor recebeu um comunicado da Superbet, com quem tem vínculo até o fim de 2029 (R$ 58 milhões por ano), informando sobre a possibilidade do rompimento do contrato. Em nota publicada pouco antes do anúncio da MP, o time das Laranjeiras reconheceu a legitimidade do debate, mas listou uma série de fatores que reforçam a defesa de, no mínimo, “um período de transição adequado caso haja mudanças”. O presidente Mattheus Montenegro também falou sobre o assunto.
— Aqui, o impacto ultrapassa R$ 100 milhões, porque, além do patrocínio máster, afeta contratos como os das placas do campo e as camisas, que são produzidas com seis meses de antecedência. É uma medida que gera grande preocupação para o futuro do clube — ressaltou à CNN.
Além do tricolor carioca, São Paulo (Superbet), Vasco e Palmeiras (ambos Sportingbet) também foram notificados sobre possíveis encerramentos de acordos.
Uma das principais parceiras da CBF, dando nome ao Campeonato Brasileiro e à Copa do Brasil, e também patrocinadora do Flamengo, a Betano informou em nota divulgada ontem que “monitora com muita preocupação” o assunto e disse que “tomará decisões no momento apropriado”.
Mais de R$ 1 bi na Série A
O impacto da MP no futebol brasileiro não será pequeno. Apenas em patrocínio máster entre os clubes da Série A em 2026, a projeção era de que as bets investiriam, no total, cerca de R$ 1,1 bilhão. Em 2024, quando os 20 clubes da Série A tinham bets na camisa (seja como máster ou secundário), esse valor era de R$ 523 milhões.
Por outro lado, levantamento do GLOBO mostra que nenhum contrato envolvendo bets representa mais do que 13% de algum orçamento de participante do campeonato. E os clubes da Série A têm apenas cerca de 7% das receitas oriundas de patrocínio de bets.
Para chegar a esses dados, foram levadas em conta as receitas brutas apresentadas pelos clubes em seus orçamentos de 2025 e os valores fixos pagos pelas bets aos mesmos, sem contar possíveis bônus contratuais.
A instituição que mais “depende” da sua patrocinadora máster é o Flamengo, com 12,85% do último orçamento oriundos de casa de aposta. Corinthians (10,6%) e São Paulo (10,5%) são os únicos outros dois clubes que veem essa faixa de representatividade acima dos 10% de seus orçamentos brutos.
Clubes patrocinados por bets na Série A do Brasileirão
Globo

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