Pular para o conteúdo
outubro 7, 2026
BRcom
Dólar PTAXR$ 4,9692
News

Quando o luxo cabe no pulso: por que alguns relógios valem milhões

Por · outubro 7, 2026
Quando o luxo cabe no pulso: por que alguns relógios valem milhões


Eles têm poucos centímetros, mas alguns relógios carregam preços que se aproximam — ou até ultrapassam — os de imóveis. A alta relojoaria ganhou espaço entre celebridades e colecionadores e passou a ocupar um lugar particular no universo do luxo, reunindo design, história, raridade e mecanismos que ajudam a explicar cifras milionárias.
Veja modelos de luxo: Neymar leva relógios avaliados em mais de R$ 21 milhões para a Copa do Mundo de 2026
Saiba: O que os relógios dos craques da Copa revelam sobre moda, consumo e influência
Nos pulsos de nomes como Neymar Jr., Virginia Fonseca, Vini Jr., Drake, Jay-Z e Brad Pitt, aparecem modelos de propostas bastante diferentes. Há exemplares esportivos, versões clássicas, relógios cravejados de pedras preciosas e referências vintage ou produzidas em quantidades restritas. Mais do que marcar as horas, eles também passaram a integrar a imagem de quem os usa.
Os preços variam bastante. Há relógios na casa dos milhares de reais e outros que chegam aos milhões. A cifra não depende apenas dos materiais empregados: mecanismo, acabamento, quantidade produzida, conservação, procedência e o interesse despertado por determinada referência também podem pesar na avaliação.
“É justamente isso que torna a relojoaria interessante. Duas pessoas podem gastar valores semelhantes e fazer escolhas completamente diferentes. Depois de determinado nível, você não está comprando apenas um objeto caro. Está escolhendo história, engenharia, design, raridade e aquilo que aquela peça representa para você”, explica Renan Bastos, especialista no mercado de relógios de luxo.
Quando o relógio vira parte do estilo
Alguns exemplos recentes mostram como esses objetos passaram a ocupar espaço também na moda e na imagem pública. Virginia Fonseca apareceu em 2026 com diferentes modelos da Richard Mille. Neymar Jr. escolheu para seu leilão beneficente um Jacob & Co. inspirado em “O Poderoso Chefão”, avaliado em cerca de R$ 2 milhões. Vini Jr. chamou atenção ao usar três Audemars Piguet Royal Oak Mini simultaneamente, conjunto que pode chegar a R$ 3 milhões.
Fora do Brasil, Jay-Z apareceu neste ano com um Patek Philippe Sky Moon Tourbillon ref. 5002, do qual se estima existirem cerca de 30 exemplares. Brad Pitt, durante Roland Garros, usou um Vacheron Constantin Overseas ultrafino de platina.
Não existe, portanto, uma única estética associada à relojoaria de luxo. Para alguns, o interesse está em um modelo facilmente reconhecível. Para outros, justamente no detalhe que só será identificado por quem conhece o segmento.
“Existe quem queira uma peça imediatamente reconhecível e existe o colecionador que sente prazer justamente no contrário: usar algo que talvez só outra pessoa apaixonada por relógios perceba. Nenhuma dessas relações é necessariamente superior. O interessante é que o relógio acaba dizendo bastante sobre quem o escolheu”, afirma Renan.
O que faz um relógio custar tanto?
É nesse ponto que a alta relojoaria se aproxima de outros segmentos do colecionismo. Assim como acontece com obras de arte e joias, o interesse por determinado exemplar pode estar relacionado a aspectos que não são percebidos à primeira vista.
Um relógio antigo e bem conservado pode despertar mais atenção do que um lançamento. Uma alteração quase imperceptível no mostrador pode mudar o interesse por uma referência. Caixa original, documentos e procedência também entram nessa equação.
“Quando alguém começa nesse universo, normalmente olha primeiro para a marca. Depois passa a olhar referência, calibre, período de produção, configuração e procedência. É quase como vinho ou arte: quanto maior o repertório, mais detalhes você começa a enxergar”, diz.
A raridade, porém, não é garantia de valorização. Um exemplar produzido em poucas unidades pode continuar pouco procurado, enquanto outro, mesmo mais recente, pode despertar grande interesse entre compradores.
“Raridade sem desejo não basta. Para existir um mercado forte, alguém precisa querer comprar aquela peça depois de você. É por isso que eu teria muito cuidado com a ideia de que basta comprar um relógio caro e esperar que ele valorize”, alerta.
No mercado de usados, essa diferença fica ainda mais evidente. Algumas referências descontinuadas e modelos vintage preservados alcançam cifras elevadas, enquanto outros podem ser revendidos por menos do que custaram originalmente.
“Preço de boutique e valor de mercado são coisas diferentes. No secundário, oferta e demanda falam muito alto. Você precisa entender quantas peças existem disponíveis e, principalmente, quantas pessoas realmente querem aquela referência”, pontua.
Confira: WAGs da Seleção Brasileira apostam em relógios que ultrapassam R$ 100 mil para compor looks
Vini Jr. aposta em trio de relógios de luxo durante passeio no Rio; peças somam quase R$ 700 mil
Relógio pode ser patrimônio?
A associação entre relógios milionários e patrimônio surge justamente porque algumas referências alcançam valores semelhantes aos de outros bens de alto padrão. Isso, porém, não significa que tenham a mesma função ou possam ser comparados diretamente a um imóvel.
“Eu jamais colocaria relógio e imóvel na mesma categoria simplesmente porque podem ter preços parecidos. Um imóvel pode gerar renda, tem custos, liquidez e finalidade completamente diferentes. O que chama atenção é perceber que um objeto de poucos centímetros conseguiu atingir um nível de relevância econômica em que essa comparação de valores passou a ser possível”, pondera.
Há, ainda, uma característica particular: o relógio pode acompanhar o proprietário. Pode estar presente em uma viagem, em uma celebração ou em uma conquista profissional e, anos depois, ser passado para outra pessoa da família.
“Você pode ter no pulso algo que representa um valor muito alto e, ao mesmo tempo, construir memórias com aquela peça. É uma característica muito particular da relojoaria. O patrimônio não fica simplesmente guardado: ele participa da sua vida”, observa.
Por isso, para quem coleciona, uma seleção menor pode ter mais significado do que uma grande quantidade de exemplares.
“Cinco peças muito bem escolhidas podem formar uma coleção extraordinária. Pode existir o relógio de todos os dias, uma peça ligada a uma conquista, um vintage, algo mais clássico e aquele modelo que você perseguiu durante anos. Quando existe personalidade, você olha para uma coleção e consegue entender um pouco de quem está por trás dela”, avalia Renan.
Celebridades ajudam a tornar esse universo mais visível, mas o interesse não se limita aos nomes conhecidos. Entre colecionadores, a busca pode estar relacionada à história de uma referência, à engenharia de um mecanismo ou simplesmente à identificação com determinado desenho.
Para Renan, reduzir a alta relojoaria à possibilidade de valorização deixa de lado uma parte importante dessa relação.
“Eu gosto de pensar que uma boa compra é aquela que você continuaria feliz de ter mesmo se o preço não subisse durante anos. Se houver valorização, excelente. Mas, enquanto isso, você usou o relógio, viveu com ele e construiu uma história. Quando a única pergunta é ‘quanto vou ganhar?’, já estamos falando de outra relação com o objeto”, ressalta.
É essa combinação de artesanato, design, história, escassez e memória que ajuda a explicar por que um objeto criado para marcar as horas pode alcançar cifras tão altas.
“Você compra um relógio, mas pode acabar guardando muito mais do que o objeto”, resume Renan. “Daqui a 30 anos, alguém pode olhar para aquela peça e lembrar que era o relógio que você usava. Essa parte não aparece na cotação de mercado”, conclui.
Renan Bastos, especialista em relógios de luxo, explica o que faz uma peça se tornar rara e desejada
Divulgação
No pulso, continuam tendo a mesma função básica. Fora dele, alguns relógios acabaram se tornando símbolos de estilo, desejo e histórias que atravessam gerações.

Quando o luxo cabe no pulso: por que alguns relógios valem milhões