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'Quando o macho alfa da TV brasileira fala sobre machismo, toca o coração dos homens', diz Christiane Torloni sobre peça com Antonio Fagundes

Por · julho 24, 2026
'Não sou meu tipo de homem' diz Antonio Fagundes


Par romântico em novelas como “A viagem”, Antonio Fagundes e Christiane Torloni dividem o palco pela primeira vez como um casal em crise na comédia “Dois de nós”, em cartaz no Teatro Axia Casa Grande, no Rio de Janeiro. Num quarto de hotel, Pedro Paulo e Maria Helena, na casa dos 70 anos, têm um encontro com suas versões de 30 anos antes, interpretadas por Thiago Fragoso e Alexandra Martins. Dirigido por José Possi Neto e escrita por Gustavo Pinheiro, o espetáculo já foi visto por mais de 200 mil pessoas no Brasil e em Portugal.
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— A ideia era que a gente se olhasse no espelho e fizesse esse exercício: “Quem eu sou? Será que me tornei uma pessoa melhor do que era há 30 anos? E minha parceira ou parceiro? A vida que construímos juntos nos dá orgulho?” — enumera o autor, que já prepara o roteiro da adaptação para as telonas, produção da Globo que terá o mesmo elenco e estreia em 2027.
Thiago Fragoso, Alexandra Martins, Christiane Torloni e Antonio Fagundes em “Dois de nós”
Divulgação/Renata Casagrande
Mesclando comédia e drama, a história perpassa temas como rotina, filhos, dinheiro, realização profissional, desejo sexual, frustrações e mágoas. Entre as reflexões que mais tocam a equipe e o público está o despertar de Pedro Paulo para o seu comportamento machista.
—Esse homem foi formado dentro da misoginia, do racismo, do patriarcalismo, mas vai evoluindo. Ele tenta provar para o cara de 30 anos atrás que ele só tem a ganhar se abandonar essas posturas — comenta Fagundes, que celebra a recepção da peça entre o público masculino. — Geralmente o homem só vai ao teatro arrastado pela mulher, mas estamos tendo processos inversos.
Torloni atribui à atuação do parceiro um dos motivos desse sucesso.
— Se fossemos nós, mulheres, dizendo isso, iam falar que é uma peça feminista chata. Quando você bota na boca do Rei do Gado, do macho alfa da TV brasileira, isso bate no coração dos homens de um jeito bonito — diz.
Gustavo concorda:
— Pedro Paulo é um homem em crise, e você mostrar o Antonio Fagundes em crise significa mexer com as certezas de meio público brasileiro. Fagundes sempre simbolizou, na ficção, esse homem hétero, rico, branco. Quando ele não era o Dono do Mundo, ele era o Rei do Gado… Ao desconstruir isso isso no palco, os homens que estão na plateia também se sentem muito libertos. Porque se o Pedro Paulo está em crise eu também posso mostrar minhas fragilidades.
Antonio Fagundes como Bruno Mezenga
TV Globo
De casamentos frios que ganharam novos capítulos a filhos que compreenderam melhor a realidade dos pais, os relatos da plateia nos bate-papos após as sessões mostram a força da obra.
— Uma senhora, casada há 45 anos, pediu a palavra e disse que seu marido pegou em sua mão durante a peça pela primeira vez após 30 anos sem tocá-la — relembra o autor. — Toda noite tem uma história dessa.
Serviço
Onde: Teatro Axia Casa Grande, Leblon.
Quando: 23 de julho a 1º de novembro.
Que horas: qui a sáb, às 20h. Dom, às 17h.
Quanto: de R$ 160 (balcão 3) a R$ 230 (plateia vip).
Classificação: 12 anos.

'Quando o macho alfa da TV brasileira fala sobre machismo, toca o coração dos homens', diz Christiane Torloni sobre peça com Antonio Fagundes