A jovem carioca Tontom concorda com Erasmo Carlos (1941-2022): gente certa é mesmo gente aberta. Com um EP no mundo, “Mania 2000” (lançado há pouco mais de um ano, em maio de 2024), a cantora e compositora de 18 anos se prepara para um show de despedida (no Rio, na próxima terça, dia em que completa 19 anos). É que ela vai morar um ano em Berlim, estudando produção musical no British and Irish Modern Music Institute (BIMM).
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— Não quero pausar a minha carreira. Vou continuar presente aqui de alguma forma, preparando coisas para manter isso vivo. Mas, ao mesmo tempo, longe de tudo — conta ao GLOBO a artista, antes de dar alguns “spoilers” sobre o que vem por aí. — Tenho muitas músicas autorais não lançadas. Tem uma que já está gravada e mixada, pronta. Estou esperando só sei lá o que (risos). Mas estou esperando alguma coisa para começar a organizar isso. Uma parte de mim acha que o momento delas já passou. Outra parte gostaria de guardá-las para um futuro álbum.
Filha da atriz e humorista Heloísa Périssé e do diretor de cinema Mauro Farias, Tontom, irmã da cantora Raquel Dimantas e da atriz Luisa Périssé (que também faz as vezes de cantora e compositora, como no caso do “Trap do trepa trepa”), já teve que ouvir da mãe que ela pariu “uma Ivete Sangalo e um João Gilberto”. Luisa, os trios elétricos da cantora de axé. Tontom, o banquinho e violão do pai da bossa nova. Quem vê as duas juntas pode até achar que Tontom é tímida, mas ela nega:
— A Luisa é uma pessoa superenergética que fala alto e com todo mundo, e eu sou mais na minha, mas não num sentido de timidez, e sim por ser mais reservada. Então, nesse lugar das energias, eu concordo 100% (com a afirmação da mãe), mas não que a Luisa também não tenha um pouco das forças opostas e vice-versa.
O “lado reservado” de Tontom, aliás, como ela conta, se dá mais na sua vida pessoal do que na profissional:
— Tenho entendido mais como me expressar sem ferir o meu lado que prefere não se expor tanto, sabe? Porque é uma coisa paradoxal, ser artista e ter dificuldade de se expor. Então, fico tentando imaginar até que ponto isso é possível para mim. De alguma forma, consigo lidar com isso. Realmente acho que existe alguma magia no momento dos shows. Quando piso no palco, meu medo de me expor diminui mil por cento. Ao mesmo tempo que parece que tem o mundo todo (assistindo), parece que estou no meu quarto fazendo música para mim.
Bem antes das aulas de piano, aos 7 anos, ela já tinha a música como linguagem (“aprendi a falar e a fazer música ao mesmo tempo. Sempre foi a minha forma de me expressar e de estar no mundo”, conta). Mas foi durante a pandemia, naquele tempo trancada em casa, que ela entendeu que não se tratava de um hobby, e sim do começo de uma carreira — que, desde o começo, sempre teve o apoio da família.
— Mais do que as profissões deles, eles como pessoas me incentivaram a ser artista pelo olhar que eles me ensinaram a ter do mundo. O jeito como eles me ensinaram a viver, crescer, entender as coisas e me expressar, fez com que eu me tornasse uma artista. Mas acho que mesmo se eles fossem advogados, e tivessem esse mesmo espírito, a coisa teria rolado da mesma forma.
Já perto dos 19 e com uma vida inteira pela frente, Tontom também pensa no futuro. No que ela pensa para daqui a 5, 10 anos?
— Quero estar muito mais experiente, cada vez mais autoconfiante, criativa, atenta e rápida. Cada vez podendo me expressar melhor. E espero já ter tido tempo para conseguir fazer um álbum e estar em um momento de mais consolidação mesmo, de que é isso: essa é a minha vida, essa é a minha carreira. Não é só um hobby.
No dia em que completa 19 anos, a cantora e compositora Tontom reúne músicas autorais, como “Vê se atrasa” e o hit viral “Tontom perigosa” (que chegou a ocupar o primeiro lugar no “Viral 50” do Spotify Brasil) no show “Mania 2000”. No palco do Manouche, ela recebe Raquel Dimantas, Guilherme Lírio e Leila Maria.
- Onde: Casa Camolese, Jockey Club.
- Quando: Terça-feira (5), às 20h30.
- Quanto: R$ 50, com 1kg de alimento, via Olha o Ingresso.
- Classificação: 18 anos.