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novembro 8, 2026
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Quarta temporada de 'A diplomata' tem mais melodrama que crise política (e isso não é nada ruim)

Por · novembro 8, 2026
'A diplomata' e 'Visionquest': as estreias no streaming na semana de 11/10 a 17/10; veja trailers


O Poseidon é um míssil nuclear russo. A arma está no centro de incandescentes conflitos geopolíticos na quarta temporada de “A diplomata”. Pela descrição, parece até que estou falando de uma série que trata exclusivamente de espionagem e tramoias nas altas esferas do poder. Só que não é bem assim. Como todos os personagens são chefes de Estado ou donos de cargos importantes nos governos de seus países, fica no ar essa (falsa) impressão. A produção, entretanto, é, na sua essência, um melodrama clássico — e isso não significa um demérito, só uma constatação. Os oito novos episódios acabam de chegar à Netflix. Recomendo.
A ação é retomada do ponto em que parou. Reencontramos a embaixadora Kate Wyler (Keri Russell) e o marido, Hal (Rufus Sewell), agora vice-presidente dos Estados Unidos, na Inglaterra, mergulhados em eternas DRs.
Keri Russell/Diplomata
Netflix
Já nas primeiras sequências, fica claro que as locações serão, novamente, um personagem à parte. O casal circula bastante pela suntuosa Winfield House. É aquele festival de cortinas de tecidos brocados e de móveis com design de outros séculos. Enquanto discutem projetos secretíssimos, eles sobem e descem escadarias e atravessam corredores imponentes. As mesas postas com uma infinidade de delícias ajudam a injetar uma dose suplementar de glamour no conjunto — como se precisasse.
tal Poseidon estava escondido dentro de um submarino que enguiçou no Mar do Norte. Ao saber do incidente, os americanos o roubaram. Foi uma operação secreta orquestrada por Hal e a presidente dos EUA, Grace Penn (Allison Janney). Nem as autoridades britânicas foram informadas de que ela aconteceu. O problema agora é Moscou tentar resgatar a embarcação e descobrir o sumiço da arma. Isso poderia gerar uma guerra mundial.
A diplomata
Netflix
Esse conflito parece central e realmente atravessa todo o arco dramático, mas é só um pano de fundo. São as diversas tramas de fôlego mais curto que, reunidas, puxam a ação. Não há lealdade nos casamentos ou nas relações profissionais. Essas discórdias e tensões produzem ganchos e fazem o público torcer.
Nos episódios finais, as gravações se transferem para a Toscana, onde se desenrola uma reunião do G7. O fórum, entretanto, é o que menos importa. A política é só um pretexto para discórdias conjugais explodirem — sempre em cenários idílicos.
Curioso é que nenhum dos casais tem química. Esse é um ponto frágil, mas compensado em parte pelo elenco de talentos e pelos diálogos bem escritos (embora eles eventualmente caiam no artificialismo com um excesso de “tiradinhas espertas”). Destaco especialmente a performance de Keri Russell. Sua embaixadora é resultado de uma construção perfeita.
Allison Janney e Bradley Whitford, a presidente americana e o marido
Netflix
PS: “A diplomata” já foi renovada para a quinta temporada. Merece. A série prende do início ao fim.
PS: Keri Russell brilha demais em “The americans”, uma das melhores séries dos últimos anos. Escrevi muito sobre ela e você pode clicar aqui para ler os textos

Quarta temporada de 'A diplomata' tem mais melodrama que crise política (e isso não é nada ruim)