Pular para o conteúdo
novembro 4, 2026
BRcom
Dólar PTAXR$ 5,4929
News

Quem é o democrata Troy Jackson, ex-lenhador que derrotou republicana há 30 anos no Senado do Maine

Por · novembro 4, 2026
Quem é o democrata Troy Jackson, ex-lenhador que derrotou republicana há 30 anos no Senado do Maine


O ex-lenhador Troy Jackson, de 58 anos, venceu a disputa pelo Senado dos Estados Unidos no Maine e encerrou uma sequência de vitórias da republicana Susan Collins, que ocupa a cadeira há cinco mandatos. Ex-presidente do Senado estadual e uma das principais lideranças democratas da região, Jackson chegou à corrida eleitoral após uma mudança de última hora na candidatura do partido e conseguiu derrotar uma adversária que, apesar de representar um estado tradicionalmente democrata, mantém o cargo desde 1996.
Americanos vão às urnas: Acompanhe em tempo real os resultados das eleições de meio de mandato nos EUA
Quer ler mais notícias de Mundo? Acompanhe o canal no WhatsApp
Quer morar fora? Veja guia interativo do GLOBO que reúne informações sobre 36 países
A conquista democrata no Maine, onde pesquisas recentes apontavam uma disputa apertada para o Senado, importa para o objetivo do partido de oposição de alcançar maioria na Câmara Alta do Congresso americano. Collins, considerada uma republicana moderada e que, em algumas ocasiões, se posicionou criticamente em relação ao presidente Donald Trump, é a última senadora republicana remanescente da região da Nova Inglaterra, no nordeste americano.
Initial plugin text
Embora os eleitores do Maine tenham escolhido candidatos democratas em todas as eleições presidenciais desde 1992, Collins havia conseguido se reeleger ininterruptamente desde 1996. A campanha foi marcada sobretudo pelo debate sobre o custo de vida, especialmente o preço dos combustíveis. Os dois candidatos também defenderam o setor de pesca de lagosta, uma das principais atividades econômicas do estado, responsável por movimentar mais de US$ 1 bilhão por ano.
De madeireiro a senador
Conhecido pelo forte sotaque característico da região florestal do norte do Maine, Jackson construiu sua trajetória política a partir de questões ligadas aos trabalhadores locais. Antes de entrar na vida pública, atuou como madeireiro e começou a se envolver com política no fim da década de 1990, organizando protestos contra trabalhadores canadenses que atravessavam a fronteira para atuar nos EUA por salários menores.
Contexto: Vantagem democrata entre hispânicos dispara com ‘dupla traição’ de Trump na imigração e no custo de vida
Sua carreira eleitoral começou na Câmara dos Representantes do Maine. Com o passar dos anos, Jackson ascendeu dentro do Partido Democrata local e chegou à Presidência do Senado estadual, cargo que ocupou entre 2018 e 2024. Tornou-se uma das principais lideranças políticas da legenda no estado.
Troy Jackson, candidato democrata ao Senado dos EUA pelo Maine, discursa no lançamento de uma ação de mobilização eleitoral no dia da votação, durante as eleições de meio de mandato, em Portland, Maine, em 3 de novembro de 2026
ANGELA WEISS / AFP
Defensor de um populismo econômico progressista, Jackson é crítico da influência das grandes corporações e apoia a criação de um sistema universal de saúde nos moldes do “Medicare para Todos”. Sua trajetória, no entanto, também foi marcada por mudanças de posicionamento em questões sociais.
Maioria apertada e risco de impasse: Os cenários que podem definir o controle do Senado dos EUA
Durante anos, Jackson foi contrário ao direito ao aborto, votou contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo e recebeu avaliações positivas da Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês), organização americana que defende o direito à posse de armas.
Com o avanço de sua carreira política, passou a assumir posições mais próximas do campo progressista. Como presidente do Senado estadual, ajudou a aprovar uma das legislações mais permissivas sobre aborto nos EUA, que permite a realização do procedimento em qualquer estágio da gravidez, desde que autorizado por um médico.
Candidato de última hora
Jackson não era o nome inicialmente escolhido pelos democratas para enfrentar Collins. O partido precisou reorganizar a disputa depois que Graham Platner, candidato anteriormente indicado, abandonou a corrida após uma acusação de estupro.
A substituição ocorreu em uma convenção extraordinária, organizada apenas 17 dias depois da saída de Platner. Jackson, que já era uma liderança regional da legenda, venceu ainda no primeiro turno, com 566 votos favoráveis e apenas cinco contrários.
O que acontece se os democratas vencerem as eleições nos EUA? Entenda como uma derrota pode limitar os poderes de Trump
Os dois políticos tinham posições semelhantes em temas econômicos e sociais e haviam feito campanha juntos no início do ano, quando Jackson disputava o governo estadual. Entre as propostas defendidas estava a extinção do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos EUA (ICE, na sigla em inglês).
A candidatura, porém, enfrentou ataques dos republicanos. Collins passou a chamar Jackson de “Bernie Bro”, expressão usada para caracterizar apoiadores do senador progressita Bernie Sanders. O Partido Republicano estadual também procurou associá-lo a Platner, enquanto um dos principais fundos republicanos de financiamento de campanhas para o Senado divulgou um anúncio que descrevia Jackson como “Graham Platner, só que pior”, com base em relatos sobre um suposto temperamento explosivo do democrata.

Quem é o democrata Troy Jackson, ex-lenhador que derrotou republicana há 30 anos no Senado do Maine