Em um golpe para o premier Benjamin Netanyahu, o presidente israelense, Isaac Herzog, encarregará oficialmente hoje o líder do bloco de oposição, Gadi Eisenkot, do mandato para formar um governo após as eleições legislativas de 27 de outubro, anunciou neste sábado o Gabinete da Presidência. A decisão ocorre após um impasse eleitoral que não deixou nem Eisenkot ou Netanyahu, o líder com mais tempo de permanência no cargo (19 anos), com um caminho claro para o poder.
Chefe militar da reserva que liderou o partido de centro Yashar no processo eleitoral, o opositor terá inicialmente 28 dias para tentar formar uma coalizão que substitua Netanyahu, cuja aliança nacionalista-religiosa perdeu a maioria nas eleições, ainda que se mantendo como o maior bloco na Knesset (Parlamento israelense). Ele poderá solicitar uma prorrogação de duas semanas, caso seja necessário, para tentar alcançar uma composição que lhe garanta ao menos 61 cadeiras — o mínimo para garantir maioria na Casa de 120 membros.
O anúncio da Presidência ocorre após 67 parlamentares, incluindo 19 provenientes de dois partidos árabes, terem manifestado apoio a Eisenkot em uma rodada de consultas realizada com as siglas eleitas para a Knesset. Netanyahu recebeu apenas 46 recomendações. Uma fissura notável em seu bloco ficou evidente durante as consultas, quando o partido Judaísmo Unido da Torá — um aliado tradicional de Netanyahu desde 1996 — recusou-se a recomendá-lo.
Obstáculos
Ainda assim, o caminho do chefe militar até o poder está repleto de obstáculos políticos e divisões dentro da própria oposição. Eisenkot pressiona pela formação do que chama de “governo de emergência nacional” e pela posse de um governo minoritário o mais breve possível. Ele seria composto pelos quatro partidos de oposição judaicos, que, juntos, detêm 48 cadeiras: o seu Yashar; o Juntos, liderado pelos ex-primeiros-ministros Naftali Bennett e Yair Lapid; o Yisrael Beiteinu, de Avigdor Liberman; e o partido de esquerda Democratas, liderado por Yair Golan.
Ele impôs quatro condições para a adesão: o reconhecimento de Israel como um Estado judaico, democrático, liberal e igualitário; o compromisso com os valores da Declaração de Independência; a prestação de serviço universal, seja militar, nacional ou civil; e o reconhecimento do Hamas como uma organização terrorista. Na prática, a última condição impede que os partidos árabes integrem o Gabinete. Ainda assim, eles poderiam apoiar o governo de fora, servindo como uma rede de segurança parlamentar.
Se Eisenkot não obtiver êxito, o presidente poderá, após uma nova rodada de consultas, encarregar a um segundo nome a tentativa de formar um governo. Se este também fracassar, tem início um período de 21 dias durante o qual qualquer membro do Knesset pode solicitar o mandato ao presidente, desde que o pedido conte com o apoio de, pelo menos, 61 parlamentares. Esse candidato terá, então, 14 dias para formar um governo. Se nenhum governo for formado ao final desse período, novas eleições serão convocadas.
Rival de Netanyahu é encarregado de formar governo em Israel
