Acostumado com festivais de cinema, Rodrigo Santoro deu um rasante na Flip ontem para apresentar ao público de Paraty a sua versão de Crisóstomo, o protagonista “O filho de mil homens”, filme de Daniel Rezende inspirado no livro homônimo de Valter Hugo Mãe. O ator se reuniu com o diretor e o autor português (com quem encontrou pela primeira vez) na Esquina Piauí+Netflix para a mesa “Do livro às telas”.
— O Crisóstomo era um personagem que me parecia um desafio gigante para humanizar — disse Santoro a jornalistas antes do encontro com o público, sobre o pescador solitário que, aos 40 anos, sente um imenso desejo de ser pai.
Para transformar a ideia do escritor em um homem de carne e osso, o ator sugeriu ao diretor que o personagem não usasse sapatos. A pele queimada de sol é fruto de 1h30 diárias nas cadeiras de maquiagem armadas em Búzios e na Chapada Diamantina, as duas locações do filme.
—Para compor esse universo, (tive que) escutar o barulho dos bichos, sentir o cheiro de madeira queimada do fogão. A minha atenção estava completamente à minha volta. Não tinha celular, andava descalço. Para mim foi uma reconexão com a minha criança interior. Quem falou que eu queria voltar para a realidade? Foi um dos (personagens) mais difíceis de se despedir.