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setembro 30, 2026
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Rússia estende veto às exportações de diesel até o fim de outubro e pressiona estoques globais já baixos

Por · setembro 30, 2026
Rússia estende veto às exportações de diesel até o fim de outubro e pressiona estoques globais já baixos


A Rússia estendeu até o fim de outubro a proibição da maior parte de suas exportações de diesel, apertando ainda mais o mercado global justamente quando a demanda aumenta com a aproximação do inverno no Hemisfério Norte e num momento em que os EUA avaliam também restringir suas vendas externas.
Moscou impôs em julho a proibição das exportações de diesel por produtores, em meio a uma onda de ataques ucranianos contra suas refinarias, que levou o processamento de petróleo a níveis mínimos de vários anos. As restrições às exportações, inicialmente previstas para durar apenas algumas semanas, foram posteriormente prorrogadas até agosto e, depois, até o fim de setembro, à medida que os ataques prosseguiam.
“A decisão foi tomada para apoiar a estabilidade do mercado doméstico de combustíveis, levando também em consideração o aumento da demanda por combustíveis automotivos durante a temporada de colheita”, informou o governo russo em comunicado publicado nesta quarta-feira.
A proibição das exportações da maior parte do óleo combustível marítimo (bunker fuel) e dos gasóleos também foi estendida até o fim de outubro.
Antes das restrições e dos intensos ataques da Ucrânia às refinarias, a Rússia respondia por cerca de 10% da oferta global de diesel transportado por via marítima. A retirada desses volumes do mercado agravou os efeitos da interrupção dos fluxos no estratégico Estreito de Ormuz, onde o tráfego de petroleiros foi drasticamente reduzido após os ataques de EUA e Israel ao Irã, elevando os preços do combustível usado para abastecer caminhões, máquinas agrícolas e a indústria em todo o mundo.
Com os preços nas bombas atingindo recordes nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump vem considerando uma proibição das exportações americanas, o que pode agravar ainda mais a escassez global do produto.
No início deste mês, Trump atribuiu as altas dos preços ao conflito entre Rússia e Ucrânia — e não à guerra contra o Irã que ele iniciou — e afirmou que Moscou e Kiev haviam concordado em parar de atacar as instalações de energia um do outro. Nenhum dos dois lados confirmou essa trégua, e os ataques à infraestrutura energética continuaram.
Trump disse no domingo que estava analisando “muito seriamente” a implementação de uma proibição das exportações, diante da pressão crescente para conter os preços dos combustíveis no mercado doméstico.
Reportagem publicada nesta quarta-feira pelo Financial Times revela que o presidente americano tem sido alvo de pressões por conta dessas declarações. Se, por um lado, aliados republicanos preocupados com impacto da disparada nos preços do diesel sobre as eleições parlamentares deste ano tentam convencer o presidente a medidas mais drásticas, como proibir exportações; por outro lado executivos do setor do petróleo fazem lobby contra a medida, que afetaria seus altos lucros com as vendas externas do produto.
Assessores apresentaram ao presidente opções que incluem restrições às vendas internacionais de diesel, segundo pessoas familiarizadas com as discussões relataram ao Financial Times, e autoridades do governo informaram aliados estrangeiros, incluindo o Reino Unido, sobre possíveis interrupções em seus suprimentos, revelou o jornal.
Os preços do diesel na Europa poderiam subir até 50% caso os EUA proibissem as exportações do combustível, o que provavelmente levaria a região a liberar reservas de emergência, segundo estudo da Oxford Economics e do Goldman Sachs Group Inc.

Rússia estende veto às exportações de diesel até o fim de outubro e pressiona estoques globais já baixos