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outubro 17, 2026
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Rússia registra 26 mortes em ataques de ursos em meio ao avanço dos animais sobre áreas habitadas

Por · outubro 17, 2026
Rússia registra 26 mortes em ataques de ursos em meio ao avanço dos animais sobre áreas habitadas


Um filhote de urso empoleirado em uma árvore à beira de uma estrada na Sibéria chamou a atenção de uma motorista e acabou viralizando nas redes sociais. O episódio, que à primeira vista parece inusitado e até comovente, expõe um problema crescente na Rússia: a aproximação de ursos de áreas habitadas, em um cenário que já deixou pelo menos 26 mortos em ataques desde o início de 2026.
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Daria Tiurneva, de 36 anos, dirigia pela região russa de Irkutsk quando avistou uma mancha escura em uma árvore. Ao se aproximar, percebeu que se tratava de um filhote a vários metros do chão.
— Paramos sem desligar o motor. Pensamos que a mãe poderia estar por perto e que, nesse caso, teríamos que acelerar rapidamente — contou à agência de notícias France-Presse (AFP).
Gravado algumas semanas antes, o vídeo se espalhou pelas redes sociais e foi exibido por canais de televisão russos, em meio à repercussão de encontros cada vez mais frequentes entre pessoas e animais silvestres.
Rússia registra 26 mortes em ataques de ursos em meio ao avanço dos animais sobre áreas habitadas
AFP
O perigo, porém, vai muito além de uma cena curiosa. Segundo um relatório da agência de notícias RIA-Novosti, pelo menos 26 pessoas morreram em ataques de ursos na Rússia desde o começo do ano. Sete delas estavam na região de Krasnoyarsk, um vasto território siberiano com área equivalente ao dobro da Colômbia.
No fim de setembro, um lenhador de 39 anos morreu após ser atacado por um urso enquanto guardava ferramentas em um abrigo na floresta, durante a noite.
Mais ursos, mais encontros com humanos
Vídeos de ursos rondando casas em áreas rurais ou correndo pelas ruas de vilarejos siberianos também circulam nas redes sociais. No Extremo Oriente russo, o pescador Vladimir Odulo relatou à imprensa local ter sido atacado por uma ursa às margens de um rio.
Segundo ele, o animal avançou “como uma louca”. Odulo conseguiu escapar depois de lutar contra o urso, mas sofreu graves contusões na cabeça e nas pernas.
Embora o número de ataques permaneça relativamente estável — entre 20 e 30 por ano, segundo o Ministério do Meio Ambiente da Rússia —, o crescimento da população desses animais aumenta o temor de que os incidentes se tornem mais frequentes.
A Rússia abriga a maior população de ursos-pardos do mundo. Desde 1990, o número de exemplares mais que dobrou, passando de aproximadamente 130 mil para cerca de 307,9 mil em 2026, de acordo com a pasta ambiental.
Para Genadi Krasnikov, presidente da Academia de Ciências da Rússia, a expansão da população provoca uma “escassez de alimentos”, que leva os animais a “procurar novos territórios e ampliar sua área de distribuição”.
Krasnikov também apontou os efeitos das mudanças climáticas sobre o comportamento da espécie. Segundo ele, o “aquecimento global altera consideravelmente as migrações”, de acordo com a RIA-Novosti.
Ambientalistas russos acrescentam outro fator: a destruição das florestas, atingidas por incêndios, desmatamento e pela construção de edifícios, estaria contribuindo para deslocar animais silvestres em direção a áreas ocupadas por seres humanos.
Falta de pinhões agrava o problema
Na região de Irkutsk, às margens do lago Baikal, a escassez de alimentos também ajuda a explicar a presença incomum de ursos. O inspetor de proteção ambiental Mijaíl Strelkov afirma que nunca havia visto tantos animais na área sob sua responsabilidade.
— É um ano de escassez — disse à AFP.
Segundo ele, faltam pinhões nas florestas, principal alimento dos ursos para acumular reservas de gordura antes da hibernação. Sem essa fonte de alimento, os animais podem se aventurar em busca de outras áreas para encontrar comida.
Strelkov e sua equipe monitoram a presença dos ursos por meio da contagem de excrementos e da identificação de outros vestígios encontrados nas trilhas. Quando um animal invade uma área habitada ou mata uma pessoa, ele é rastreado e abatido.
As autoridades também adotaram medidas preventivas em algumas localidades. Segundo a agência estatal Tass, municípios estabeleceram toques de recolher e formaram grupos de caçadores para enfrentar animais considerados agressivos. A agência informa que 3.440 ursos classificados como “perigosos” foram abatidos desde o início do ano.
Turistas mudam os planos
A presença dos animais também afeta o turismo em regiões conhecidas pelas paisagens naturais. Alla, uma turista russa que planejava percorrer uma trilha na região do lago Baikal, decidiu voltar depois de encontrar uma placa alertando para a presença de ursos.
— Não é tão grave assim — afirmou à AFP, ao comentar a possibilidade de retornar em outra ocasião: — Talvez eu volte. Talvez no verão ou no inverno, quando estiverem hibernando.

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