O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), classificou a greve dos trabalhadores da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), nesta terça-feira (4), de “instrumentalização política” e tentativa de “intimidar o governo”. A categoria pressiona por garantias do estado de manutenção dos empregos após a concessão da malha para a empresa Trivia.
“A greve de hoje é resultado unicamente de instrumentalização política para prejudicar o passageiro e o cidadão de bem, que já não suportam mais ver justamente aqueles políticos que dizem defender os seus interesses atuando para ferir seu direito de ir e vir. A aposta na baderna e na paralisia dos serviços não vai intimidar o governo, que esteve e seguirá aberto ao diálogo”, publicou Tarcísio nas redes sociais.
Em outro trecho, diz não ser “por acaso que determinados eventos ocorram em ano de eleição” e argumentou que “garantias de manutenção de emprego foram dadas e descartadas pelo sindicato”.
A entidade que convocou a greve rebateu a afirmação, também por meio de nota. “A greve dos ferroviários da CPTM não tem motivação político-partidária. O movimento foi aprovado democraticamente em assembleia e nasceu da ausência de uma garantia concreta de manutenção dos empregos de milhares de trabalhadores”, alega o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil, ligado à Central Única dos Trabalhadores (CUT).
O sindicato afirmou que os ferroviários também são usuários do transporte público, em uma crítica a um trecho do material compartilhado por Tarcísio que fala em um compromisso “com quem acorda cedo todos os dias e precisa de um transporte público confiável para chegar ao trabalho, estudar, ir a uma consulta ou realizar um exame”.
“Não fazem greve por interesse político, mas porque lutam pelo direito ao trabalho e pela segurança de suas famílias”, afirma o sindicato. “Só existe um caminho para o fim do conflito, ele é simples: a apresentação de uma garantia concreta, oficial e inequívoca de manutenção dos empregos de todos os trabalhadores da CPTM”.
Greve paralisou três linhas
Os ferroviários de São Paulo paralisaram parcialmente a Linhas 11-Coral e 12-Safira e totalmente a Linha 13-Jade da CPTM. A medida ocorre em protesto após as falhas apresentadas pela Trivia Trens, dias após a empresa assumir a concessão dos ramais.
A região mais afetada pela greve é a Zona Leste da capital, além de municípios como Guarulhos, Ferraz de Vasconcelos, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Suzano e Poá. Para evitar um caos no transporte, a prefeitura suspendeu o rodízio de veículos e executou um plano de contingência que envolveu mais trens em circulação em outros pontos e ajustes nas rotas de ônibus.
A CPTM acionou o Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, que determinou um contingente mínimo de operação durante a greve, com 80% do efetivo nos horários de pico (entre 4h e 10h e das 16h às 21h) e 60% nos demais horários. A estatal sustenta que a decisão foi descumprida pelo sindicato.
Os trabalhadores decidiram pela greve na noite de segunda-feira (3), como resposta ao fracasso nas negociações com a gestão estadual. Durante a tarde, líderes da categoria se reuniram com o secretário de Transportes, o presidente da CPTM e outros representantes do governo paulista, mas não houve consenso.
O principal entrave é a garantia de estabilidade empregatícia para os funcionários do Estado. Os trabalhadores exigem um compromisso formal do Palácio dos Bandeirantes sobre o futuro da força de trabalho após a entrega da malha viária à Trivia Trens.
A empresa privada, por sua vez, sofre pressão devido a uma sequência de panes e transtornos aos usuários logo no início da operação, em julho. Os problemas levaram a CPTM a atuar em um regime de co-gestão emergencial por até 90 dias, numa tentativa de normalizar a circulação e auxiliar a Trivia.
Oposição critica privatizações
Um dos principais embates eleitorais entre Tarcísio e Fernando Haddad (PT), ex-ministro da Fazenda do governo Lula e principal adversário ao governo de São Paulo neste ano, deve passar pela atuação de empresas privadas nos serviços públicos — notadamente a privatização da Sabesp e as falhas das concessionárias de trens do estado.
Nesta segunda (3), antes da greve ser anunciada pelo sindicato, Haddad publicou um vídeo nas redes sociais, produzido por sua equipe de campanha, que exibe imagens do incêndio em um trem da Linha 12-Safira, entre as estações Brás e Tatuapé, Zona Leste de São Paulo, no dia 23 de julho, além de passageiros caminhando sobre os trilhos por conta de falhas nos vagões.
A estratégia se soma a reclamações sobre o nível de qualidade da água e o fornecimento da Sabesp, que teve o processo de desestatização aprovado pela Assembleia Legislativa do Estado e concluído durante o mandato de Tarcísio. Numa das gravações previstas para entrar no horário eleitoral gratuito, o PT mostra um grupo de pessoas no trabalho que não consegue terminar de escovar os dentes.

