O blog teve acesso à notificação enviada na noite desta quarta-feira por John Textor ao Botafogo de Futebol e Regatas, à SAF Botafogo e ao Conselho de Administração da companhia para contestar a Assembleia Geral Extraordinária convocada para discutir nesta quinta-feira um aumento de capital social e a diluição das ações da SAF.
Na notificação, os advogados de Textor sustentam que a decisão da Justiça dos Estados Unidos que declarou nulo, desde a origem, o contrato de transferência das ações para a Eagle Bidco reconheceu o empresário como proprietário das 90 mil ações Classe B, equivalentes a 90% da SAF Botafogo.
Textor questiona ainda o valor de R$ 0,01 atribuído às novas ações na operação proposta pela SAF e pede, em 12 horas, o laudo de avaliação econômico-financeira e a justificativa para o preço de emissão. Também solicita a suspensão da assembleia e afirma que poderá adotar novas medidas judiciais caso ela seja realizada.
Mais cedo, o juiz Victor Agustin Jaccoud Diz Torres, da 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, manteve a realização da Assembleia Geral Extraordinária. Em decisão publicada nesta quarta-feira, o magistrado criticou o comportamento de John Textor, antigo dono do clube alvinegro, e lhe aplicou uma multa por litigância de má-fé.
Proposta para aquisição de atletas
Na mesma notificação, Textor apresenta uma suposta proposta de 100 milhões de dólares para capitalização e financiamento da SAF. O plano prevê US$ 10 milhões em outubro, US$ 40 milhões em novembro, por meio de empréstimo DIP, com conversão obrigatória em participação acionária após a conclusão da recuperação judicial; e outros US$ 50 milhões em janeiro de 2027, destinados a um fundo para aquisição de jogadores.
“Além de ser suficiente para restabelecer a sustentabilidade financeira da Companhia, essa proposta demonstra o equívoco da avaliação anteriormente apresentada. Para que não haja dúvida, esta oferta constitui oferta para subscrição de novas ações e para financiamento da Companhia; não se trata de oferta para aquisição de ações de qualquer pessoa, sendo formulada sem prejuízo e sem qualquer reconhecimento contrário ao direito de propriedade invocado pelo Notificante”, diz Textor na notificação ao Botafogo.
Na carta enviada ao Conselho, Textor também afirma que os administradores têm dever fiduciário perante todos os stakeholders da SAF e pede que atuem para restabelecer os direitos políticos correspondentes às ações que ele afirma possuir. Segundo o empresário, os recursos combinam capital próprio e investimentos de terceiros já apresentados e aprovados pelo Conselho de Administração em junho. Textor também questiona a avaliação econômica utilizada para embasar o aumento de capital e cita como referência a operação aprovada pelo Conselho em junho, que incluía outros US$ 50 milhões.
Textor notifica o Botafogo e diz ter US$ 100 milhões para capitalizar SAF e cancelar Assembleia para diluir ações
