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outubro 10, 2026
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Trinta anos sem Renato Russo: ‘Eu também estava lá, naquela manhã, no Caju’

Por · outubro 10, 2026
Trinta anos sem Renato Russo: ‘Eu também estava lá, naquela manhã, no Caju’


Quando Renato Russo morreu, em 1996, poucos eram, nas redações, os que tinham direito a um telefone celular. E aí, a repórter iniciante de um certo jornal carioca foi mandada para a cobertura da cerimônia de cremação, no Caju. As horas correram, ela não voltou, não deu notícias e — que jeito! — um outro repórter teve que obter as informações pelo telejornal, a tempo de escrever um texto para o jornal impresso (poucos eram, então, os que tinham edições on-line).
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Pois bem. Ele liga a TV, a locução em off diz “fãs do líder de Legião lembram as suas músicas”, e, vejam só: lá estava a moça, esquecida do dever jornalístico, engrossando o coro e balançando os braços. A verdade é que não presenciei a cena. Pode não ter sido assim… mas, sim, eu também estava lá, naquela manhã, no Caju. E vontade de fazer o mesmo não faltou.
Éramos tão jovens e tínhamos em Renato um guia pelos tempos turbulentos de um Brasil de muitas belezas e maldades. “Urbana Legio omnia vincit” (“A Legião Urbana a tudo vence”), fazia questão de escrever o cantor nas contracapas dos LPs. E a gente acreditava porque era o Renato.
Se alguém como ele — tímido, desengonçado, de óculos, atormentado, alguém que gostava de santos, de meninos e de meninas — podia ser um astro de rock, nós também podíamos tudo. O senso de justiça e de amor daquele cara era maior do que tudo.
Hoje, quando abro as páginas da revista Manchete, onde trabalhava, e vejo no meio das fotos a minha cara aparvalhada, ao lado da de Marco Nanini, também perdido, naquela manhã de cremação, bate uma saudade. Saudade da certeza que aquele jovem adulto tinha de que, viesse o que viesse, as músicas de Renato Russo continuariam a ser uma baliza moral, política, romântica e humanística para a juventude brasileira. A pura certeza de que, quando a esperança está dispersa, a verdade virá para libertar.

Trinta anos sem Renato Russo: ‘Eu também estava lá, naquela manhã, no Caju’