Ninguém gosta de sentir enjôo. A náusea e o vômito estão entre os sintomas mais desagradáveis que nosso corpo pode produzir. Por isso mesmo a criança que vomita geralmente está chorosa e irritada.
Vomitar é desagradável, mas muitas vezes traz alívio da náusea —o corpo pode estar tentando se livrar de um alimento incômodo ou esvaziar o estômago. Mas se ele é repetitivo, pode ser algo mais sério: e surge o risco de desidratação, especialmente se acompanhado de diarreia. E é sempre bom lembrar: crianças menores desidratam com mais facilidade.
Nos bebês, o vômito deve ser diferenciado da regurgitação ou golfada, que é fisiológica e normal. Ela ocorre pela imaturidade gástrica, ou porque os bebês mamam rápido, excessivamente, ou engolem ar. O bebê que golfa esta feliz. Já o que vomita está choroso, passando mal, e faz um esforço ao vomitar.
A causa mais comum é gastroenterite viral – e aí o vômito é seguido de diarreia pouco tempo depois. Pode ser também uma toxina alimentar, uma alergia ou intolerância, ou uma infecção qualquer (até mesmo uma gripe ou otite), ou mais raramente distúrbios do fígado, sistema nervoso e outros mais graves. Por isso o vômito persistente merece sempre uma visita ao médico. No bebê até 3 meses, é sempre bom que o pediatra examine.
O que liga o alerta numa criança que vomita ? Os sinais de desidratação: fraldas secas, urina concentrada, boca seca, muita sede; sonolência e apatia ou irritabilidade extrema, febre alta persistente, vômitos repetidos, com sangue vivo (no recém nascido pode ser uma fissura do seio materno), fontanela (moleira persistentemente abaulada). Nos mais velhos, dor de cabeça intensa, rigidez da nuca, dores abdominais persistentes, inchaço do abdome; parada da evacuação ou fezes com sangue vivo.
Para cuidar de uma criança que vomita, o mais importante é hidratar. Bebês amamentados podem receber leite materno à vontade, mas é bom encurtar o tempo das mamadas para não encher o estômago, e amamentar com mais frequência.
Reidratar a criança é o mais importante. Use soro caseiro ou soluções comerciais. Água de coco ajuda, é gostoso, mas não é suficiente. Bebidas esportivas, isotônicos, refrigerantes, sucos e bebidas similares contêm excesso de carboidratos, além de ingredientes nocivos, e não devem ser consumidas.
Até mesmo crianças que estão vomitando muito podem tolerar uma colher de chá de soro dada a cada cinco minutos. Caso consigam processar essa quantidade, ela pode ser gradualmente aumentada. Crianças com desidratação grave e aquelas que não ingerem uma quantidade suficiente de líquidos por via oral podem precisar de hidratação venosa.
Remédios caseiros: o gengibre age no sistema nervoso central e provoca um relaxamento no trato gastrointestinal diminuindo assim as náuseas. É útil também para o enjôo do carro. Pode ser consumido como chá, no suco ou em pedaços (para os mais velhos)
Medicamentos só devem ser usados em casos mais intensos ou repetitivos. O mais eficaz e seguro é a ondasetrona, que se usa a partir de dois anos. Consulte um pediatra sobre a dosagem.
Banana e frutas cítricas podem ajudar. Bebês que estão no leite materno e fórmula devem continuar. Consumir alimentos com pouca gordura, comida fria e água gelada pode acalmar a irritação do estômago. Os mais velhos podem mordiscar gelo picado. Uma sopa leve de legumes ou uma canja pode ser uma boa forma de conseguir que a criança coma algo nutritivo e se hidrate ao mesmo tempo. Evite chá preto, mate e café e jamais ofereça refrigerantes.
E sempre confie na sua intuição. Se a criança não estiver bem, se estiver preocupado, leve sempre ao pediatra.