A Yduqs, rede de ensino superior privado que é dona da Estácio e do Ibmec, e a Afya, de faculdades de medicina, confirmaram no fim da noite desta quarta-feira uma fusão. No fim de agosto, as duas empresas já tinham antecipado que estavam conversando sobre uma possível fusão.
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Segundo fato relevante divulgado pela Yduqs, que tem ações negociadas no Novo Mercado da B3, a empresa dona da Estácio terá 31% do novo grupo; a Afya terá 69%, mas a base acionária da companhia a ser criada será diluída.
A conclusão do negócio, que está sujeita à análise do Cade, órgão de defesa da concorrência no Brasil, está previsto para ocorrer até 31 de março de 2028.
O racional por trás do negócio é criar uma complementariedade que permita a expansão das operações. Com o aumento no número de cursos de medicina no país e, consequentemente, a crescente concorrência nesse segmento, a Afya ganharia escala operacional. Do outro lado, a Yduqs agregaria uma rede de ponta na área de saúde a seu portfólio.
“A operação visa combinar duas plataformas complementares de educação superior no Brasil, reunindo o ecossistema de educação médica da Afya e o modelo diversificado de educação superior em larga escala da Yduqs”, diz o comunicado divulgado ao mercado.
Juntas, as duas companhias somariam mais de R$ 9,2 bilhões em valor de mercado. A Yduqs está avaliada em R$ 2,98 bilhões, enquanto a Afya, cujas ações são listadas em Nova York, tem valor de mercado de US$ 1,2 bilhão (ou R$ 6,2 bilhões).
A estimativa é de que a fusão possa gerar entre R$ 2 bilhões e R$ 2,2 bilhões em sinergias, com 80% dessa soma podendo ser alcançados nos prímeiros três anos após o fechamento da operação.
A nova companhia
Pelos termos da transação, a Afya será incorporada pela Yduqs sendo, posteriormente, extinta. A companhia seguirá listada no Novo Mercado da B3.
Mas, ao fim da transação, os acionistas da Afya ficarão com 69% do negócio. Os 31% restantes caberão aos da Yduqs. O grupo brasileiro, contudo, pagará ao menos R$ 750 milhões em dividendos, desde que sejam cumpridas condições precedentes.
Os principais acionistas da Yduqs, a família Zaher e a Advent, e os da Afya, o Bertelsmann e a família Esteves, vão celebrar um acordo se comprometendo em comparecer às assembleias acionistas de cada companhia e votar favoravelmente pela aprovação da operação, além de não poderem vender ações de sua titularidade antes e após essas
No segundo trimestre deste ano, Yduqs registrou lucro líquido de R$ 14 milhões, 54,2% abaixo do registrado em igual período de 2026. De janeiro a junho, o ganho foi de R$ 11 milhões, queda de 11% ante ao primeiro semestre do ano passado.
Já a Afya, listada na Bolsa de Nova York, teve lucro líquido R$ 463 milhões no primeiro semestre, aumento de 6,8% ante aos seis meses iniciais de 2025.
Foco no segmento premium
A medicina é o segmento premium do ensino superior privado. Na Idomed, por exemplo, unidade de medicina da Yduqs, o tíquete médio de um aluno matriculado há mais de um ano foi de R$ 13.037 no primeiro semestre. Nos demais cursos presenciais do grupo, a mensalidade média ficou em R$ 973. A escala pesa nessa parceria. A Yduqs soma 11,8 mil alunos em medicina, ante a 380 mil no presencial.
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A Afya opera 38 instituições no segmento de saúde no Brasil, 32 delas com cursos de medicina e 25 oferecendo pós-graduação e educação continuada em áreas de saúde e médicas no país.
Segundo Paulo Presse, coordenador de estudos de mercado da Hoper Educação, juntas Afya e Yduqs se tornam uma gigante no ensino privado de medicina, com cerca de 38 mil alunos e quase 5,9 mil vagas anuais nessa área. Esses números foram confirmados pelo comunicado divulgado pela Yduqs ao mercado.
Haverá duas frentes prioritárias. Uma delas será a de educação continuada, mirando na oferta de cursos preparatórios para exames de residência, pós-graduação médicas e preparação para provas de título/especialização. A Afya somava mais de 56 mil alunos ativos nessa frente no fim de junho deste ano.
A outra é a de soluções para prática médica, tomando por base a atuação da Afya como uma medtech, numa plataforma que inclui recursos tecnológicos como o Whitebook, de apoio à decisão clínica, entre outras soluções digitais e com inteligência artificial.
As grandes transações têm feito parte dos avanços da Yduqs. Em 2019, a companhia fechou a compra da Adtalen Brasil, dona de Ibmec, por R$ 1,92 bilhão. Anos antes, em meados de 2016, chegou a anunciar a fusão da Estácio com a Kroton (agora Cogna) numa transação de R$ 5,5 bilhões. O negócio, no entanto, acabou barrado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no ano seguinte.
Na transação de agora, a Yduqs foi assessorada pelo BTG Pactual e pelos escritórios Lobo de Rizzo e Spinelli Advogados, além de Milbank LLP e Convers Dill & Pearman. A família Zaher teve assessoria da Dikaios e do Pinheiro Neto Advogados.
Já a Afya foi apoiada pelo Bank of America Merrill Lynch, Banco Múltiplo, Demarest Advogados, Caminati Bueno Advogados, Maples and Calder LLP e Davis Polk & Wardwell LLP.
Yduqs, dona da Estácio, e Afya, de medicina, confirmam fusão e criam grupo de R$ 9 bilhões
