Durante muito tempo, a rotina de beleza esteve concentrada em pele, cabelo e maquiagem. Nos últimos anos, porém, o sorriso também passou a ocupar espaço nesse universo, com a popularização de procedimentos como clareamento, lentes e facetas dentárias. Celebridades e influenciadoras, entre elas Virginia Fonseca, ajudaram a tornar as transformações no sorriso ainda mais visíveis nas redes sociais.
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A mudança estética, no entanto, não termina quando o procedimento é concluído. As facetas são feitas de materiais diferentes da estrutura natural dos dentes e, por isso, a manutenção exige atenção às características de cada caso. Uma das questões que pode surgir no consultório é justamente como adaptar os cuidados diários depois do tratamento.
A cirurgiã-dentista, professora e pesquisadora Vladja Torno, que atua há mais de 28 anos na odontologia, conta que a dúvida apareceu com frequência entre seus pacientes.
“Depois de realizar um tratamento com facetas, os pacientes sempre perguntavam: ‘Qual creme dental eu devo usar agora?’. E eu percebi que não existia uma resposta pensada especificamente para aquela nova superfície. Tínhamos materiais restauradores cada vez mais sofisticados, mas continuávamos utilizando produtos de higiene desenvolvidos tendo como principal referência os dentes naturais”, relata.
Por que a manutenção das facetas exige atenção?
Resinas compostas e cerâmicas têm propriedades diferentes das encontradas no esmalte dental. A superfície desses materiais pode sofrer alterações ao longo do tempo em decorrência de fatores como escovação, alimentação e características dos produtos utilizados na higiene bucal.
A frequência também entra nessa equação. Uma pessoa que escova os dentes duas ou três vezes ao dia acumula centenas de contatos entre as cerdas e as superfícies dentárias ao longo de um ano. Por isso, a conservação do material é uma preocupação que começa depois da colocação das facetas e se estende por todo o período em que elas permanecem na boca.
“O sucesso de um tratamento restaurador não pode ser avaliado apenas pelo resultado no dia em que ele é finalizado. Um dos principais parâmetros de sucesso clínico é a sua longevidade em boca. Precisamos pensar em como ela estará depois de milhares de escovações”, afirma Vladja.
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Isso não significa, porém, que a higiene deva ser interrompida ou modificada por conta própria. A escolha dos produtos e a rotina de cuidados devem ser orientadas pelo dentista responsável pelo tratamento, considerando o material utilizado e as características de cada paciente.
Da dúvida no consultório à pesquisa
A questão da durabilidade das facetas também foi objeto de um estudo desenvolvido por Vladja durante sua trajetória acadêmica na PUC-PR. O trabalho avaliou, em laboratório, os efeitos de uma tecnologia de polimento químico-mecânico sobre materiais restauradores, simulando períodos de escovação.
A partir dos resultados, foi desenvolvido um creme dental destinado à manutenção de facetas de resina composta e cerâmica. Segundo Vladja, o produto tem pedido de patente depositado em 2023.
A pesquisa não significa, porém, que exista um único produto ou uma rotina de higiene indicada para todas as pessoas que usam facetas. A conservação das restaurações depende do material utilizado, das condições de saúde bucal e dos hábitos de cada paciente.
O acompanhamento com o dentista também é importante para verificar a condição das facetas, dos dentes e das gengivas ao longo do tempo. A orientação sobre escova, creme dental e outros produtos deve ser feita de acordo com as características de cada tratamento.
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