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outubro 2, 2026
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América Latina vê influência da China de forma mais positiva que a dos EUA, diz pesquisa

Por · outubro 2, 2026
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A América Latina considera, pela primeira vez, a influência da China na região mais positiva que a dos Estados Unidos, revelou nesta sexta-feira (2) a pesquisa Latinobarómetro 2026.
O relatório, realizado anualmente desde 1995, atribui a mudança, em parte, ao fato de Washington ter ficado “quase ausente” do hemisfério ocidental desde a guerra do Iraque, em 2003, para se concentrar em outras regiões do mundo.
— Enquanto isso, a América Latina aprendeu a enfrentar as ondas do mundo. Aproximou-se de outras potências, da China, da União Europeia, do Japão — declarou à AFP Marta Lagos, diretora do Latinobarómetro.
Desde 2020, a proporção de latino-americanos que considera positiva a influência da China na região aumentou de 48% para 65%, enquanto a dos Estados Unidos caiu de 60% para 57%, segundo o estudo.
A ascensão da China não significa que tenha superado os Estados Unidos em termos de imagem. Embora os latino-americanos considerem mais positiva a influência de Pequim na região, os Estados Unidos continuam sendo o país mais bem avaliado, com 63% de opiniões favoráveis, contra 59% da China.
Segundo Lagos, o país asiático conquistou as populações latino-americanas nos últimos seis anos ao permitir o acesso a bens que estavam fora de seu alcance, graças a preços muito inferiores aos de outras importações.
— O vazio que a China preenche é o dos bolsos, mais do que qualquer outra coisa — explicou Lagos sobre a potência asiática, grande rival dos Estados Unidos.
O relatório destaca que os Estados Unidos voltaram a se interessar pela região com o retorno de Donald Trump à Casa Branca em 2025.
O republicano promove uma política mais intervencionista na América Latina, que chama de “Doutrina Donroe”.
O termo é um trocadilho entre o primeiro nome de Trump e o sobrenome de James Monroe, o quinto presidente americano, que há mais de dois séculos declarou a América Latina uma esfera de influência exclusiva de Washington.
Nesse contexto, Trump criou o Escudo das Américas, uma aliança de cerca de 15 países governados por presidentes de direita para combater o crime organizado.
— Hoje, porém, a América Latina está mais fragmentada, com sociedades mais escolarizadas e povos mais rigorosos em seus julgamentos — afirmou Lagos.
Segundo a especialista, a imagem negativa de Trump contribuiu para a deterioração da imagem dos Estados Unidos na região e para a convicção de que é muito difícil que Washington volte a desempenhar o papel que desempenhou no passado.
Para 55% dos latino-americanos, as políticas implementadas pelo presidente dos Estados Unidos terão impacto negativo no mundo.
O Latinobarómetro, sediado no Chile, é uma organização sem fins lucrativos que pesquisa opiniões sobre temas como democracia, economia, segurança e migração.
A pesquisa de 2026 se baseou em mais de 19 mil entrevistas realizadas em 17 países entre 7 de maio e 17 de junho, com margem de erro de 1%.

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