Um ataque aéreo israelense atingiu um prédio residencial na zona oeste da Cidade de Gaza e matou pelo menos cinco pessoas na madrugada deste sábado (3), segundo membros da equipe médica do Hospital al-Shifa ouvidos pela rede de televisão catari Al Jazeera.
Há ainda seis pessoas feridas registradas até o momento.
Não houve sirene alertando para a possibilidade de ataque na região antes que o prédio al-Asala, no bairro de Remal, fosse atingido, apuraram correspondentes da emissora em Khan Younis, ao sul da Faixa de Gaza.
Ramal fica em uma das áreas mais povoadas da Cidade de Gaza, com milhares de moradores refugiados em campos improvisados por todo o bairro.
Um dos repórteres da Al Jazeera no local relatou que o ataque aconteceu no meio da noite, enquanto a população dormia. “Ouvimos caças se tornando mais barulhentos [se aproximando] e então três bombardeios se seguiram, atingindo um dos apartamentos e matando aqueles que estavam dentro”, relatou o jornalista Hani al-Shaer.
Além da destruição inicial do apartamento, o ataque ainda teria danificado a estrutura dos andares abaixos e comprometido o prédio. O resultado foi um incêndio que durou ao menos uma hora antes que a Defesa Civil Palestina conseguisse apagá-lo.
Al-Shaer descreveu a cena como “horrível”, com pessoas soterradas sob os escombros ainda enquanto dormiam. Equipes de resgate iniciaram buscas por desaparecidos no local, além de esforços de recuperação de corpos de mortos.
No entanto, drones israelenses continuariam sobrevoando a região e caças ainda poderiam ser ouvidos voando baixo por toda a Faixa de Gaza, deixando residentes de sobreaviso.
Entre os mortos já confirmados estariam quatro mulheres, entre elas uma idosa cristã e sua filha, segundo o hospital Al-Shifa, onde os seis feridos já localizados estão sendo atendidos.
As Forças de Defesa de Israel não confirmaram o ataque ou qual seria o alvo da operação até o momento.
Nesta sexta (2), os militares israelenses anunciaram que mataram em ataque aéreo em Khan Younis, Tamer Hamaida, um atirador de elite do Hamas que teria atacado civis e tropas de Israel e “trabalhava para restaurar as capacidades de terror [da organização palestina] em violação ao cessar-fogo”.
Prestes a completar um ano, em 11 de outubro, o citado cessar-fogo acordado entre Israel e Hamas em Gaza através da mediação dos EUA dá mostras de não ter saído do papel. O Ministério da Saúde do enclave palestino estima que cerca de quatro pessoas morram por dia devido à guerra em Gaza, número reconhecido por organizações humanitárias, apesar das promessas de desarmamento e desescalada.
Na manhã de sexta (2), as Forças de Defesa de Israel já haviam admitido que mataram Izz al-Din Bik, supostamente comandante da Brigada do Norte de Gaza do Hamas. Anúncios como estes tem sido recorrentes, praticamente diários, no último mês.
No dia anterior, os militares israelenses disseram ter matado 170 jornalistas palestinos — segundo eles, todos seriam terroristas do Hamas que posariam de membros da imprensa, informação questionada pela apuração de veículos e organizações internacionais.
Ataque aéreo israelense atinge prédio residencial e mata ao menos cinco pessoas em Gaza
