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setembro 27, 2026
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Bela Gil abre casa focada na culinária afro-brasileira e celebra o legado de Preta e de povos ancestrais

Por · setembro 27, 2026
Bela Gil abre casa focada na culinária afro-brasileira e celebra o legado de Preta e de povos ancestrais


Há gestos de amor que cabem em uma fotografia, uma música, ou em uma saudade. E há também aqueles com cheiro, sabor e uma mesa farta. Foi assim que Bela Gil escolheu celebrar a memória da irmã, a cantora Preta Gil (1974-2025), ao criar o Preta Maria, restaurante de culinária afro-brasileira recém-inaugurado no Mata São Paulo, dentro do complexo Cidade Matarazzo, na capital paulista. O projeto nasceu há três anos, quando Bela percebeu que detalhes da arquitetura e do estilo tinham a cara da irmã. “Ela estava no hospital, e eu disse que queria colocar o nome dela neste novo empreendimento. Ela ficou feliz, emocionada.”
Não há no cardápio um prato dedicado à Preta. A presença dela aparece de um jeito menos literal. “Minha irmã tinha uma forte relação com os movimentos negro e antirracista. E o restaurante também tem um pouco desse papel. Acredito que conseguimos transmitir a energia acolhedora e generosa que ela carregava”, conta a chef.
Cocada de maracujá do Preta Maria
Thiago Britto
À mesa, Bela buscou referências em diferentes tradições da diáspora africana. Também resgatou ingredientes que, em suas próprias palavras, atravessaram o Atlântico e ajudaram a formar a cozinha brasileira, mas, por vezes, foram invisibilizados, como o dendê, o quiabo, os feijões, o cará e a banana-da-terra. Eles surgem em combinações como a moqueca de banana-da-terra (R$ 75), o mafé de legumes, frango e espuma de coco (R$ 80) e o acarajé e abará (R$ 75). “A relação entre a culinária brasileira e africana está nas técnicas, nos pilados, ensopados, frituras, na forma de combinar alimentos e de compartilhar a comida. As mulheres trouxeram para o Brasil tecnologia culinária, social e ancestral”.
Para o chef do Dois de Fevereiro, João Diamante, “o Preta Maria é espaço de memória, afeto, educação, ancestralidade e ressignificação através da gastronomia”: “E ressignificar não significa apagar o que aconteceu ou olhar para o passado com nostalgia. É lembrar, reconhecer, estudar e trazer essa história para o presente de uma maneira que permita construir um futuro diferente”.
Tábua de salgadinhos (R$ 69): bolinho de arroz, croquete de efó e coxinha de jaca
Thiago Britto
Para quem está no Rio e ficou com vontade de provar o tempero de Bela, uma dica: neste domingo, a chef comanda a aula “Pela lente do amor: 12 anos depois”, ao lado de sua filha, Flor, no Rio Gastronomia, no Jockey. Elas vão preparar ceviche de banana e panqueca. Em seguida, a Flor sobe ao palco do evento ao lado do primo Bento, com repertório do avô. Tudo em família.

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