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setembro 27, 2026
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Lobianco aborda masculinidade em novo solo: 'Discutimos até onde vamos em busca de aceitação'

Por · setembro 27, 2026
Lobianco aborda masculinidade em novo solo: 'Discutimos até onde vamos em busca de aceitação'


As noites eram um tanto ameaçadoras para Luis Lobianco entre a infância e a juventude. Era quando se manifestavam episódios de terror e pânico. Mas aí veio o teatro e mudou tudo. “Fui ser ator para, meio que ‘sem querer querendo’, resolver isso”, reconhece. E virou um dos grandes. Aos 43 anos, o carioca coleciona trabalhos entre TV, cinema e teatro e está prestes a estrear um solo inédito. “O tigre” entra em cartaz no Teatro Vanucci, na Gávea, no dia 12 de novembro, com uma história escrita por ele em apenas quatro dias, dada a ânsia criativa. “É muito bom ter esse sentimento de autonomia.”
No monólogo, Lobianco interpreta Bruno, morador de um condomínio onde é ignorado pelos vizinhos até descobrir que um deles esconde um filhote de tigre em casa. O personagem, então, aceita cuidar do animal para ser finalmente integrado ao grupo de homens à sua volta. O enredo surreal costurado com o humor característico do ator é, segundo ele, um caminho para falar sobre temas urgentes, como masculinidade, ansiedade e pertencimento. “A imagem do tigre me veio dessa coisa de tentar dominar algo indominável”, conta. “É uma situação absurda, mas estamos discutindo até onde vamos em busca de aceitação e likes. Muitas vezes, topamos coisas surreais.”
Antes da estreia, ele aporta, no próximo dia 10, no Teatro Claro Mais, em Copacabana, com “Titaníque — O musical”, comédia que teve sessões duplas lotadas em São Paulo. Neste achado off-Broadway alçado a hit mundial, o clássico filme “Titanic” (1997) vira uma paródia absurda narrada por Céline Dion (Alessandra Maestrini). Lobianco interpreta a aristocrata Ruth, mãe de Rose (Giulia Nadruz), e faz o público rir já pela caracterização, com peruca e barba ruivas e uma pomba na cabeça. “É um besteirol, e eu precisava de alguém com essa capacidade de jogo com a plateia”, conta o diretor, Gustavo Barchilon. “E Lobianco vem do improviso, domina essa linguagem.”
Embora tenha papéis dramáticos no currículo, a comédia o acompanha desde o começo da carreira, quando ganhou projeção na efervescente cena cômica teatral dos anos 2000, compartilhada por nomes como Paulo Gustavo e Samantha Schmutz. “Eu me encontrei com essa turma por acaso, assim como, por acaso, tinha o DNA do humor”, diz ele, com sucessos como “Porta dos Fundos” e “Vai que cola” na bagagem. “Sou metade de uma família italiana da Zona Norte do Rio, metade sergipano e um pouco mineiro. Não ter sido criado na província da Zona Sul, onde moro hoje, expandiu a minha cabeça e o senso crítico.”
O solo ‘O tigre’ estreia em novembro, na Gávea
Nana Moraes
Munido dessa trajetória, adquiriu tônus para fazer seus personagens se destacarem em meio às tramas. Foi assim no remake de “Vale tudo”, exibido no ano passado pela TV Globo, em que Freitas, o assistente submisso de Marco Aurélio (Alexandre Nero), ganhou fôlego para chegar ao desfecho da novela, ao lado da vilã Odete Roitman (Débora Bloch). “Não caí na facilidade de fazê-lo burro. Pelo contrário, a estratégia dele era fazer com que as pessoas pensassem isso”, comenta. Autora da adaptação, Manuela Dias reconhece o empenho. “Escrever para um ator brilhante, com tantos recursos e uma compreensão de texto tão rica e humana, é um prazer”, ela diz. “Quando se trata de alguém com tais qualidades, não há cena pequena. Qualquer frase escrita por mim voltava no ar com a potência máxima.”
Para além das experiências profissionais, Lobianco foi acolhido e incentivado pela família desde criança. Diante de um corte seco da vida, quando perdeu, aos 6 anos, a mãe, acometida por um câncer linfático, começou a fazer terapia e nunca mais parou. Conforme crescia, o pai e a madrasta, a quem também reconhece como mãe, enxergaram nele o tino artístico. “Eu gostava de desenhar e cantar, de novela e carnaval. Então, eles entenderam que conseguiria juntar tudo isso no teatro. Era onde eu ficava bem. Comecei a fazer aulas aos 11 anos”, recorda-se.
A família é recorrente nas falas do ator, feliz por não ter nascido num ambiente de “burocratas”. “Minha avó tocava piano, conhecia todas as óperas e tangos”, ilustra. Na parede da sala de seu apartamento, onde recebe a reportagem, um quadro faz referência a Capela, cidade do interior de Sergipe onde nasceu a mãe. “Quando tinha uns 20 anos, fui até lá e pude reconhecer nos familiares várias características minhas”, conta. “Meu humor se parece com o deles e percebo que, com o passar dos anos, me aproximo cada vez mais disso. É legal porque, embora seja um trauma, não há dívidas nem ressentimentos com a vida. Até porque tive uma outra mãe que foi tão boa quanto ela.” Além do mais, sempre haverá o palco: “Nunca fui de me vitimizar ou me colocar num lugar de fragilidade. Sempre fui para a ação. E o teatro é ação.”

Lobianco aborda masculinidade em novo solo: 'Discutimos até onde vamos em busca de aceitação'