Quem vê os dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), divulgados nesta sexta-feira, pode não lembrar que, no mesmo período do ano passo, os exportadores brasileiros sofriam com as tarifas impostas pelos EUA ao grão.
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Em setembro, os embarques de café brasileiro para o mercado americano somaram 625 mil sacas de 60 quilos, um salto de 86,4% em relação ao mesmo mês de 2025, quando foram exportadas 335 mil sacas. Com a recuperação das vendas, os EUA ultrapassaram a Alemanha e retomaram a liderança entre os destinos do café brasileiro em 2026, posição que tradicionalmente ocupavam.
A recuperação ganhou força à medida que as restrições comerciais ao grão foram caindo. Em novembro do ano passado, os EUA suspenderam as tarifas sobre a maior parte do café brasileiro. Já o café solúvel só entrou na lista de exceções em julho deste ano.
Em nota divulgada à imprensa, Márcio Ferreira, presidente do Cecafé, disse que o alívio das tarifas reduziu as incertezas nas relações comerciais entre Brasil e EUA e abriu caminho para a retomada dos negócios.
Terreno perdido
Apesar da melhora , os embarques aos EUA ainda não recuperaram completamente o terreno perdido. Entre janeiro e setembro, os americanos importaram 3,8 milhões de sacas, o equivalente a 13,1% de todo o café exportado pelo Brasil no período, mas volume 12,8% inferior ao registrado nos mesmos nove meses de 2025.
No total, o Brasil exportou 3,9 milhões de sacas de café em setembro, alta de 3,1% na comparação anual. A receita, porém, recuou 7,1%, para US$ 1,28 bilhão. No acumulado de janeiro a setembro, o volume embarcado ficou praticamente estável, em 29,1 milhões de sacas, enquanto a receita caiu 8,6%, para US$ 10,1 bilhões.
O Cecafé atribui a queda no faturamento às menores cotações internacionais, à perda de qualidade de parte dos lotes de arábica afetados pelas chuvas e à maior participação dos cafés canéforas nas exportações, – que têm preços geralmente inferiores aos do arábica.
Enquanto as vendas ao mercado americano dão sinais de recuperação, as exportações brasileiras de cafés diferenciados, categoria que inclui os especiais, registram retração no acumulado do ano. Entre janeiro e setembro, os embarques desses produtos recuaram 16,3%, para 4,95 milhões de sacas. A receita somou US$ 2,02 bilhões, queda de 19,6% em relação ao mesmo período do ano passado.
Apesar da retração, os cafés diferenciados responderam por 17% do volume total exportado pelo Brasil e por 20% da receita cambial do setor. Os EUA também lideram as compras nessa categoria, com 813,8 mil sacas importadas nos nove primeiros meses do ano. Alemanha, Bélgica e Itália aparecem na sequência.
Café brasileiro recupera fôlego nos EUA. Mas e os especiais?
