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outubro 9, 2026
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Campeã pan-americana de canoa havaiana morre após acidente no mar na Barra

Por · outubro 9, 2026
Campeã pan-americana de canoa havaiana morre após acidente no mar na Barra


A remadora Rie Luciana Nagasako, campeã pan-americana de canoa havaiana, morreu após sofrer um acidente no mar na manhã de quinta-feira (8), no Quebra-Mar, na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio. A atleta estava internada em estado gravíssimo no Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, na Zona Sul, para onde foi levada após ser socorrida pelo Corpo de Bombeiros. A morte foi confirmada pela direção da unidade de saúde.
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O Corpo de Bombeiros foi acionado às 8h23. Inicialmente, a Secretaria Municipal de Saúde informou que o estado de saúde da remadora era gravíssimo. Em nota, a direção do hospital afirmou que, apesar dos esforços da equipe médica, a paciente morreu.
Relatos publicados nas redes sociais por testemunhas apontam que Luciana caiu no mar durante uma manobra para aportar a canoa na Praia dos Amores. Segundo essas publicações, o mar estava revolto, e a embarcação dupla teria ficado sem o leme, função desempenhada pela atleta, antes de quebrar. O barco começou a afundar, e o colete salva-vidas que ela usava teria afrouxado em meio à força da água.
A morte de Rie Luciana provocou manifestações de pesar nas redes sociais. Amigos, alunos e integrantes da comunidade da canoa havaiana lamentaram a perda e enviaram mensagens de solidariedade à família e aos amigos da atleta. “Muito triste, minha grande amiga, te amo!”, escreveu uma pessoa. Em outra publicação, um integrante de um clube da modalidade afirmou que a comunidade havia acabado de receber a notícia e pediu orações pelos familiares e amigos. “A canoa havaiana chora com essa perda”, escreveu.
Duas medalhas de ouro no Pan-Americano
Moradora da região e professora de canoa havaiana, Luciana mantinha a escola Barra Va’a, na Barra da Tijuca, e dava aulas também no Clube Náutico Mandala, por meio do Projeto Somar. Em novembro de 2025, conquistou duas medalhas de ouro no Pan-Americano de Canoa Havaiana (Va’a), disputado na Ilha de Páscoa, território chileno no Oceano Pacífico.
A atleta ficou em primeiro lugar nas categorias V6 Master, para equipes de seis remadores com mais de 40 anos, e V3 Open, disputada em canoas de três lugares, sem restrição de idade. Na época, aos 47 anos, ela competia desde 2022 e já havia conquistado uma medalha de bronze no Mundial, na modalidade sprint, além de títulos brasileiros que a classificaram para a competição continental.
Rie e outras duas atletas no momento da vitória na categoria V3 Open
Divulgação/Confederação Brasileira de Va’aa/Bruno Araújo
Sem patrocínio para custear a viagem ao Pan, Luciana recorreu a uma vaquinha nas redes sociais para representar o Brasil. Em entrevista publicada no ano passado pelo GLOBO-Barra, ela destacou a importância da leitura das condições do mar para o desempenho nas provas e explicou o papel de quem ocupa a posição de leme, responsável por direcionar a canoa e contribuir para a estratégia da equipe.
— Não se ganha na força, mas na inteligência. Precisamos ter a leitura do mar, do vento e da ondulação. O leme é o que surfa o barco e o direciona — afirmou.
Na ocasião, a atleta também demonstrou preocupação com as condições de navegação no Quebra-Mar. Segundo ela, o assoreamento da saída do Canal da Joatinga para o mar tornava a remada mais pesada. Luciana ainda cobrava fiscalização das embarcações motorizadas que circulavam nas praias e lagoas, por considerar que algumas colocavam em risco os praticantes de esportes aquáticos.
Acidente mudou trajetória no esporte
A chegada à canoa havaiana aconteceu depois de outro acidente. Em 2017, Luciana sofreu uma queda enquanto descia uma rampa de skate em Petrópolis e precisou desviar de um ônibus. Após se recuperar de uma fratura no tornozelo, percebeu que não conseguia mais passar muito tempo em pé sobre uma prancha de stand up paddle. Por orientação do ortopedista, começou a procurar uma modalidade em que pudesse remar sentada.
Foi assim que se aproximou da canoa havaiana, esporte que começava a ganhar espaço no Rio. Na época, ela morava em Vargem Grande e precisava ir até a Urca para aprender a modalidade. Anos depois, tornou-se professora e ajudou a ampliar a prática na Barra da Tijuca.
No dia a dia, Luciana atendia quase 50 alunos em suas duas bases de trabalho. Parte deles recebia descontos de 50%, incluindo paratletas amputados, pessoas com deficiência visual e autistas.
Além de competir e ensinar, a atleta defendia a maior participação das mulheres no esporte. Em entrevista no ano passado, destacou o crescimento da modalidade no Brasil e a presença feminina nas competições.
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