Pular para o conteúdo
setembro 26, 2026
BRcom
Dólar PTAXR$ 5,1985
News

Derivado da cúrcuma mostra potencial para combater o difícil fungo da micose, mostra novo estudo brasileiro

Por · setembro 26, 2026
Derivado da cúrcuma mostra potencial para combater o difícil fungo da micose, mostra novo estudo brasileiro


Estudo conduzido pela Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp) em parceria com a Universidade de Saskatchewan, no Canadá, e apoiado pela FAPESP, revelou que um composto sintético derivado da curcumina — princípio ativo da cúrcuma ou açafrão-da-terra — possui dupla ação contra o Trichophyton rubrum, fungo responsável pelas micoses mais comuns.
O microrganismo é o principal agente de infecções superficiais na pele, pelos e unhas no mundo. No entanto, ele tem sido cada vez mais associado a doenças invasivas, particularmente em indivíduos imunocomprometidos e diabéticos.
“Nesses casos, os fungos podem ultrapassar a barreira cutânea, atingindo camadas mais profundas, incluindo a derme e a hipoderme, com potencial disseminação para os linfonodos e, em casos mais graves, para a corrente sanguínea”, disse Ana Lucia Fachin Saltoratto, pesquisadora da Unidade de Biotecnologia e professora do Curso de Medicina, Farmácia e Nutrição da Unaerp.
Segundo os pesquisadores, a molécula natural não apenas inibe o crescimento do patógeno, como também ajuda a controlar a resposta inflamatória do organismo.
Um dos fatores que dificultam a eliminação dessa bactéria é o fato de que, em geral, ele desencadeia respostas inflamatórias fracas no organismo, ou seja, ocorre uma discreta ativação do sistema de defesa do corpo.
Além disso, algumas linhagens do T. rubrum apresentam resistência aos antifúngicos comerciais utilizados atualmente, o que tem feito pesquisadores e cientistas correrem para tentar desenvolver novos agentes capazes de combater a infecção, particularmente os formulados com compostos naturais ou seus derivados.
Curcumina
Estudos recentes demonstraram que a substância e seus análogos apresentam amplo espectro de atividades farmacológicas, incluindo efeitos antioxidantes, anti-inflamatórios, antimicrobianos e antifúngicos, e agem sinergicamente com antifúngicos clássicos, promovendo a morte de diferentes espécies de fungos causadores de doença.
Porém, a aplicação clínica da substância é limitada por sua baixa solubilidade em água, instabilidade química e baixa biodisponibilidade — quando apenas uma pequena fração consegue efetivamente chegar à circulação sanguínea e fazer efeito no organismo.
Mesmo em altas doses, sua eficácia terapêutica é comprometida pela rápida degradação e eliminação.
Por essa razão, os pesquisadores se propuseram a analisar a ação antifúngica de moléculas sintéticas inspiradas na curcumina. Os compostos foram aplicados em diversas concentrações sobre o fungo cultivado em laboratório em condições controladas. A molécula denominada 2102 foi a que se mostrou mais efetiva, ou seja, foi necessária uma concentração menor desse curcuminoide para paralisar o crescimento do fungo.
O grupo então testou o efeito do composto 2102 em cultura de macrófagos humanos, células que constituem a primeira linha de defesa do sistema imune. Os resultados indicam que a substância não é tóxica e foi bem tolerada.
Usamos uma linhagem celular [de macrófagos humanos] que permite estudar a interação entre o fungo e as células imunológicas presentes nesses tecidos”, explica a pesquisadora.
Eles então avaliaram nessa linhagem celular a liberação de citocinas — substâncias secretadas pelos macrófagos que atuam como mensageiros químicos para regular a inflamação. Para isso, compararam macrófagos infectados pelo fungo sem nenhum tratamento (grupo-controle) com macrófagos infectados e tratados com o análogo da curcumina.
Os resultados mostraram que as células tratadas com o composto 2102 liberaram menos citocinas (indicando um efeito anti-inflamatório) e aumentaram a produção de substâncias oxidantes (a “munição” usada pelas células de defesa para matar patógenos).
Os pesquisadores afirmaram que, apesar dos resultados positivos, ainda são necessários alguns passos para que a substância possa ser aplicada na prática, como testes em animais e ensaios de segurança em humanos.

Derivado da cúrcuma mostra potencial para combater o difícil fungo da micose, mostra novo estudo brasileiro