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setembro 30, 2026
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Do copo americano à taça: no Rio, terra da caipirinha e da cerveja, o vinho conquista cada vez mais espaço

Por · setembro 30, 2026
Do copo americano à taça: no Rio, terra da caipirinha e da cerveja, o vinho conquista cada vez mais espaço


Conhecido por ser a terra da caipirinha e da cerveja, o Rio de Janeiro agora tem mais um no páreo: o vinho. Bares especializados na bebida têm registrado uma procura maior de clientes, e especialistas apontam uma junção de fatores para explicar a alta.
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Enquanto o consumo mundial da bebida caiu 2,7% em 2025, o Brasil registrou o maior volume de sua história, chegando a 440 milhões de litros, segundo a Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), um aumento de 41,9% em relação a 2024.
Há quase dez anos, quando abriu a Cave Nacional em Botafogo, na Zona Sul do Rio, ao lado do marido, Karina Bellinfanti conta que o estabelecimento era um dos poucos bares de vinho do Rio. Hoje, a cena mudou, com o surgimento de novos estabelecimentos especializados, movimento que, para ela, ajuda a ampliar o consumo da bebida na cidade.
— Transformar o Rio de uma cidade que bebe cerveja para uma cidade que bebe vinho é uma tarefa que, em conjunto, é mais fácil — afirma a empresária.
Para Karina, a mudança também passa pelo interesse crescente pelos vinhos produzidos no Brasil. Segundo ela, a Cave Nacional sempre recebeu clientes interessados em conhecer os rótulos nacionais, mas a conquista de prêmios internacionais por produtores brasileiros e o surgimento de novas vinícolas fizeram a bebida ganhar ainda mais atenção nos últimos anos.
A adega da Cave Nacional: vinhos brasileiros
Divulgação / Foto de @danielsammyfotografia
Segundo ela, esse interesse não se restringe aos cariocas. A Cave Nacional também tem recebido estrangeiros que chegam ao estabelecimento interessados em conhecer a produção brasileira. A mudança, no entanto, não está apenas no tipo de vinho procurado, mas também na relação do consumidor com a bebida.
— Se no passado um público especializado procurava uma garrafa estruturada, tânica e com maturação em carvalho, hoje as pessoas pedem simplesmente uma bebida que combine com o clima e para brindar com amigos — afirma.
A mudança também é percebida em casas que surgiram recentemente na cidade. Bruno Maletta, um dos sócios do bar de vinhos Inexplicável, aberto em março deste ano, em Botafogo, na Zona Sul, identifica dois perfis principais entre os clientes: os que ainda estão formando o próprio gosto e os que já têm referências mais definidas sobre regiões, uvas e estilos.
Para o primeiro grupo, as taças funcionam como uma porta de entrada, permitindo experimentar diferentes rótulos sem a necessidade de comprar uma garrafa inteira. Já os consumidores mais experientes, segundo Maletta, procuram novas referências e estão dispostos a pagar mais por propostas diferentes.
— Apesar de saberem o que gostam, estão abertos a novas propostas e dispostos a pagar por isso — afirma.
Para ele, os dois públicos têm em comum a disposição para experimentar, o que tem levado consumidores a procurar bares menores e especializados.
— Para os dois tipos de consumidores, identificamos que experimentar é importante, cada um com suas características, e por isso buscam casas menores e mais especializadas — diz Maletta.
A avaliação de Karina é semelhante à de Gabriela Teixeira, sócia do Belisco Bar de Vinhos, também localizado em Botafogo. Segundo ela, além do aumento da procura, houve uma mudança clara no consumo: os clientes estão mais interessados em “beber menos e melhor” e na possibilidade de harmonizar o vinho com a comida.
No Belisco, conta a empresária, a mudança aparece também de acordo com as estações do ano. No verão, a casa chega a vender quase exclusivamente espumantes, brancos, laranjas e rosés.
Sommelier do Belisco Gabriela Teixeira
Divulgação
— Para mim, que passei a maior parte da carreira vendendo vinho tinto — porque as pessoas diziam que vinho branco nem era vinho —, é um dado particularmente feliz — diz.
Segundo Gabriela, os jovens também estão mais dispostos a experimentar diferentes estilos, incluindo vinhos naturais e de baixa intervenção. Ela atribui parte dessa curiosidade também à apresentação dos produtos. Outro fator apontado por Gabriela é a expansão dos bares especializados. O surgimento de novos estabelecimentos, diz ela, também ajudou a desenvolver uma cultura do vinho na cidade.
Apesar da expansão, o preço e a imagem de sofisticação ainda podem afastar parte dos consumidores. Para Bellinfanti e Teixeira, ainda há uma certa barreira, tanto pelo ritual tradicional associado ao serviço do vinho quanto pelo valor de uma garrafa, considerado caro em relação à renda média do brasileiro.
Festival de vinhos
Com o aumento da procura pela bebida fermentada, a rede de Supermercados Guanabara realiza, pela primeira vez, o Guanabara Wine Festival. A proposta do festival é oferecer uma experiência tanto para quem já aprecia vinhos quanto para aqueles que estão começando a descobrir esse universo e querem ampliar seus horizontes.
O sommelier Dionísio Chaves, curador das adegas da rede, afirma que o festival acompanha uma mudança no comportamento do consumidor, que, segundo ele, está mais disposto a experimentar novos sabores, regiões e estilos.
O sommelier Dionísio Chaves
Ana Branco / Agência O Globo
— O vinho virou queridinho e já faz parte do cotidiano, seja para celebrar, acompanhar uma boa refeição ou relaxar. E nós estamos percebendo cada vez mais essa busca por novos sabores, regiões e estilos — afirma.
Segundo Chaves, as adegas do Guanabara têm hoje mais de 500 rótulos, sendo cerca de 400 de importação exclusiva. Para ele, a diversidade permite que o consumidor encontre opções de diferentes perfis e faixas de preço.
— Ainda existe a ideia de que, para beber um bom vinho, é preciso gastar muito ou entender bastante do assunto. E isso afasta as pessoas. O varejo tem um papel crucial para quebrar essa barreira, oferecendo variedade e ajudando o consumidor a descobrir opções que façam sentido para o seu paladar e para o seu bolso — diz.
O festival reunirá cerca de 40 produtores e enólogos de diversos países, como França, Portugal, Itália e Argentina. A feira acontece nesta quarta e quinta-feira, no shopping Vogue Square, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio. No sábado, o evento será realizado na Associação Atlética Banco do Brasil (AABB-Rio), no Leblon, Zona Sul da cidade.
Ao longo de três dias, os participantes poderão degustar rótulos, conhecer diferentes regiões produtoras, conversar com profissionais do setor, receber dicas de harmonização e descobrir novos sabores. Para Chaves, a proposta é aproximar o consumidor também das histórias por trás de cada garrafa.
— O cliente quer saber o que harmonizar. A busca deixou de ser apenas por um determinado tipo de vinho e passou a envolver a história que ele carrega — afirma.
Outro evento que movimenta o mercado de vinhos na cidade é o Vinhos de Portugal, realizado anualmente no Rio de Janeiro e em São Paulo por O Globo, Valor Econômico e Público, em parceria com a ViniPortugal, entidade responsável pela promoção dos vinhos portugueses. Considerado o maior evento dedicado aos vinhos de Portugal no Brasil, a iniciativa já faz parte do calendário do setor e reúne produtores, especialistas e consumidores em uma programação com degustações, encontros e atividades que aproximam o público da produção vinícola portuguesa.
*Estagiária sob supervisão de

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