Nina Koch assumiu a liderança da Equinor no Brasil em agosto deste ano. A ideia é somar às operações locais o conhecimento acumulado ao redor do mundo, em cerca de três décadas de experiência na empresa.
A executiva assume o cargo quando a companhia comemora 25 anos de atuação no país. O seu desafio é liderar a produção crescente de óleo e gás, num ambiente regulatório e energético cada vez mais complexos, além da expansão dos investimentos em energia renovável. Enquanto o cenário internacional é de instabilidade geopolítica, aqui, ganham força debates como o que trata do livre acesso ao gás natural.
A visão de Nina é de que a demanda global do setor é crescente e os países precisam garantir fontes seguras. Ao mesmo tempo, diz ela, permanece o desafio de reduzir emissões e prover energia confiável para um mundo em transição. Em sua opinião, o segredo é produzir de forma cada vez mais eficiente e com menor intensidade de carbono.
Nina está há cerca de 30 anos na Equinor. Seu último trabalho foi como vice-presidente sênior para a África, cuidando de uma região que abrange de Angola à Tanzânia. A seguir, os principais trechos da entrevista:
Qual a importância do Brasil para a Equinor?
Nina Koch: O Brasil ocupa um lugar muito importante na história da Equinor. Em 2026, celebramos 25 anos de atuação no país e, quando olhamos para essa trajetória, vemos uma história construída com visão de longo prazo, parcerias sólidas e investimentos em projetos que ajudaram a consolidar nossa presença no setor de energia brasileiro. Quando chegamos ao Brasil, em 2001, dificilmente imaginaríamos a dimensão da operação que construímos hoje. Atualmente, o país representa uma das principais operações internacionais da Equinor fora da Noruega e um dos mercados mais estratégicos para a companhia globalmente.
Qual a perspectiva de investimento nos próximos anos, no Brasil?
Nossa presença no Brasil sempre foi construída com uma visão de longo prazo. De 2009 a 2030, teremos investido cerca de US$ 25 bilhões no país, o equivalente a mais de US$ 1 bilhão por ano em média. Esse volume de investimentos demonstra a confiança que temos nos recursos brasileiros, na qualidade dos ativos e no potencial de geração de valor de longo prazo.
Qual o desafio de assumir a liderança da Equinor no país?
É uma grande responsabilidade e também uma oportunidade muito especial. Temos projetos importantes avançando, uma equipe extremamente qualificada e uma posição estratégica dentro do portfólio global da Equinor. Meu principal desafio é dar continuidade a esse trabalho, garantindo que sigamos operando e desenvolvendo os ativos com segurança, excelência operacional e geração de valor para a sociedade. Ao mesmo tempo, precisamos continuar preparando a empresa para os desafios e as oportunidades que virão nos próximos anos. Depois de mais de 30 anos na Equinor, atuando em diferentes regiões do mundo, vejo no Brasil uma combinação única de talento, conhecimento técnico e oportunidades.
O pré-sal está chegando ao amadurecimento e deve começar a ter declínio de produção na próxima década. O Brasil continuará a ter papel relevante para a empresa nesse cenário?
Quando observamos o Brasil, vemos muito mais do que um único ciclo da indústria de petróleo e gás. O país continua oferecendo oportunidades relevantes em produção, exploração, gás natural e energias renováveis. Uma das principais lições da experiência norueguesa é a importância de pensar os recursos energéticos com uma perspectiva de longo prazo e entendendo que reservatórios maduros não significam necessariamente reservatórios em declínio. Na Noruega, aprendemos que tecnologia, inovação e eficiência podem aumentar significativamente a recuperação dos reservatórios e prolongar a vida útil dos ativos.
A empresa tem interesse em ampliar investimentos em energias renováveis no Brasil?
O Brasil continua sendo um mercado muito relevante para nossa atuação em energias renováveis. Hoje contamos com ativos importantes, como Apodi, onde temos participação de 44%, primeiro complexo solar do portfólio global da Equinor, que conta com 162 megawatts (MW) de capacidade; além de 30% de participação em Mendubim, também solar, que tem capacidade de 531 MW. Ambos os ativos são operados pela Scatec através de uma joint venture com a Equinor.
Com a Rio Energy, 100% subsidiária da Equinor, temos o Complexo Serra da Babilônia, que fortaleceu nossa posição no segmento de geração renovável onshore, sendo o primeiro projeto híbrido da Equinor no mundo. O complexo eólico conta com 223 MW de capacidade, e o solar, com 140 MW. Além disso, temos o projeto eólico Esquina do Vento em construção, com 230 MW, no Rio Grande do Norte, que amplia nosso portfólio para um pouco mais de 800 MW. Seguimos avaliando oportunidades capazes de fortalecer nosso portfólio energético e gerar valor de forma sustentável e competitiva no longo prazo.
Projeto Raia é um dos principais do portfólio global da Equinor: potencial para fornecer aproximadamente 15% da demanda brasileira de gás natural
Divulgação/Equinor/Jonny Engelsvoll
A empresa tem perspectiva de ampliar a contratação de pessoas no Brasil?
Hoje contamos com mais de 800 profissionais no Brasil, além de uma cadeia ainda maior de fornecedores e subfornecedores que atuam conosco em nossas operações. Com o avanço do campo de Bacalhau e do projeto Raia, o impacto na geração de empregos vai muito além dos profissionais que atuam diretamente na Equinor. Estimamos que os dois juntos podem gerar cerca de 100 mil empregos diretos e indiretos ao longo dos seus ciclos de vida.
Poderia atualizar em que fase de trabalho está o projeto de Raia? Qual a previsão de início de produção?
Raia é um dos projetos mais importantes do nosso portfólio global e um dos principais desenvolvimentos de gás natural em andamento no Brasil. O projeto avança conforme planejado para iniciar a produção em 2028. Concluímos a instalação de mais de 200 quilômetros do trecho offshore do gasoduto de escoamento de gás natural. Em seu ponto mais profundo, a estrutura alcança 2.735 metros abaixo da superfície, tornando-se o gasoduto mais profundo do mundo. Quando entrar em operação, Raia terá capacidade para escoar até 16 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, volume que tem potencial para fornecer aproximadamente 15% da demanda brasileira de gás natural. Outro diferencial é que será a primeira vez no Brasil que o gás será especificado na unidade de produção e entregue diretamente ao sistema nacional de transporte, sem necessidade de uma planta de processamento em terra.
Equinor vê um novo ciclo de oportunidades no Brasil
