O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães , se reuniu na manhã desta terça-feira com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para discutir a votação do fim da escala 6×1. O texto em tramitação no Congresso Nacional acaba com o modelo de seis dias de trabalho para um de descanso na semana.
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A expectativa de governistas é que votação possa ocorrer nos próximos dias, gerando um trunfo eleitoral para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição.
Lula saiu atrás de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu principal adversário, com o resultado do primeiro turno: 45,16% a 47,03%. Aliados do presidente defendem um reforço na disputa política em torno do tema: é preciso mostrar que, com Lula, os trabalhadores terão dois dias de descanso; numa eventual vitória de Flávio, no entanto, isso não aconteceria, segundo eles. O próprio senador e seu entorno se posicionaram contra o avanço da medida.
— Nós temos que defender a PEC e expor quem está contra. Certamente não será votada nesta semana, porque tem o rito, tem que cumprir as cinco sessões — afirmou o senador Cid Gomes (PSB-CE), que é da base lulista.
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Guimarães diz que a tarefa da articulação política nesta semana é fazer avançar com a proposta e falou em “prioridade”. Ele minimizou o resultado das urnas como impeditivo para que o tema fosse aprovado. A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), no entanto, reconhece que “está mais difícil de aprovar” agora.
Governistas dizem ter visto um gesto de Alcolumbre com o anúncio dele de levar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do tema à votação a dois dias do primeiro turno. Havia uma expectativa de que essa sinalização, por si só, pudesse dar bônus eleitorais a Lula nas urnas, o que não acabou se concretizando.
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Apesar disso, aliados do presidente no Senado reconhecem que o resultado das urnas —com Flávio à frente do petista e com um avanço de parlamentares do PL na Casa— poderá impactar e dificultar o trâmite da PEC. Por isso falam da necessidade de incentivar a militância para pressionar os parlamentares. Um senador de partido de centro diz que hoje não há votos sequer para aprovar um interstício (instrumento legislativo que pode acelerar a discussão). Para aprovar uma PEC são necessários votos favoráveis de 49 dos 81 senadores.
Por outro lado, interlocutores de Lula dizem avaliar que Alcolumbre precisará de votos da esquerda e da base do petista para tentar se reeleger no comando do Senado, diante da avaliação que o PL terá um candidato próprio. O presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, falou em entrevista nesta segunda do desejo de Rogério Marinho (PL-RN) concorrer ao cargo. Por esse raciocínio, contam com a atuação do presidente do Senado para buscar avançar com o tema.
Além de Guimarães, Teresa Leitão também acompanhou a conversa com Alcolumbre nesta manhã. Em seguida, está prevista uma conversa do ministro da articulação política com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Na Casa, a proposta foi aprovada em maio.
Um integrante da campanha de Lula diz que não descarta que nessas conversas também seja tratados eventuais apoios dos partidos dos presidentes das Casas à reeleição do petista. O cenário considerado mais provável é que o União Brasil endosse publicamente a candidatura de Flávio, assim como o Republicanos. Apesar disso, aliados de Lula dizem apostar no apoio de setores desses partidos e na atuação de Alcolumbre e Motta individualmente.
Escala 6×1: ministro da articulação política se reúne com Alcolumbre e tenta destravar PEC em busca de trunfo para Lula
