Uma família da Flórida perdeu a casa e o cachorro depois que um Tesla Model S Plaid pegou fogo na garagem durante a passagem do furacão Helene, em setembro de 2024. Segundo uma ação judicial apresentada em um tribunal federal de Tampa, o incêndio teria começado depois que a bateria do veículo foi exposta à água salgada da enchente e rapidamente se espalhou pela residência, de acordo com o site The Independent.
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O processo foi apresentado pela família Murphy na quarta-feira (24) e acusa a Tesla de ter conhecimento dos riscos de incêndios envolvendo baterias de íon-lítio expostas à água e de não ter adotado medidas consideradas suficientes para evitá-los. As alegações ainda serão analisadas pela Justiça.
Michael Murphy, proprietário de uma concessionária de veículos na região de Tampa Bay, estava na Califórnia a trabalho quando o furacão atingiu a região. Em casa estavam sua mulher, Sylvana, as duas filhas do casal e os pais dela.
A família vivia em uma residência de aproximadamente 500 metros quadrados, com cinco quartos e seis banheiros, localizada à beira da água. O Tesla, disponibilizado a Murphy para uso profissional e pessoal, permanecia todas as noites na garagem, no térreo da casa.
O furacão Helene chegou à região de Tampa Bay em 26 de setembro de 2024 como um furacão de categoria 4. A tempestade provocou uma forte maré de tempestade e fez a água salgada invadir a garagem da família, segundo o processo.
Com a parte inferior do Tesla submersa, Sylvana teria ouvido uma forte explosão vindo do local. Ao descer para verificar o que havia acontecido, encontrou o veículo em chamas.
De acordo com a ação, o fogo se espalhou rapidamente pela garagem e, em questão de minutos, tomou a estrutura da residência. A água da enchente também teria bloqueado o acesso para veículos de emergência, deixando a família presa dentro da casa.
Sem conseguir voltar da Califórnia, Murphy entrou em contato com a Grey Bull Rescue, organização formada por ex-militares e sediada em Tampa. Uma equipe conseguiu chegar ao imóvel de barco e retirar Sylvana, as duas filhas e os pais dela.
A ação afirma que, sem o resgate, a família não teria conseguido escapar do incêndio. O cachorro, porém, não conseguiu ser retirado a tempo e morreu nas chamas.
Família acusa Tesla de conhecer riscos
Na ação, os advogados da família afirmam que o incêndio foi provocado pelas próprias baterias e pelo projeto do conjunto de baterias do veículo. A petição também acusa a Tesla de ter conhecimento dos riscos e de não ter informado adequadamente seus clientes.
Segundo o processo, a empresa teria recebido alertas sobre a possibilidade de incêndios envolvendo veículos elétricos cujas baterias fossem expostas à água. A família afirma ainda que a Tesla tinha acesso a tecnologias para aumentar a proteção das baterias, mas não as teria utilizado.
O processo cita, entre outros elementos, uma patente registrada pela Tesla em 2010 relacionada a um material retardante de chamas destinado a reduzir o risco de thermal runaway, fenômeno conhecido como fuga térmica. Trata-se de uma reação em cadeia de aquecimento da bateria que pode provocar temperaturas muito elevadas e dificultar o combate ao incêndio.
Em 2022, o senador americano Rick Scott, republicano da Flórida, também havia alertado sobre os riscos de baterias de íon-lítio expostas à água salgada e pedido providências ao Departamento de Transportes dos Estados Unidos.
Outros incêndios são citados no processo
Ainda de acordo com o site, a ação também menciona outros episódios envolvendo veículos Tesla. Durante o próprio furacão Helene, uma residência no condado de Pinellas, na Flórida, foi destruída por um incêndio depois que a água da enchente atingiu um Tesla estacionado na garagem, segundo relatos citados no processo.
Outra casa em Tampa também teria sido destruída depois que um Tesla pegou fogo na garagem após entrar em contato com água salgada.
O processo cita ainda um incêndio ocorrido em 2024 na casa do ex-jogador da NFL Randall Cobb, em Nashville, no Tennessee. Na ocasião, um cabo de carregamento de um Tesla teria provocado um arco elétrico e iniciado o incêndio. Os prejuízos foram estimados em US$ 4 milhões.
Tesla ainda não comentou o caso
A publicidade da Tesla afirma que veículos elétricos apresentam menor frequência de incêndios do que carros movidos a gasolina. Por outro lado, incêndios envolvendo baterias de íon-lítio podem atingir temperaturas muito elevadas e apresentar dificuldades específicas para os bombeiros.
O advogado Samuel Heller, que representa a família Murphy, afirmou que a experiência tem sido trágica para os clientes, mas não quis comentar detalhes do processo em razão da ação judicial.
Procurada pelo The Independent, a Tesla não respondeu ao pedido de comentário.
A família Murphy pede na Justiça o pagamento de indenização por danos materiais e outros prejuízos, além de danos punitivos. O valor deverá ser definido no decorrer do processo, caso a Justiça reconheça as alegações apresentadas na ação.
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