
No meio de um dia de trabalho, no coração da capital ucraniana, Kiev, um drone russo movido a jato atingiu nesta segunda-feira a Academia Nacional de Ciências, incendiando os dois últimos andares do prédio e obrigando pessoas a sair pelas janelas e esperar pelo resgate. Enquanto os bombeiros trabalhavam para controlar as chamas, funcionários de uma instituição responsável por quase todas as grandes descobertas científicas da Ucrânia precisaram descer por escadas para chegar a um local seguro.
Contexto: Ataques russos destroem milhões de livros, o coração da cultura ucraniana
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Bombeiros atendem a uma ocorrência após um ataque com drone a jato russo à Academia Nacional de Ciências em Kiev, na segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Finbarr O’Reilly / The New York Times
O drone atingiu o prédio pouco antes das 13h30, no horário de Kiev, quando os funcionários da academia estavam no intervalo para o almoço. A maioria, porém, fazia a refeição em seus escritórios. Os feridos receberam atendimento na calçada em frente ao edifício — um marco arquitetônico amarelo, rosa e branco que foi originalmente projetado na década de 1850 para ser um internato para meninas de uma condessa.
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— Meu escritório desapareceu. Ficava no segundo andar. Tudo desabou, tudo — relata Vira Yevhrafova, de 65 anos, vice-chefe de pesquisa da academia.
A Rússia vem bombardeando Kiev ininterruptamente há semanas com novos drones movidos a jato, que têm se mostrado difíceis de derrubar com os atuais sistemas de defesa aérea da Ucrânia. A vida cotidiana na capital agora é pontuada pelo som seco e repetitivo dos disparos das armas antiaéreas, seguido pelo impacto de um drone contra algum alvo — um centro de dados, uma rua qualquer, um posto de gasolina, um depósito ou um edifício de vários andares.
O ataque desta segunda-feira matou pelo menos uma pessoa e deixou seis feridos. Um homem estava desaparecido. É um saldo típico desses ataques com drones, que se tornaram tão frequentes que mal chegam ao noticiário internacional, a menos que as imagens sejam particularmente dramáticas.
Uma mulher ferida no local de um ataque russo com drone a jato contra a Academia Nacional de Ciências em Kiev, na segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Finbarr O’Reilly / The New York Times
A filha da mulher que morreu foi até o prédio e caiu no choro. Estava triste e revoltada, mas não tinha mais nada a dizer.
Ucranianos lamentaram a cena de brilhantes pesquisadores deixando às pressas seus escritórios em chamas. “Que guerra idiota”, escreveu nas redes sociais Andriy Kovalenko, tenente do Exército ucraniano e ex-integrante do governo, junto a uma foto de duas pessoas saindo pelas janelas.
O ataque à academia de ciências foi apenas o começo de um dia movimentado para as equipes de resgate e os grupos militares responsáveis por interceptar drones. Menos de duas horas depois, outro drone atingiu uma clínica a cerca de 1,6 quilômetro ao sul. Uma hora mais tarde, outro drone foi interceptado justamente no momento em que atingia um edifício próximo.
Depois de mais um ataque mortal em Kiev, com mais um corpo coberto por um lençol e levado do local, os ucranianos voltaram a avaliar a estratégia russa de bombardeá-los até que se rendam.
— Acho que o que eles querem agora é nos assustar e fazer nossa vida parar — afirma Vira Balanovska, de 43 anos, que passou diante da academia em chamas com a filha de 9 anos. — Não se trata apenas de atacar depósitos para que não tenhamos comida. Eles também querem nos intimidar, fazer com que não consigamos trabalhar, estudar, fazer pesquisa científica ou, na verdade, fazer qualquer coisa.