Uma pequena aranha de aparência incomum foi avistada nas proximidades de Oxford, no Reino Unido, durante o período do ano em que os machos da espécie costumam deixar suas tocas para procurar fêmeas. Conhecida como purse web spider e identificada cientificamente como Atypus affinis, ela pode medir até 15 milímetros, viver por até oito anos e tem uma estratégia de caça pouco comum: captura suas presas sem precisar sair do esconderijo.
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A espécie é a única representante no Reino Unido de um grupo de aranhas que inclui as tarântulas. Por isso, é frequentemente descrita como uma espécie de “mini-tarântula”. Apesar da comparação, não se trata de uma tarântula propriamente dita. A Atypus affinis é encontrada principalmente no sul da Inglaterra e é considerada uma espécie rara e de distribuição bastante localizada no país.
O que torna a aranha particularmente incomum é a estrutura que constrói para viver. Ela escava um túnel no solo e o reveste com seda. Uma extensão do tubo chega à superfície, onde fica camuflada por terra, folhas e outros detritos. O conjunto pode lembrar uma pequena bolsa ou a ponta de uma meia — daí o nome popular em inglês, que significa aproximadamente “aranha da teia-bolsa”.
A aranha permanece dentro dessa estrutura e espera que um inseto passe por cima dela. Quando isso acontece, ela atravessa a parede de seda com as presas, perfura a vítima e a puxa para dentro da toca. Depois, repara o buraco aberto no tubo. Entre as presas da espécie estão besouros, moscas, abelhas, tesourinhas e tatuzinhos-de-jardim.
As estruturas usadas pela Atypus affinis também são incomuns entre as aranhas britânicas. Suas quelíceras, que abrigam as presas, são grandes em proporção ao corpo e se movimentam verticalmente, para cima e para baixo. Essa característica é típica das chamadas aranhas migalomorfas, grupo que inclui tarântulas e aranhas-alçapão.
As fêmeas podem atingir de 10 a 15 milímetros de comprimento, enquanto os machos têm entre 7 e 9 milímetros. Apesar de passar praticamente toda a vida no subsolo, o macho adulto deixa a toca durante o período de reprodução. A maior concentração de atividade ocorre entre setembro e novembro, o que faz com que ele seja mais facilmente observado no outono europeu.
O encontro de um macho com uma fêmea também é marcado por um comportamento particular. Depois de encontrar a estrutura construída pela fêmea, o macho a percorre e produz vibrações para sinalizar sua presença. Ele então entra na toca para o acasalamento. As fêmeas permanecem no abrigo e podem sobreviver por vários anos.
A longevidade é outro aspecto que chama atenção. Segundo a British Arachnological Society, a espécie pode viver por até sete ou oito anos, permanecendo praticamente todo esse período dentro de sua “bolsa” de seda. A maturidade sexual ocorre apenas depois de vários anos.
Embora tenha grandes presas, a Atypus affinis não é considerada uma aranha perigosa para seres humanos. Registros especializados indicam que ela pode morder, mas os efeitos descritos são leves, com sensação de ardência e vermelhidão local que desaparecem em pouco tempo.
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