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outubro 31, 2026
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Tamanho é documentário: filme mostra a indústria de aumento de pênis nos EUA

Por · outubro 31, 2026
Tamanho é documentário: filme mostra a indústria de aumento de pênis nos EUA


Exibido pela primeira vez no festival South by Southwest Film, em 14 de março, o documentário “Manhood” chegou a (poucos) cinemas de Los Angeles e de Nova York nesta semana. Mas a nova produção de Daniel Lombroso, que explorou o extremismo conservador em trabalhos anteriores, vai ganhar sua versão digital para ser distribuído em VOD até 17 de novembro. E deve chamar mais a atenção por abordar um aspecto particular da fragilidade masculina: a indústria de procedimentos cosméticos que promete aumentar o tamanho do pênis.
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“Manhood” é uma narrativa de 90 minutos que conta a história de três personagens que foram acompanhados ao longo de dois anos: Bill Moore, dono da PhalloFill, uma rede de clínicas que oferece o procedimento (e que nunca deixa claro a seus clientes que não é médico), David Smith, um criador de conteúdo gay no OnlyFans que busca ajuda de Moore para a correção da forma do pênis depois de ser vítima de um tratamento malfeito, e Ruben Ramirez, um aspirante a comediante casado com cinco filhos tão obcecado em melhorar a aparência abaixo da cintura que chega a vender a casa para poder pagar o aumento.
Lombroso, o documentarista, não tem parentesco identificável com o médico italiano Cesare Lombroso (1835-1909), um dos fundadores da criminologia que inspirou a palavra “lombrosiano” a partir de sua crença (errada) de que o aspecto de uma pessoa poderia definir se ela tinha propensão a quebrar a lei. O diretor de “Manhood” chegou a essa outra abordagem à aparência humana por causa de uma pesquisa de tendências de cirurgias plásticas que fez para a The New Yorker.
Moore cobra de US$ 15 mil a US$ 20 mil por intervenção no pênis, procedimento que vende como uma panaceia contra depressão, vida sexual insatisfatória e até mesmo para impulsionar carreiras. No filme, entre os que o procuram, estão um agente de patrulha da fronteira e um pastor evangélico. Figuras ligadas a uma masculinidade conservadora , mas que não se importam em fazer de Moore quase um coach, embora o dono da clínica seja um homossexual que, em “Manhood”, fala da culpa e do medo da rejeição que sentiu antes de se assumir para a família cristã conservadora no Sul dos Estados Unidos e da sua mãe, vítima da demência.
Lombroso contou ao Guardian que, enquanto fazia o documentário, percebeu que nenhuma das companheiras dos homens que procuravam a PhaloFill se importavam com o tamanho do pênis do companheiro. E o caso do comediante Ruben sintetiza essa dissociação: a mulher dele não é favorável ao tratamento que o faz mudar-se para a residência de uma ex-companheira para vender a casa da família e pagar o tratamento.
Embora “Manhood” tenha trechos humor e Ruben se considere um comediante, as partes em que o personagem aparece podem causar tristeza. Quando não está ouvindo podcasts de Joe Rogan sobre como os homens são marginalizados, Ruben aparece em shows em bares, tentando arrancar, sem sucesso, risos com piadas constrangedoras com assuntos como abuso sexual infantil. “Ele é, na verdade, um pai muito amoroso”, ressalvou Lombroso ao Guardian. “Mas acaba se refugiando nesses mundos, como muitos de nós fazemos, e no fim das contas, isso acabou cobrando seu preço.”
O preço, para David Smith, o terceiro vértice desse triângulo de personagens, foi a deformação. O jovem busca a ajuda de Moore para reparar os danos causados ​​por um procedimento estético malfeito por Victor Loria, outro vendedor de ilusões que não é médico e se gaba em “Manhood” de vir de uma família ligada à Máfia. Loria mantém na parede do consultório um aviso sobre isenção de responsabilidade profissional se algo que fizer der errado. O encontro de David com Moore faz os dois descobrirem que têm muito em comum na vida, a começar por um parceiro sexual.
A PhalloFill de Moore tem 32 unidades em todos os Estados Unidos, indicando como o negócio é lucrativo. O empresário não perde a oportunidade de conquistar mais um cliente — tanto que tentou convencer Lombroso a aumentar o pênis, durante a produção. O documentarista recusou o procedimento, segundo o Guardian, com uma justificativa intransponível: “Minha mãe jamais me perdoaria”

Tamanho é documentário: filme mostra a indústria de aumento de pênis nos EUA