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outubro 6, 2026
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Três mulheres estão entre os quatro deputados mais votados para a Alerj; saiba quem são

Por · outubro 6, 2026
Três mulheres estão entre os quatro deputados mais votados para a Alerj; saiba quem são


Três mulheres estão entre os quatro candidatos mais votados para a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). O bom desempenho eleitoral, no entanto, não se reflete em representatividade. Em 2027, elas devem corresponder a apenas 22,9% da composição da Casa. Índia Armelau (PL), na sua segunda campanha, tornou-se a deputada estadual mais votada da história fluminense: foi escolhida por 248.504 eleitores, mais de quatro vezes o que tinha alcançado na disputa anterior, em 2022. O terceiro e o quarto lugares foram de Renata Souza (PSOL), com 176.871 votos, e da primeira mulher trans a ocupar uma cadeira na Alerj, Dani Balbi (PCdoB), com 169.474 votos. Ambas também foram reeleitas.
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O gênero as aproxima, mas o campo ideológico as distancia. A manauara Amanda, 39 anos, que se tornou conhecida como Índia, já foi hostess de eventos, nadou no Vasco da Gama, é formada em Educação Física e empresária. A competitividade e a resiliência, ela crê, ajudam na trajetória política. Há ainda a força do partido, que elegeu 21 nomes neste pleito, e uma dedicação intensa às redes sociais (“tem gente que prioriza as ruas, mas fizemos bastante nas redes”). Diz-se católica que não crê “que tudo é pecado”, tem ideais conservadores e a opinião de que se trata de “vitimização” reforçar antecedentes indígenas, assim como o fato de ser mulher.
— Você não precisa se vitimizar, não precisa ficar batendo na tecla: “eu sou preta, favelada, gay”. Se chego ao microfone e fico falando: “Sou índia, sou mulher”, para mim isso é vitimização — afirma a parlamentar, que teve 62 leis aprovadas no atual mandato, entre elas a do Bolsa Atleta, e um projeto de grande repercussão, de banheiros neutros para pessoas trans, que foi vetado pelo governador em exercício Ricardo Couto em junho, sob o argumento de que culminaria em “segregação”.
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Ontem, um dia após a conquista, ela almoçou com o correligionário e candidato a governador Douglas Ruas (PL) no Centro. Ao ser perguntada sobre propostas prioritárias para os próximos anos, foi franca:
— Ainda não tenho nada (risos). Tudo muito corrido. Foi minha primeira reeleição — disse a deputada, que foi candidata a vice-prefeita na chapa de Alexandre Ramagem, hoje considerado foragido da Justiça, e apoiou Rodrigo Bacellar na Alerj. — Ele pode ter os pecados dele. Que seja preso se houver algum crime. Mas, do jeito que fizeram, foi errado. Por uma mensagem — opinou.
Embates à vista
Representante da esquerda entre as mais votadas, Renata Souza (PSOL), em seu terceiro mandato, preside a Comissão da Mulher da Alerj, posto do qual quase foi retirada. Há três meses, Douglas Ruas, então presidente da Casa, determinou seu afastamento, mas o Tribunal de Justiça do Rio assegurou sua permanência.
— Nos próximos anos, a gente vai ter que legislar para que os avanços que garantimos não se percam — antecipa Renata, que tem entre suas pautas projetos contra a escala 6×1. — Precisaremos conter as políticas retrógradas instaladas e focar em ações muito concretas. A das escalas absurdas de trabalho está nessa lista. São as mulheres trabalhadoras, pobres e negras que acumulam duplas e triplas jornadas de trabalho.
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Para Dani Balbi (PCdoB), professora universitária e doutora, de 37 anos, primeira mulher trans a ocupar uma cadeira na Alerj, afirmar seu gênero é um ato político e social, já que a nomeação e a visibilidade podem combater a marginalização. Na autoria de leis, o gênero não é limitante: nas 60 já aprovadas, algumas voltadas para Educação e Cultura tiveram repercussão, entre as quais a que cria ações afirmativas para mães de crianças na primeira infância e a que versa sobre atração de produções culturais para o Rio. Na Alerj, ela preside a Comissão de Trabalho, Legislação Social e Seguridade Social e é vice na Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação.
— Essas frentes ajudaram a ampliar uma candidatura que poderia ser folclórica e nichada — acredita ela.
Além de Índia, Renata e Dani, as outras 13 eleitas para a próxima legislatura da Alerj, que começa em 2027, foram Elika Takimoto (PT), Dra. Gabriela (PL), Verônica Lima (PT), Fernanda Neves (PDT), Marina do MST (PT), Dani Monteiro (PSOL), Tia Ju (Republicanos), Luciana Boiteux (PSOL), Giselle Monteiro (PL), Ana Paula Mendes (PSD), Zeidan (PT), Carla Machado (PSD) e Joyce Trindade (PSD). A lista feminina repete o número de mulheres da última eleição, 16, menos de um quarto do total da Casa.
— É um avanço tímido e inexpressivo para as mulheres. E grande parte delas é de direita, sem compromisso com as lutas pela emancipação e contra a misoginia. Não tem pensamento progressista e vem de partidos que discutem o voto de cabresto tutelado pelos homens. Em que pese a gente ter expressão um pouco maior, há perigo de elas sugerirem pautas para a interdição de mulheres em espaços de poder — observa Dani Balbi.

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