Conhecidos há décadas pelos cariocas como Cobal do Humaitá e Cobal do Leblon, os dois tradicionais hortomercados da Zona Sul poderão passar por um processo de modernização e valorização. O BNDES e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) assinaram, na segunda-feira (21), um acordo de cooperação técnica para estudar alternativas de aproveitamento dos imóveis, que continuam sob administração da estata
l. A ideia é identificar possibilidades de revitalização sem deixar de lado a função de abastecimento alimentar dos espaços.
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Em novembro do ano passado, O GLOBO-Zona Sul mostrou que as obras de revitalização das Cobal do Leblon e do Humaitá, iniciadas em maio e junho daquele ano, respectivamente, estavam paralisadas desde setembro por falta de repasse de verbas, sem previsão de retomada. As duas unidades são patrimônios tombados pela prefeitura e pela Assembleia Legislativa e, nos últimos anos, sofrem com boxes fechados queda de movimento.
Os dois equipamentos foram implantados na década de 1970, dentro da política federal de abastecimento alimentar urbano, e hoje reúnem dezenas de comerciantes, além de bares e restaurantes. A denominação Cobal vem da Companhia Brasileira de Alimentos, empresa federal que administrou os espaços até os anos 1990. Desde então, o nome permaneceu no uso cotidiano, mesmo com a gestão passando para a Conab.
Pelo acordo, o BNDES fará uma análise preliminar dos imóveis e deverá apresentar alternativas e diretrizes para subsidiar estudos futuros. Serão avaliados aspectos técnicos, jurídicos, fundiários, patrimoniais e institucionais, além de possíveis modelos de aproveitamento dos espaços.
— O BNDES deverá apresentar uma análise das alternativas possíveis de valorização e de aproveitamento dos dois espaços. Tem várias utilizações possíveis que podem gerar receita comercial para a companhia, mantendo a função pública de cada imóvel. Tem que ter um espaço para a comercialização de alimentos produzidos principalmente pela agricultura familiar — afirmou o diretor de Planejamento e Relações Institucionais do BNDES, Nelson Barbosa.
Segundo Barbosa, entre as possibilidades a serem estudadas estão concessão, permuta ou a participação de investidores privados em um eventual projeto desenvolvido pela própria Conab. Ele ressaltou, porém, que ainda não há uma modelagem definida.
— Vamos estudar quais são essas vocações, qual o potencial de retorno e quais são as formas jurídicas e organizacionais de aproveitar esse patrimônio. Pode ser feita uma concessão, uma permuta, um aproveitamento pela própria Conab trazendo um investidor privado. Enfim, existem várias possibilidades que vamos estudar e isso exige também um diálogo com a população — disse
Feira realizada na Cobal do Leblon
Divulgação
Ainda de acordo com o BNDES, o acordo tem caráter preparatório e não autoriza, neste momento, a venda, concessão, cessão ou exploração econômica dos imóveis. Qualquer uma dessas medidas dependeria de estudos, processos e autorizações específicos. A cooperação terá duração inicial de 18 meses, com possibilidade de prorrogação por até cinco anos. Também não haverá repasse de recursos financeiros entre BNDES e Conab.
Um dos pontos considerados centrais no estudo será a manutenção da vocação hortifrutigranjeira dos dois mercados. A intenção é que uma eventual nova modelagem preserve mecanismos de acesso para produtores da agricultura familiar fluminense, em articulação com programas de abastecimento da Conab.
Para o presidente da Conab, Sílvio Isoppo Porto, os dois espaços têm potencial que vai além da comercialização de alimentos.
— Estamos falando de espaços de cultura, de lazer e de gastronomia muito consagrados no Rio de Janeiro. São dois equipamentos ícones que têm um apelo muito grande junto à população, mas que parte do espaço está ocioso. Vai ser um grande ganho para a população ter esses imóveis realmente servindo como um equipamento de abastecimento, incorporando a agricultura familiar do estado, e também de gastronomia e cultura — afirmou.
A ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, também destacou a intenção de ampliar o acesso dos agricultores familiares aos consumidores do Rio.
— O acordo busca um melhor aproveitamento desses espaços para oferta de alimentos saudáveis e, ao mesmo tempo, dar condições para que os agricultores familiares consigam acessar mercados levando seus produtos diretamente para os consumidores cariocas — afirmou.
O estudo deverá ainda incluir consultas a interlocutores do mercado, identificação de possíveis condicionantes e elaboração de diagnósticos que possam orientar futuras decisões do poder público sobre os dois imóveis.
BNDES vai estudar modernização das Cobal do Humaitá e do Leblon
