A campanha da ex-ministra do Meio Ambiente e candidata ao Senado por São Paulo, Marina Silva (Rede), encaminhou um pedido de reforço de caixa de R$ 1,2 milhão à direção nacional do partido, mais que o dobro do recebido até agora, e questiona internamente os critérios adotados para o repasse de verba pública este ano. O episódio é mais um foco de atrito dentro da sigla após o racha com o grupo da ex-senadora Heloísa Helena.
Documento a que o GLOBO teve acesso alega que Marina aparece “de forma consistente” na liderança da disputa ao Senado e que, dessa forma, teria direito a uma reserva de recursos do Fundo Eleitoral “destinada a candidaturas competitivas e estratégicas, a serem distribuídas em nova rodada”. O requerimento é assinado pelo coordenador-geral da campanha, Bazileu Margarido, foi enviado na semana passada.
“Registra-se que Marina Silva contribui para a construção da Rede Sustentabilidade desde sua concepção, antes da própria fundação em 2013, e mantém o seu compromisso com o fortalecimento do projeto partidário para além da candidatura ao Senado”, aponta a carta.
Nos bastidores, há reclamação sobre a verba destinada até o momento, de R$ 1 milhão, para Marina. O montante é menor que o de Heloísa Helena, candidata a deputada federal no Rio de Janeiro, que recebeu R$ 2,8 milhões, do deputado federal André Janones, de Minas Gerais, destinatário de R$ 3 milhões, e do ativista Thiago Ávila, que concorre a deputado federal em São Paulo com R$ 1,5 milhão. Iguala ainda as cifras de três candidatos à Câmara e dois estaduais.
Um argumento possível seria de que o partido, este ano, precisa fazer bancadas federais, junto com o PSOL, para superar a cláusula de barreira e manter o financiamento das suas atividades nos próximos quatro anos, assim como o acesso à propaganda eleitoral de rádio e TV. Outra candidata ao Senado, Luizianne Lins, do Ceará, porém, recebeu R$ 2,2 milhões do partido.
O GLOBO procurou o porta-voz nacional do partido, Paulo Lamac, na tarde desta quarta-feira (23), mas ele não retornou o contato. A campanha de Marina confirmou o pedido formal à executiva nacional da Rede e alega não ter recebido resposta.
Até o momento, Marina Silva arrecadou quase R$ 3 milhões para a campanha. Além da verba da Rede, recebeu R$ 1,1 milhão do PSOL, responsável por indicar o primeiro suplente da chapa. O restante veio de financiamento coletivo e doações privadas — entre os apoiadores estão o diretor de cinema Walter Salles e a escritora Beatriz Bracher, além da família Moreau, herdeira do Banco da Bahia.
Segundo apurou o GLOBO, o dinheiro solicitado por Marina seria usado para produção de material impresso, contratação de equipes de mobilização de rua e impulsionamento de conteúdo nas redes sociais na reta final da campanha. Não haveria, porém, problemas com contratos em aberto, cujos recursos estão provisionados, de acordo com o relato de um aliado da ex-ministra.
A prestação parcial de contas, entregue à Justiça Eleitoral no dia 13 de setembro e atualizada em tempo real, aponta que a Rede destinou R$ 25,5 milhões aos candidatos da sigla. Ela recebeu, ao todo, R$ 35,8 milhões de fundo eleitoral, mas pode complementar o valor com o fundo partidário, depositado todos os meses para financiamento das atividades e sujeito a regras específicas quanto ao tipo de despesa.
Campanha de Marina Silva pede reforço de caixa e questiona critérios de repasse de verba da Rede
